Publicado em 3 de maio de 2026 por Rui C. Barbosa

CAS500-2 colocado em órbita em missão partilhada com mais 44 satélites

O satélite sul-coreano CAS500-2 foi a carga principal de uma missão partilhada lançada pela empresa norte-americana Space Exploration Technologies Corp. (SpaceX), a partir da Costa Leste dos Estados Unidos.

O lançamento ocorreu às 0700UTC do dia 3 de Maio de 2026 e foi realizado pelo foguetão Falcon 9-636 (B1071.33) a partir do Complexo de Lançamento SLC-4E (Space Launch Complex 4E) da Base das Forças Espaciais de Vandenberg, Califórnia. O primeiro estágio do foguetão lançador B1071, na sua 33.ª missão, foi recuperado com sucesso na Zona de Aterragem LZ-4 (Landing Zone 4), em Vandenberg.

Todas as fases do lançamento foram bem sucedidas e os satélites colocados nas órbitas predeterminadas.

A bordo desta missão seguiam os seguintes satélites: CAS500-2, Balkan-2, BRO-21, BSLT-3, BusanSat, Drishti, Eycore-1, FOREST-16 Sowitasgoht, FOREST-17 Telperion, FOREST-18 MangoShrikhand, FOREST-19 Patadastra, FrontierSat, Gemini-Pollux, Helios, Hydra-3, ICEYE-X78 e ICEYE-X82, IRIDE-MS2-HEO-7 a IRIDE-MS2-HEO-15, Jackal AOV, JEN-1, Loft-EarthDaily-1 a Loft-EarthDaily-6, Lynk Tower 7 e Lynk Tower 8, NuLink-1 e NuLink-2, PEARL-1A e PEARL-1B, Pelican-7 a Pelican-9, QUBE-II, Raven, Selene e SNAPPY.

CAS500-2

O satélite CAS500-2 é o segundo de dois satélites, juntamente com o CAS500-1 (Compact Advanced Satellite 500) colocado em órbita a 22 de Março de 2021, para a observação da Terra em modos pancromático e multiespectral utilizando o sistema AEISS-C (Advanced Earth Imaging Sensor System). Ambos os satélites são capazes de obter imagens com resoluções de 0,5 metros (pancromático) e 2 metros (multiespectral). O satélite é também designado “KOMPSAT-NEXT 2”.

O propósito dos dois satélites é o de atender à demanda de imagens de satélite por parte do sector público, expandindo assim as fundações da indústria de satélites doméstica Sul-coreana. A série inicial de satélites CAS500 tem como objectivo aplicar a plataforma desenvolvida para o CAS500-1 à série de satélites subsequente e transportar várias cargas localizadas.

Na Fase 1 do programa, o plano inclui o desenvolvimento da plataforma standard de 500 kg para a série CAS500. A agência espacial sul-coreana KARI e a indústria desenvolveram em conjunto estes satélites e a tecnologia será transferida para as restantes empresas industriais do sector. Assim, a indústria será responsável pelo desenvolvimento geral, com a KARI a levar a cabo as auditorias técnicas e a ser responsável pelo suporte técnico.

Na Fase 2, a indústria planeia o desenvolvimento de três satélites para a verificação de tecnologia e ciências espaciais, observação da agricultura e condições florestais, e controlo dos recursos aquáticos e monitorização de desastres. A KARI irá levar a cabo a gestão técnica e supervisão do programa.

Tal como o CAS500-1, o CAS500-2 terá um tempo de vida útil de 4 anos em órbita.

O lançamento do CAS500-2 estava inicialmente previsto para ocorrer a 2022, mas devido às sanções impostas à Rússia devido à invasão da Ucrânia, o seu lançamento foi cancelado.

Balkan-2

Baseado no factor de forma CubeSat-6U, o satélite Balkan-2 foi desenvolvido pela búlgara EnduroSat, sendo parte da extensão dos Balcãs da constelação europeia de observação da Terra Copernicus. O satélite é um dos primeiros satélites EnduroSat a utilizar a tecnologia de propulsão elétrica por emissão de campo da Enpulsion.

BRO-21

Os satélites BRO (Breizh Reconnaissance Orbiter) foram desenvolvidos pela UnseenLabs (carga) e pela GOMSpace (modelo) e são baseados no modelo CubeSat-6U. Os satélites têm uma massa de 6 kg.

