Publicado em 20 de outubro de 2026 por Rui C. Barbosa

SpaceX lança missão partilhada Bandwagon-5

A missão Bandwagon-5, transportando 31 satélites a bordo, foi lançada a 20 de Outubro de 2026 a partir da Estação das Forças Espaciais de Cabo Canaveral (SFS), pela Space Exploration Technologies Corp. (SpaceX).

O lançamento teve lugar às 1104UTC e foi realizado pelo foguetão Falcon 9-698 (B1085.19) a partir do Complexo de Lançamento SLC-40 daquele centro espacial na Florida. O primeiro estágio B1085 – na sua 19.ª missão – foi recuperado na plataforma flutuante A Shortfall Of Gravitas (ASOG), no Oceano Atlântico.

O lançamento estava inicialmente previsto para ter lugar a 19 de Outubro, mas seria adiado devido às más condições meteorológicas na zona de recuperação do primeiro estágio.

A missão Bandwagon-5 foi a quinta missão dedicada a colocar as suas cargas numa órbita de inclinação média, ao contrário das missões Transporter lançadas para órbitas SSO, isto é, sincronizadas com o Sol. Assim, estas missões proporcionam outras opções para os clientes que queiram lançar pequenos satélites para estas órbitas que fazem com que os satélites sobrevoem as áreas mais habitadas do planeta, em vez de fornecerem uma cobertura global proporcionada pelas órbitas polares.

Esta missão constituiu o 730.º lançamento da SpaceX, sendo 121.º lançamento da SpaceX em 2026, o 8.º lançamento em Outubro de 2026 e 696.º lançamento de um foguetão Falcon-9. Esta foi a 23.ª missão dedicada ao Programa “Smallsat Rideshare”.

A carga da missão Bandwagon-5

A bordo da missão Bandwagon-5 foram lançados os seguintes satélites: Starfall Demo-2, Capella-21 (Acadia-11) e Capella-22 (Acadia-12), FossaSat-2E27, FRG-100D4, GNOMES-11, Hawk-15A a Hawk-15C, ICEYE-X84, ICEYE-X88, ICEYE-X109, ICEYE-X110, LEO Express 4, Maxwell, Pelican-12, Pulsar PTS-1 e Pulsar PTS-2, Pulsar-01 a Pulsar-04, SIRIUS-A e SIRIUS-B, Starburst-1, T.MicroSat-3 e T.MicroSat-4, Tomorrow-S14 e Tomorrow-S15, Umbra-SAR 13 e Umbra-SAR 14, e W-Series 7.

Starfall Demo é o nome dado a duas missões de demonstração destinadas a validar a cápsula de reentrada do sistema de transporte de carga Starfall. A cápsula espacial está a ser desenvolvida pela SpaceX como um veículo de reentrada não tripulado para o transporte e entrega de mercadorias através do espaço, com missões de demonstração concebidas para verificar as capacidades de reentrada atmosférica, amaragem e recuperação. O veículo não foi concebido nem se destina a voos espaciais tripulados. As missões de demonstração têm como objetivo validar as tecnologias e os procedimentos operacionais necessários para futuras operações de retorno de carga de rotina, garantindo a segurança pública através de áreas de recuperação no oceano.

A cápsula Starfall tem uma forma cilíndrica com aproximadamente 0,75 m de altura e 3,1 m de diâmetro. A massa da cápsula vazia é de aproximadamente 2.100 kg e pode acomodar até 1.000 kg de carga útil, resultando numa massa máxima de reentrada de aproximadamente 3.100 kg. A reentrada atmosférica segue uma trajectória pré-planeada que culmina numa amaragem com o auxílio de um paraquedas no Oceano Pacífico, após a qual são normalmente realizadas as operações de recuperação.

Também designados “Capella-21” e “Capella-22”, os satélite Acadia-11 e Acadia-12 fazem parte de uma constelação de 30 satélites equipados com sistema de radar SAR (Synthetic Aperture Radar) desenvolvidos pela empresa californiana Capella Space.