Os satélites serão utilizados para a monitorização espectral e serviços de inteligência electromagnética para vigilância marítima e tráfego aéreo.

Esta constelação de satélites exclusiva permite a detecção e geolocalização de qualquer embarcação no mar, especialmente os “navios fantasmas” que desativam intencionalmente o seu AIS (Automatic Idenfication System – Sistema de Identificação Automática) para permanecerem invisíveis à vigilância tradicional.

Embora o BRO-21 represente o culminar da actual frota de satélites de primeira geração (Gen 1), serve também de trampolim para uma grande transformação tecnológica. Dentro de poucos meses, a Unseenlabs atingirá um novo patamar com o lançamento dos satélites de segunda geração (Gen 2).

O primeiro satélite da série, BRO-1, foi colocado em órbita a 19 de Agosto de 2019 por um foguetão Electron, seguindo-se os satélites BRO-2 e BRO-3 lançados a 20 de Novembro de 2020, também por um foguetão Electron, o BRO-4, a 17 de Agosto de 2021, lançado por um foguetão Vega, e o BRO-5 lançado a 13 de Janeiro de 2022 por um foguetão Falcon-9 na missão Transporter-3.

BSLT-3

O satélite BSLT-3, da Basalt Technologies Corp., é um satélite de observação da Terra e de monitorização de rádiofrequências que será operado na frota de satélites da Unseenlabs.

BusanSat

Com uma massa de 12,4 kg, o BusanSat é baseado no factor de forma CubeSat-12U, sendo desenvolvido e operado pela empresa sul-coreana Nara Space.

O Busansat tem como missão a medição das poeiras finas na atmosfera sobre o Mar Amarelo utilizando uma câmara polarimétrica. As observações são realizadas em 410 nm, 550 nm e 864 nm, num campo de visão de 98 x 98 km e uma resolução espacial de 388 metros.

Drishti

O satélite Drishti, com uma massa de cerca de 190 kg, constitui a primeira missão de satélite da empresa indiana GalaxEye e a estreia dos satélites OptoSAR em órbita. É a primeira missão a combinar MSI e SAR numa única plataforma, fornecendo imagens da Terra intuitivas, fiáveis ​​e para todas as condições meteorológicas, já prontas para análise.

A principal inovação do Drishti é a sua carga útil OptoSAR, que integra um sensor SAR de alta resolução e um sistema de observação multiespectral de 7 bandas num único satélite. Este é o primeiro satélite multissensor comercial do mundo a combinar SAR e MSI.

Ao captar ambos os fluxos de dados numa única passagem, elimina-se a necessidade de fusão de dados de fontes separadas, fornecendo um produto inerentemente alinhado e pronto para análise, com três vezes mais informação do que um sensor independente.

Eycore-1

Um satélite piloto de radar de abertura sintética (SAR) em banda X, desenvolvido pela Eycore, com sede na Polónia. O satélite terá aplicações militares e de defesa, monitorização climática, monitorização de desastres naturais e negociação de matérias primas.

É o primeiro satélite polaco a utilizar a tecnologia SAR desenvolvida internamente. O satélite é baseada na plataforma de satélite MP42 desenvolvida pela empresa lituana NanoAvionics. A empresa-mãe da Eycore, a Advanced Protection Systems (APS), é um fabricante de sistemas militares antidrone.

A missão validará uma solução SAR de nível militar totalmente europeia, que proporciona aos governos um acesso rápido e soberano a imagens submétricas, diurnas e nocturnas, em quaisquer condições meteorológicas. O objectivo é estabelecer as bases para futuros satélites SAR de última geração para aplicações de defesa da NATO e dos países aliados. Com esta missão, a Eycore tornou-se a segunda empresa europeia totalmente privada a colocar um satélite SAR em órbita.

FOREST-16 a FOREST-19

Fazendo parte do denominado “Hellenic Fire System“, foram colocados em órbita os satélites FOREST-16 Sowitasgoht, FOREST-17 Telperion, FOREST-18 MangoShrikhand e FOREST-19 Patadastra.

O Sistema Helénico de Incêndios, desenvolvido pela OroraTech, é a segunda missão operacional de observação da Terra desenvolvida no âmbito do Programa Nacional Grego de Pequenos Satélites. O programa será composto, em última instância, por 13 satélites organizados em quatro grupos com base nos seus instrumentos e objectivos de missão.

Financiado pela Grécia através do Mecanismo de Recuperação e Resiliência da UE, o programa visa expandir as tecnologias e serviços nacionais de satélite, apoiar a inovação e o crescimento económico e reforçar as capacidades em resposta a catástrofes, monitorização ambiental e segurança nacional.

Cada satélite é baseado numa plataforma CubeSat-8U e equipado com um painel solar extensível de 42 × 22 cm. Os satélites transportam dois sistemas de observação de infravermelhos que operam nas bandas espectrais de infravermelhos de ondas médias e longas, permitindo-lhes captar imagens sobre a Grécia e outras áreas de interesse para detectar incêndios activos, identificar anomalias térmicas e avaliar a intensidade radiativa do fogo.

Juntos, os satélites apoiarão a detecção precoce de focos de incêndio emergentes e a monitorização contínua do comportamento do fogo através da medição precisa das emissões térmicas.

FrontierSat

O FrontierSat – também denominado “CalgaryToSpace-1” ou “CTS-SAT 1” – é uma missão espacial de demonstração de ciência e tecnologia atmosférica sob a forma de um pequeno satélite do tipo CubeSat-3U. O satélite foi desenvolvida pela “CalgaryToSpace”, uma equipa de estudantes da Universidade de Calgary e o seu desenvolvimento foi apoiado pela Universidade de Calgary, pela Agência Espacial Canadiana, e pelo programa Fly Your Satellite! da Agência Espacial Europeia.

A bordo são transportadas duas cargas úteis: o Mini Plasma Imager (MPI), baseado nos instrumentos Thermal Ion Imager (TII) da missão Swarm da ESA, e que foi concebido para estudar o fenómeno STEVE, semelhante à aurora; e o Deployable Composite Lattice Boom (DCLB), monitorizado por câmara, testará a tecnologia de implantação da haste.

Gemini-Pollux

O satélite Gemini-Pollx é baseado no factor de forma CubeSat-3U e a sua missão centra-se na autoaprendizagem técnica e na educação aeroespacial. Fornece um transponder de dados V/U para intercomunicação global de radioamadores e serve como uma plataforma prática para os estudantes universitários praticarem o seguimento de antenas e a descodificação digital.

O satélite foi desenvolvido pelo Centro de Ciência e Tecnologia Espacial Han-Ming Hsia, na Universidade Nacional Cheng Kung, em Tainan – Taiwan. 

Selene e Helios

Os satélites Selene e Helios são dois CubeSats gregos geridos pela EMTech Space, equipados com terminais laser CubeCAT para testes de conectividade óptica via satélite.

Os dois satélites são baseados no factor de forma CubeSat-8U (da EnduroSat) e fazem parte da denominada “Hellenic Space Dawn” (HSD). A missão visa demonstrar tecnologias de comunicação e processamento de dados a bordo para aplicações de observação da Terra.

Hydra-3

O Hydra-3 é um CubeSat-6U fazendo parte de uma constelação desenvolvida pela Aistech Space para fornecer imagens térmicas da Terra e auxiliar no seguimento marítimo e aeronáutico.

Para a formação de imagens, os satélites Hydra estão equipados com um sistema multiespectral capaz de captar imagens nos espectros térmico, infravermelho e visível, para utilização na gestão florestal, deteção de incêndios, recolha de dados para a agricultura, como a identificação da saúde das plantas e a análise de terrenos para expansão. Também pode detectar o consumo de energia e danos em edifícios.

Os satélites fornecem o seguimento de aeronaves através de um receptor ADS-B. Além disso, um sistema de comunicação bidirecional está a bordo para enviar e receber informações automaticamente da embarcação ou de ativos remotos em qualquer parte do mundo.

A Aistech planeia uma constelação de 30 nanossatélites deste tipo a orbitar o planeta.

ICEYE-X78 e ICEYE-X82

Os dois satélites ICEYE-X fazem parte de uma constelação de microssatélites equipados com radar SAR (Synthetic Aperture Radar), desenvolvidos pela empresa finlandesa de startups Iceye. Os satélites foram projetados para fornecer imagens de SAR em tempo quase real. A empresa Iceye está a trabalhar para lançar e operar uma constelação de micro satélites que possuem a sua própria tecnologia de sensor de SAR compacta e eficiente. O instrumento de radar de imagem ICEYE pode fazer imagens através das nuvens, mau tempo e escuridão.