Com uma massa de cerca de 165 kg, os satélites Acadia melhorados tiveram a sua largura de banda aumentada de 500 MHz para 700 MHz, e uma potência aumentada em 40% em relação à segunda geração de satélites Capella. Para os satélites Acadia, a Capella Space aumentou a antena de downlink da carga a bordo para assim reduzir o tempo entre o contacto do solo e a obtenção das imagens. Os satélites Acadia estão também equipados com terminais de comunicações ópticos Mynaric, que dão compatíveis com o ‘standard’ de interoperabilidade estabelecidos pela Agência de Desenvolvimento Espacial do Pentágono – uma manobra projectada para reduzir o tempo entre a obtenção das imagens e a sua transmissão.

Desenvolvido e operado pela empresa aeroespacial espanhola FOSSA Systems, o satélite FossaSat-2E27 é um nanossatélite de baixa potência projetado para telecomunicações e Internet das Coisas (IoT). O satélite faz parte da evolução da constelação da FOSSA Systems, construído num formato altamente miniaturizado (CubeSat/PocketQube evolucionário) projectado para órbita terrestre baixa. O satélite FossaSat-2E27 será integração na rede global da empresa que permite a monitorização de activos em sectores remotos como a agricultura, logística, infraestruturas energéticas, e indústrias de gás e petróleo.

A sua principal função será a conectividade de dados máquina a máquina (M2M) e IoT industrial global a ultra-baixo consumo. Utiliza comunicações baseadas no protocolo de rádio LoRa (Long Range) e tecnologias de espectro expandido para captar transmissões diretamente de dispositivos no solo sem necessidade de grandes antenas.

Com uma massa de 150 kg, o FRG-100D4 foi desenvolvido pela Fergani Space (uma subsidiária focada no setor espacial da empresa turca Baykar). O objectivo principal da missão deste microssatélite é a validação de novas tecnologias espaciais e sistemas de comunicação em órbita.

O satélite GNOMES-11 (GNSS Navigation and Occultation Measurement Satellites 11) faz parte de uma constelação de pequenos satélites da PlanetiQ. Esta constelação oferece dados da variação das ondas de rádio de sistemas de GPS para previsões meteorológicas, investigação climatérica e monitorização de meteorologia espacial.

A Blue Canyon Technologies foi contratada para construir 12 satélites. Cada um tem a própria tecnologia de medição da variação das ondas de radio GPS e propulsão própria.

Os satélites são baseados na configuração X-SAT Microsat/ESPAsat e têm uma massa de cerca de 30 kg.

Os satélites Hawk-15 (Hawk-15A, Hawk-15B e Hawk-15C) fazem parte da rede de satélites da HawkEye 360 que é uma rede em desenvolvimento de inteligência global civil que usa tecnologia de radiofrequência (RF) para monitorizar o transporte aéreo, terrestre e marítimo e auxiliar em emergências, sendo essencialmente uma missão civil SIGINT (Signal Intelligence).

A constelação de pequenos satélites colocada na órbita terrestre baixa recolherá informações sobre sinais de rádio específicos em todo o mundo para fornecer um mapeamento e análise de alta frequência de rádio. A constelação permite aplicações comerciais, como permitir que clientes governamentais e corporativos monitorizem dinamicamente as redes de transporte por via aérea, terrestre e marítima.

Para reguladores governamentais, empresas de telecomunicações e emissoras de satélite, o sistema HawkEye 360 foi projectado para monitorizar o uso do espectro de RF para identificar áreas de interferência. O sistema também poderá ser usado para desempenhar um papel crucial na detecção e localização de sinalizadores de emergência activos, melhorando os tempos de resposta que são críticos em cenários de risco de vida. Os satélites Hawk foram desenvolvidos pela Deep Space Industries, com o modelo de satélite a ser desenvolvido pela SFL e a carga a ser desenvolvida pela GOMSpace.