Os satélites são versões operacionais baseadas no satélite ICEYE-X2 colocado em órbita a 3 de Dezembro de 2028. Vários satélites ICEYE-X são operados por outros países.

Nesta missão foram colocados em órbita os satélites ICEYE-X78 e ICEYE-X82.

IRIDE-MS2-HEO-7 a IRIDE-MS2-HEO-15

Os satélites IRIDE-MS2-HEO-7 a IRIDE-MS2-HEO-15 faz parte da constelação HEO (Hawk for Earth Observation) da Argotec, que por sua vez faz parte da constelação de observação da Terra IRIDE, operada pela Agência Espacial Italiana (ASI) com o apoio da ESA e da própria ASI. A constelação IRIDE é uma missão nacional iniciada pelo governo italiano, sendo uma ambiciosa iniciativa espacial financiada pelo Plano Nacional de Recuperação e Resiliência (PNRR) de Itália, que visa modernizar e revitalizar a economia italiana após a pandemia de COVID-19.

Os satélites IRIDE-MS2-HEO, com uma massa de aproximadamente 70 kg, estão equipados com um sistema de observação multiespectral e computadores para processamento de imagens em órbita. As aplicações das imagens incluem o uso do solo, a proteção costeira, a agricultura de precisão e a defesa.

A carga útil é composta por dois tipos de sensores multiespectrais: estes sensores capturam imagens com múltiplos canais espectrais no espectro eletromagnético, permitindo a identificação e medição de diferentes materiais, estudos de cobertura do solo, saúde da vegetação e tipos de cultivo.

A constelação HEO pode monitorizar as alterações climáticas e os seus efeitos em tempo quase real, incluindo a erosão do solo, a desflorestação e o degelo. Pode também fornecer alertas oportunos para prevenir danos causados ​​por desastres naturais, como avalanches, inundações e terramotos. Além disso, as soluções tecnológicas e a dimensão compacta da HEO oferecem um potencial significativo para o desenvolvimento comercial e prometem revolucionar setores como a agricultura de precisão, o petróleo e a energia, os seguros, a logística e muitos outros.

Jackal Autonomous Orbital Vehicle

O Jackal Autonomous Orbital Vehicle é um veículo orbital autónomo concebido pela True Anomaly para operações de encontro e proximidade, tanto reais como simuladas, fornecendo suporte orbital com cargas úteis flexíveis e manobras avançadas.

O veículo é construído sobre uma plataforma comum e concebido para todas as órbitas e tipos de missão. A sua agilidade, manobrabilidade e capacidade de carga útil permitem a máxima flexibilidade e uma implementação em larga escala com uma excelente relação custo-benefício.

JEN-1

O JEN-1 é uma carga útil de demonstração tecnológica.

EarthDaily-2 a EarthDaily-7

Os satélites EarthDaily são uma constelação de observação da Terra alojada em microssatélites YAM (Yet Another Mission) propriedade da Loft Orbital.

A carga útil dos EarthDaily apresenta sensores de imagem multiespectrais de alta precisão desenvolvidos pela ABB. Cada satélite transporta 12 sensores VNIR (Visible and Near-Infrared) – visível e infravermelho próximo), dois SWIR (Short-Wave Infrared) – infravermelho de ondas curtas, e dois LWIR (Long-Wave Infrared) – infravermelho térmico, fornecendo dados espectrais de 22 bandas com uma resolução até 5 metros para observação diária da Terra à escala global, com qualidade científica e que permite acções práticas.

Os satélites consistem numa plataforma padronizada e num hub de carga útil da Loft Orbital, que alberga as cargas úteis do cliente e fornece interfaces de energia, dados, mecânicas e térmicas para as cargas úteis, bem como processamento de dados a bordo.

Os satélites utilizam a plataforma Arrow-150 actualizada da Airbus Defence and Space (baseada na plataforma OneWeb Arrow), que pode suportar conceitos de múltiplas missões, tecnologias e demonstrações em órbita.

Lynk Tower 7 e Lynk Tower 8

Os satélites Lynk Tower 7 e Lynk Tower 8 são satélites de comunicações construídos pela Lynk Global Inc. (antiga UbiquiLink) tendo como objectivo o fornecimento de cobertura celular acessível a dispositivos celulares não modificados, possibilitando o envio de mensagens, dados, IoT (Internet das Coisas) e comunicações de emergência em qualquer parte do planeta. 

NuLink-1 e NuLink-2

Baseados no factor de forma CubeSat-3U, os satélites NuLink-1 e NuLink-2 foram desenvolvidos pela empresa NuSpace, de Singapura. Os dois satélites irão fornecer seviços de comunicações IoT/M2M.

A NuSpace oferece conectividade em toda a região do Sudeste Asiático, possibilitando aplicações IoT em larga escala, desde sensores a satélites, em qualquer lugar e a qualquer hora.

PEARL-1A e PEARL-1B

Os satélites PEARL-1A e PEARL-1B são baseados no factor de forma CubeSat-6UXL e foram construídos pela Foxconn e pela Universidade Nacional Central de Taiwan para testar ligações avançadas de comunicação entre satélites.

Pelican-7 a Pelican-9

Sendo a sucessora do sistema de satélites SkySat, os satélites Pelican-7 a Pelican-9 fazem parte da constelação comercial de observação da Terra, Pelica, desenvolvida pela empresa norte-americana Planet Labs.

O objectivo da constelação Pelican é o fornecimento de imagens ópticas de altíssima resolução da superfície da Terra com taxas de revisitação significativamente melhores em comparação com as constelações comerciais anteriores. O sistema destina-se a aplicações como a agricultura, silvicultura, planeamento urbano e gestão de emergências, onde a obtenção de imagens frequentes e detalhadas é crucial. Com uma resolução temporal melhorada, a constelação Pelican foi concebida para permitir a monitorização quase em tempo real de eventos dinâmicos e infraestruturas.

Os satélites são fabricados pela Planet Labs e baseiam-se na plataforma SmallSat normalizada da empresa. Cada satélite transporta uma única carga útil, o Pelican Imager, um instrumento óptico optimizado para imagens terrestres de alta resolução. O instrumento é um radiómetro de varrimento que opera em cinco bandas espectrais, do visível ao infravermelho próximo, permitindo tanto um elevado detalhe espacial como capacidades de análise multiespectral.

Cada satélite Pelican tem dimensões aproximadas de 0,56 × 0,56 × 0,40 m e uma massa de cerca de 120 kg, com uma capacidade de carga útil de 75 kg. Os satélites estão equipados com dois painéis solares que fornecem aproximadamente 600 W de geração de energia e uma bateria com uma capacidade de armazenamento de 650 Wh. O sistema foi concebido para atingir uma resolução de amostragem do solo até 0,3 m. Todos os satélites operam em órbitas heliossíncronas a uma altitude de aproximadamente 475 km, sendo equipados com um sistema de propulsão de efeito Hall para pequenas correcções orbitais.

A constelação Pelican está planeada para substituir e expandir a frota de 19 satélites SkySat em órbita, com implantações previstas em múltiplos lançamentos à medida que o sistema atinge a sua plena capacidade operacional.

Neste lançamento foram colocados em órbita os satélites Pelican-7, Pelican-8 e Pelican-9. Também designado “Edna-1”, o satélite Pelican-8 (Pelican-300F) é o primeiro satélite a entrar em órbita como parte do acordo de serviços de satélite recentemente anunciado com as Forças Armadas Suecas (SwAF). Os planos incluem a construção de uma constelação de até 10 satélites e o estabelecimento de um Centro de Operações Espaciais das Forças Armadas Suecas.

QUBE-II

O satélite QUBE II é um CubeSat-8U que demonstrará a primeira troca de chaves quânticas entre um CubeSat e uma estação terrestre. O seu objetivo é construir a base para comunicações globais económicas e invioláveis, utilizando um terminal óptico compacto e leve.

O satélite inclui um Terminal de Comunicação Laser (LCT) de 2,5U baseado em instrumentos utilizados nas missões precursoras CubeISL (lançada em 2021) e QUBE-I (2024).