Os satélites ICEYE-X fazem parte de uma constelação de microssatélites equipados com radar SAR (Synthetic Aperture Radar), desenvolvidos pela empresa finlandesa de startups Iceye. Os satélites foram projetados para fornecer imagens de SAR em tempo quase real. A empresa Iceye está a trabalhar para lançar e operar uma constelação de micro satélites que possuem a sua própria tecnologia de sensor de SAR compacta e eficiente. O instrumento de radar de imagem ICEYE pode fazer imagens através das nuvens, mau tempo e escuridão.

Os satélites são versões operacionais baseadas no satélite ICEYE-X2 colocado em órbita a 3 de Dezembro de 2028. Vários satélites ICEYE-X são operados por outros países.

Nesta missão foram colocados em órbita os satélites ICEYE-X84, ICEYE-X88, ICEYE-X109 e ICEYE-X110.

A plataforma LEO Express 4, também designada “Mira-4”, foi desenvolvida pela Impulse Space, sendo de forma geral um dispensador de satélites de voo livre. O Mira utiliza um sistema de propulsão química para alterar a sua órbita e assim ser capaz de separa satélites em órbitas distintas.

Durante esta missão, o LEO Express 4 testará novas manobras e condições operacionais, ao mesmo tempo em que validará atualizações em propulsão, sistemas aviónicos e os rastreadores de estrelas desenvolvidos internamente.

O satélite Maxwell foi construído e será operado pela Rocket Lab. Esta missão de demonstração é parte do projecto CSP Communications Service Project da NASA que eventualmente deverá substituir a rede Tracking and Data Relay Satellite (TDRS), que inicou as suas operações em 1983.

Em 2022, a Viasat recebeu 53,3 milhões de dólares, um dos vários contratos deste tipo atribuídos pela NASA no âmbito do projeto nesse ano, totalizando 278,5 milhões de dólares. Outras empresas com contratos CSP são a Kuiper da Amazon, a SES Satellite, a SpaceX e a Telesat.

A Pelican é uma constelação comercial de satélites de observação da Terra desenvolvida pela Planet Labs (EUA) como sucessora do sistema SkySat.

A missão dos satélites Pelican é fornecer imagens ópticas de altíssima resolução da superfície terrestre com taxas de revisitação significativamente melhores em comparação com as constelações comerciais anteriores. O sistema destina-se a aplicações como a agricultura, silvicultura, planeamento urbano e gestão de emergências, onde a obtenção de imagens frequentes e detalhadas é crucial. Com uma resolução temporal melhorada, os satélites Pelican são concebidos para permitir a monitorização quase em tempo real de eventos dinâmicos e infraestruturas.

Os satélites são fabricados pela Planet Labs e baseiam-se na plataforma SmallSat normalizada da empresa. Cada satélite transporta uma única carga útil, o Pelican Imager, um instrumento óptico optimizado para imagens terrestres de alta resolução. O sistema de obtenção de imagens é um radiómetro de varrimento que opera em cinco bandas espectrais no intervalo do visível ao infravermelho próximo, permitindo tanto um elevado detalhe espacial como capacidades de análise multiespectral.

Cada satélite Pelican tem dimensões aproximadas de 0,56 m × 0,56 m × 0,40 m e uma massa de cerca de 120 kg, com uma capacidade de carga útil de 75 kg. O satélite está equipada com dois painéis solares que fornecem aproximadamente 600 W de geração de energia e uma capacidade de armazenamento de bateria de 650 Wh. O sistema foi concebido para atingir uma distância de amostragem do solo até 0,3 m. Todos os satélites operam em órbitas heliosíncronas a uma altitude de aproximadamente 475 km.

A constelação Pelican está planeada para substituir e expandir a frota existente de 19 satélites SkySat em órbita, com lançamentos previstos em múltiplas etapas, à medida que o sistema atinge a sua plena capacidade operacional.

A massa de cada satélite é de 160 kg e estão equipados com um sistema der propulsão de efeito Hall para manutenção dos seus parâmetros orbitais.

Na missão Bandwagon-5 foi lançado o satélite Pelican-12.

Os satélites PTS-1 e PTS-2 (Pulsar Test Satellites) são dois satélites de teste desenvolvidos pela startup norte-americana Xona Space Systems. O principal objectivo destes equipamentos é validar um sistema comercial alternativo ao GPS tradicional, focado em alta precisão e segurança contra interferências.

Estes dois protótipos integram um lançamento conjunto de seis satélites da rede Pulsar (Pulsar-01 a Pulsar-04). Enquanto os outros quatro satélites foram construídos recorrendo a uma plataforma externa da Aerospacelab, o PTS-1 e o PTS-2 foram totalmente projetados e fabricados internamente pela Xona.

Os satélites actuam na área de PNT (Positioning, Navigation, and Timing), sendo optimizados para emitir sinais com maior potência e clareza do que o GPS civil comum, melhorando a precisão. Os dois satélites servem de base tecnológica para testar os métodos de produção rápida da empresa, que planeia fabricar múltiplas unidades por semana para expandir a constelação global a curto prazo, sendo projectados para resistir melhor a ataques de bloqueio de sinal (jamming) e falsificação de coordenadas (spoofing).

A Pulsar é uma constelação de satélites de navegação em órbita terrestre baixa desenvolvida pela norte-anericana Xona Space Systems, para o forneceimento de serviços de posicionamento, navegação e sincronização (PNT) precisos e resilientes. A constelação planeada é composta por 258 satélites que operam a uma altitude de aproximadamente 1.080 km. Ao contrário do protótipo Pulsar-0 da Xona, os satélites de produção são concebidos para formar um serviço de navegação comercial de operação contínua.

O sistema foi concebido para complementar e fornecer uma alternativa aos sistemas GNSS convencionais, como o GPS e o Galileo. As suas aplicações incluem veículos autónomos, agricultura de precisão, sincronização de telecomunicações, logística, maquinaria industrial e defesa. A constelação visa melhorar a disponibilidade em ambientes afectados pelo bloqueio de sinal, multipercurso, interferência ou falsificação.

Os primeiros satélites de produção são fornecidos pela Aerospacelab, Bélgica, que foi contratada para fornecer oito plataformas de satélite e serviços de integração. A Xona desenvolveu a sua própria plataforma de satélite e capacidade de produção numa instalação em Burlingame, na Califórnia, para a subsequente implantação em larga escala dos satélites Pulsar.

Os satélites transportam as cargas úteis de navegação definidas por software da Xona. O Pulsar transmite sinais proprietários autenticados na banda L, próximos das bandas L1 e L5 do GPS, concebidos para serem compatíveis com os recetores GNSS existentes, potencialmente através de uma atualização de software. Os sinais são concebidos para serem substancialmente mais fortes do que os dos satélites GNSS tradicionais, enquanto a autenticação criptográfica visa proteger o serviço de navegação contra a falsificação. A órbita LEO também proporciona mudanças rápidas na geometria do satélite e alta observabilidade Doppler, características que podem suportar um posicionamento preciso e uma aquisição rápida de sinais.

A arquitectura de produção incorpora sistemas críticos redundantes e um design de carga útil modular. Ao contrário dos satélites GNSS convencionais, o Pulsar foi concebido sem a necessidade de relógios atómicos dedicados e dispendiosos, utilizando, em vez disso, a sua arquitetura de navegação e infraestruturas terrestres para fornecer serviços de temporização e posicionamento.

Os serviços comerciais iniciais estão previstos para 2027, com os restantes satélites a serem implantados nos anos seguintes. Na missão Bandwagon-5 foram colocados em órbita os satélites Pulsar-01 a Pulsar-04.

Os satélites SIRIUS-A e SIRIUS-B são dois microssatélites operados através da Tron Future Tech. Os dois satélites t~e como missão a demonstração de tecnologia e à observação, focados em comunicações e validação de tecnologia RF (rádio frequência).

O Starburst-1 é o primeiro satélite e missão de demonstração de voo livre da Portal Space Systems, desenvolvido para operações de elevada manobrabilidade.

O satélite irá demonstrar operações de encontro e proximidade, mudança rápida de órbita e reatribuição rápida de tarefas para fins comerciais e de segurança nacional. A bordo transporta sistemas da TRL11 para monitorização do estado da nave e processamento edge. A sua atitude em órbita será controlada utilizando magnetos supercondutores (o Supertorquer Z01) fornecidos pela Zenno Astronautics, estando equipado com sistema de protecção de detritos, nomeadamente sistemas de mosaicos da Atomic-6 integrados como blindagem.

O Starburst foi concebido para trazer manobrabilidade a arquitecturas espaciais proliferadas, oferecendo aos operadores uma plataforma manobrável que pode ser levada para uma órbita de interesse e manobrar rapidamente dentro das órbitas LEO, MEO ou GEO. Está a ser desenvolvido em sincronia com o veículo transorbital da Portal, o Supernova, concebido para transições entre domínios, da LEO para a órbita cis-lunar, e com um perfil de manobrabilidade da classe dos 6 km/s. As duas plataformas partilham muitos subsistemas principais e processos de fabrico, incluindo os propulsores RCS de alto desempenho do Supernova, que servirão como a principal propulsão translacional do veículo Starburst. As arquiteturas partilhadas significam que a missão de 2026 demonstrará o produto Starburst enquanto valida simultaneamente sistemas-chave para o Supernova.

O Starburst-1, cuja missão é designada “Motus Via Sol”, irá testar subsistemas que serão usados no futuro veículo trans-orbital Supernova (com lançamento previsto para 2027). Operando numa órbita heliosíncrona para uma missão primária de um ano, o Starburst-1 tem uma manobrabilidade desejada é de 1 km/s de delta-v total e transportará duas cargas úteis a bordo. O módulo TRL11 fornecerá vídeo em movimento completo com processamento de bordo a bordo para permitir a garantia da missão através da monitorização da integridade em tempo real, enquanto captura imagens para documentar os resultados da missão. O módulo Zenno demonstrará a tecnologia de magnetos supercondutores para um controlo sem combustível e interações precisas durante operações próximas, utilizando o atuador magnético mais potente alguma vez construído e enviado para o espaço.

Os satélites T.MicroSat-3 e T.MicroSat-4, ambos baseados no factor de forma CubeSat-8U, foram desenvolvidos pela Tron Future Tech de Taiwan.

Ambos os satélites são vistos como plataformas experimentais em órbita para uma futura constelação de comunicação de banda larga. O principal objetivo é validar a tecnologia de carga útil de comunicação de banda larga em banda Ka em órbita, enquanto o módulo de ligação intersatélite (ISL) demonstra uma capacidade fundamental para a constelação, estabelecendo ligações entre satélites e trocando dados diretamente entre as naves espaciais. Para TT&C (Telemetria, Tracking e Comando), os satélites transportam transceptores separados em UHF e banda S, através dos quais os operadores podem enviar comandos e receber telemetria; um sinal periódico é transmitido através do transceptor UHF para auxiliar na identificação precoce e na receção pela comunidade através de redes como a SatNOGS. A missão faz parte do programa de CubeSats da Agência Espacial de Taiwan (TASA) para fomentar a integração de CubeSats no país e a verificação em órbita de cargas úteis desenvolvidas localmente.

A “Tomorrow.io Microwave Sounder” é uma missão de deteção remota composta por 18 satélites de factor de forma CubeSat-6U que serão utilizados para fornecer dados meteorológicos de baixa latência em todo o mundo para previsão numérica do tempo e previsões meteorológicas de longo alcance. Na missão Bandwagon-5 foram lançados os satélites Tomorrow-S14 e Tomorrow-S15.

O sistema consiste numa sonda passiva de micro-ondas que tira partido das tecnologias do MIT Lincoln Laboratories (MIT LL), construída pela Tomorrow.io, integrada num satélite Cubesat-6U padronizado da Blue Canyon Technologies (BCT).

O Umbra Lab, Califórnia, está a desenvolver uma constelação de satélites de Radares de Abertura Sintética SAR (Synthetic Aperture Radar) que serão utilizados para a observação da superfície terrestre. O primeiro satélite, Umbra-SAR 2001 – colocado em órbita a 30 de Junho de 2021 na missão Transporter-2 por um foguetão Falcon-9, foi um satélite de 65 kg equipado com radar de abertura sintética na banda X para captar imagens instantâneas com resolução de 25 centímetros numa área de 16 km2. A sua missão foi a de testar tecnologias e desenhos, validar o desempenho e progredir a arquitectura para totalmente operacional.

Para recolher imagens de radar, a Umbra Lab desenvolveu uma antena de alto ganho em rede que permite ser operada com energia relativamente baixa para obter imagens de radar de abertura sintética de alta qualidade.

A constelação de satélites Umbra será eventualmente composta por 24 veículos a operar em órbitas com uma inclinação de 97,5.º e altitude média de 530 km.

Nesta missão foram lançados os satélites Umbra-SAR 13 e Umbra-SAR 14.

A “W-Series” (também chamada “Winnebago”) é uma série de naves espaciais concebidas pela Varda Space Industries, que passarão até três meses em órbita para testar tecnologias de fabrico espacial. No final desta missão, uma cápsula de reentrada fará regressar à Terra o material produzido em órbita.

A Varda contratou a Rocket Lab para fornecer naves espaciais Pioneer (anteriormente Photon) como base para os veículos da empresa de fabrico espacial Varda Space Industries, que se integrarão nas fábricas espaciais da Varda, permitindo que produtos de alto valor sejam fabricados no espaço e devolvidos à Terra.

Seguindo uma abordagem iterativa baseada nas lições de missões anteriores, os satélites têm uma massa de cerca de 300 kg.

Na missão Bandwagon-5 foi lançado o satélite W-Series 7 (Winnebago-7).

Lançamento

A cerca de dez horas do lançamento procedeu-se à activação eléctrica do foguetão Falcon-9. Tanto o lançador como a sua carga são submetidos a uma série de verificações testes antes do início do abastecimento do querosene RP-1. O Director de Voo consulta os controladores a T-38m, determinando assim se tudo está pronto para o início do abastecimento do lançador. O processo de abastecimento de RP-1 inicia-se a T-35m no primeiro estágio, seguindo-se o início do abastecimento do oxigénio líquido (LOX) na mesma altura. O abastecimento de LOX ao segundo estágio inicia-se a T-16m.

A fase terminal da contagem decrescente inicia-se com os motores a serem condicionados termicamente para o lançamento a T-7m. A T-1m é enviado um comando para o computador de voo para iniciar as verificações pré-lançamento e o sistema de supressão sónica é activado na plataforma de lançamento inundada por milhões de litros de água. Por esta altura os tanques de propelente também são pressurizados. A T-45s o Director de Lançamento da SpaceX verifica se todos os parâmetros estão prontos para a missão, sendo também verificado que o espaço aéreo está pronto para o lançamento. A sequência de ignição é iniciada a T-3s. A T=0s o foguetão abandona a plataforma.

Abandonando a plataforma de lançamento, o Falcon-9 inicia uma série de manobras para se colocar na trajectória de voo correcta. A fase MaxQ, de máxima pressão dinâmica, é atingida a T+1m 7s, sendo nesta altura que o lançador atinge o ponto mais elevado de ‘stress’ mecânico na sua estrutura.

 

O foguetão Falcon-9

Baptizado em nome da nave Millenium Falcon da saga cinematográfica “Guerra das Estrelas”, o foguetão Falcon-9 v1.1 foi um lançador a dois estágios projectado e fabricado para o transporte seguro e fiável de satélites e do veículo Dragon para a órbita terrestre. Sendo o primeiro foguetão completamente desenvolvido no Século XXI, este lançador foi projectado desde o início para ter a máxima fiabilidade. A sua simples configuração de dois estágios minimiza o número de eventos de separação (staging) e com nove motores no primeiro estágio, pode completar a sua missão em segurança mesmo na possibilidade de perda de um motor.

O Falcon-9 fez história em 2012 quando colocou a cápsula Dragon na órbita correcta para uma manobra de encontro com a estação espacial internacional. Desde então, foram realizadas múltiplas missões para a ISS transportando e recolhendo carga para a NASA. O Falcon-9, bem como a cápsula Dragon, foram desenhados na base do desenvolvimento de um sistema de transporte de astronautas para o espaço.

O foguetão Falcon-9 Upgrade, ou Falcon-9 FT, (a seguir designado simplesmente como “Falcon-9”) representa a mais recente evolução deste lançador. De forma geral, o Falcon-9 tem 68,4 metros de comprimento, 3,7 metros de diâmetro e uma massa de 541.300 kg. O veículo é capaz de colocar uma carga de 13.150 kg numa órbita terrestre baixa ou 4.850 kg numa órbita de transferência geossíncrona.

O primeiro estágio do Falcon-9 está equipado com nove motores Merlin (Merlin-1D) e tanque de liga de alumínio e lítio que contêm oxigénio líquido e querosene RP-1. Após a ignição, um sistema de segurança fixa o veículo na plataforma de lançamento e garante que todos os motores são verificados como estando na força máxima antes de libertar o foguetão para o seu voo. Então, com uma força superior a cinco aviões Boeing 747 em potência máxima, os motores Merlin lançam o foguetão para o espaço. Ao contrário dos aviões, a força de um foguetão vai aumentando com a altitude – o Falcon-9 gera 6.806 kN ao nível do mar, mas atinge 7.426 kN no vácuo espacial. Os motores do primeiro estágio vão sendo aumentados em potência perto do final da queima do estágio para assim limitar a aceleração do veículo à medida que a massa do lançador diminui com a queima do combustível. O tempo total de queima do primeiro estágio é de 162 segundos.

Com os seus nove motores agrupados juntos na configuração ‘octaweb’, o Falcon-9 pode aguentar a falha de até dois motores durante o lançamento e mesmo assim conseguir atingir a órbita terrestre com sucesso. O Falcon-9 é o único lançador na sua classe com esta característica chave.

O motor Merlin vai encontrar as suas raízes aos motores das missões Apollo, nomeadamente o sistema de injecção baseado no motor do módulo lunar. O propelente é alimentado por uma única conduta, com uma turbo bomba de dupla pá que opera num ciclo de gerador a gás. A turbo bomba também fornece o querosene a alta pressão para os actuadores hidráulicos, que depois recicla para a entrada a baixa pressão. Isto elimina a necessidade de um sistema hidráulico separado e significa que não é possível ocorrer uma falha no controlo de vector de força por falta de fluido hidráulico. Uma terceira utilização da turbo bomba é o fornecimento de controlo de rotação ao actuar no escape da turbina de exaustão (no segundo estágio). Combinando-se estas características num só dispositivo aumenta-se assim de forma significativa o nível de fiabilidade do sistema.

O motor é capaz de desenvolver uma força de 654 kN ao nível do mar, 716 kN no vácuo, com um impulso específico de 282 segundos (nível do mar) e 311 segundos (vácuo).

A secção interestágio é uma estrutura compósita que liga o primeiro e o segundo estágio e alberga os sistemas de libertação e separação. O Falcon-9 utiliza um sistema de separação totalmente pneumático para uma separação de baixo impacto e altamente fiável que pode ser testado no solo, ao contrário dos sistemas pirotécnicos utilizados na maior parte dos lançadores.

O segundo estágio é propulsionado por um único motor Merlin de vácuo e coloca a carga a transportar na órbita desejada. O motor do segundo estágio entra em ignição poucos segundos após a separação entre o segundo e o primeiro estágio, e pode ser reiniciado várias vezes para colocar múltiplas cargas em diferentes órbitas. Para máxima fiabilidade, o segundo estágio está equipado com sistemas de ignição redundantes. Tal como o primeiro estágio, o segundo estágio é feito a partir de uma liga de alumínio e lítio.

O motor Merlin de vácuo (Merlin-1D de vácuo) desenvolve uma força de 934 kN e o seu tempo de queima é de 397 segundos.

A tabela seguinte mostra as missões realizadas pelo primeiro estágio B1096 (todos os lançamentos são realizados a partir do Complexo de Lançamento SLC-40 do Cabo Canaveral SFS).

A carenagem compósita é utilizada para proteger a carga durante a passagem do Falcon-9 pelas camadas mais densas da atmosfera. Quando a missão do Falcon-9 é o lançamento do veículo de carga Dragon, a carenagem não é utilizada, pois a cápsula possui o seu próprio sistema de protecção.

A carenagem tem 13,1 metros de comprimento e 5,2 metros de diâmetro. Fabricada em fibra de carbono, separa-se em duas metades utilizando um sistema de separação de actuadores pneumáticos semelhantes aos que são utilizados para a separação entre o primeiro e o segundo estágio.

A sequência de lançamento para o Falcon-9 é um processo de precisão ditada pela janela de lançamento tendo em conta a posição orbital a ser ocupada pela carga a bordo. Se a janela de lançamento é perdida, a missão é então adiada para a próxima janela de lançamento disponível.

Cerca de quatro horas antes do lançamento, inicia-se o processo de abastecimento – primeiro oxigénio líquido seguindo-se o querosene altamente refinado (RP-1). O vapor observado a sair do lançador durante a contagem decrescente é na realidade oxigénio a ser liberto dos tanques, sendo esta a razão pela qual o abastecimento de oxigénio líquido se mantém até quase ao final da contagem decrescente.

LançamentoVeículo1.º estágioLocal LançamentoData Hora (UTC)CargaRecuperação
2026-214689B1097.13VSFB, SLC-4E17/Set/26 01:07:56USSF-259OCISLY
2026-219690B1093.17VSFB, SLC-4E20/Set/26 01:47:00Starlink G15-27OCISLY
2026-224691B1100.10VSFB, SLC-4E26/Set/26 14:00:54USSF-385OCISLY
 2026-226692B1101.3CCSFS, SLC-4001/Out/26 15:10:06Crew-13LZ-40
 2026-227693B1082.25VSFB, SLC-4E01/Out/26 18:32:00,103Transporter-18LZ-4
2026-231694B1103.6VSFB, SLC-4E10/Out/26 07:39:44SDA T1TL-ALZ-4
2026-232695B1088.20VSFB, SLC-4E13/Out/26 00:28:11Starlink G15-25OCISLY
2026-233696B1096.8CCSFS, SLC-4013/Out/26 10:33:44Dragon SpX-35LZ-40
2026-235697B1081.28VSFB, SLC-4E16/Out/26 00:01:05USSF-481OCISLY
2026-237698B1085.19CCSFS, SLC-4020/Out/26 11:04Bandwagon-5ASOG

 

Imagens: SpaceX, Boletim Em Órbita

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