O projecto do satélite QUBE-II é uma iniciativa de investigação conjunta do Ministério Federal Alemão da Investigação, Tecnologia e Espaço (BMFTR) em Comunicação Quântica da Alemanha. O Zentrum für Telematik Würzburg (ZfT) é o responsável pelo sistema de satélite, enquanto a OHB System AG coordena o sistema geral, incluindo as cargas úteis do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), da Universidade Ludwig Maximilian de Munique e da Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nuremberg.

Raven

O Raven é um microssatélite desenvolvido pelo Instituto Max Planck e pela TALOS Space GmbH para o sistema ICARUS 2.0, com o objetivo de monitorizar a vida selvagem e a biodiversidade à escala global.

SNAPPY

O SNAPPY é um satélite baseado no factor de forma CubeSat-3U financiado pelo programa Conceitos Avançados Inovadores (NASA Innovative Advanced Concepts, NIAC) da NASA, desenvolvido em colaboração entre o Laboratório de Propulsão a Jacto (Jet Propulsion Laboratory, JPL), o Centro de Voos Espaciais Marshall da NASA e as universidades de Wichita, Dakota do Sul, Minnesota e Michigan.

O detector espacial de neutrinos solares foi concebido e desenvolvido na Universidade Estadual de Wichita (WSU), que lidera o projeto, com componentes eletrónicos fornecidos pelo Centro Marshall da NASA e uma plataforma CubeSat 3U pré-integrada fornecida pela NanoAvionics.

O SNAPPY irá medir as taxas de ruído de fundo relevantes para a detecção de neutrinos solares através de uma assinatura de duplo pulso que identifica com precisão as interações de neutrinos solares. O seu objectivo é ajudar a validar a viabilidade de um detetor maior posicionado mais próximo do Sol, onde o fluxo de neutrinos do núcleo de fusão deve ser 1000 vezes maior ou mais do que na Terra.

Lançamento

A cerca de dez horas do lançamento procedeu-se à activação eléctrica do foguetão Falcon-9. Tanto o lançador como a sua carga são submetidos a uma série de verificações testes antes do início do abastecimento do querosene RP-1. O Director de Voo consulta os controladores a T-38m, determinando assim se tudo está pronto para o início do abastecimento do lançador. O processo de abastecimento de RP-1 inicia-se a T-35m no primeiro estágio, seguindo-se o início do abastecimento do oxigénio líquido (LOX) na mesma altura. O abastecimento de LOX ao segundo estágio inicia-se a T-16m.

A fase terminal da contagem decrescente inicia-se com os motores a serem condicionados termicamente para o lançamento a T-7m. A T-1m é enviado um comando para o computador de voo para iniciar as verificações pré-lançamento e o sistema de supressão sónica é activado na plataforma de lançamento inundada por milhões de litros de água. Por esta altura os tanques de propelente também são pressurizados. A T-45s o Director de Lançamento da SpaceX verifica se todos os parâmetros estão prontos para a missão, sendo também verificado que o espaço aéreo está pronto para o lançamento. A sequência de ignição é iniciada a T-3s. A T=0s o foguetão abandona a plataforma.

Abandonando a plataforma de lançamento, o Falcon-9 inicia uma série de manobras para se colocar na trajectória de voo correcta.

 

O foguetão Falcon-9

Baptizado em nome da nave Millenium Falcon da saga cinematográfica “Guerra das Estrelas”, o foguetão Falcon-9 v1.1 foi um lançador a dois estágios projectado e fabricado para o transporte seguro e fiável de satélites e do veículo Dragon para a órbita terrestre. Sendo o primeiro foguetão completamente desenvolvido no Século XXI, este lançador foi projectado desde o início para ter a máxima fiabilidade. A sua simples configuração de dois estágios minimiza o número de eventos de separação (staging) e com nove motores no primeiro estágio, pode completar a sua missão em segurança mesmo na possibilidade de perda de um motor.

O Falcon-9 fez história em 2012 quando colocou a cápsula Dragon na órbita correcta para uma manobra de encontro com a estação espacial internacional. Desde então, foram realizadas múltiplas missões para a ISS transportando e recolhendo carga para a NASA. O Falcon-9, bem como a cápsula Dragon, foram desenhados na base do desenvolvimento de um sistema de transporte de astronautas para o espaço.

O foguetão Falcon-9 Upgrade, ou Falcon-9 FT, (a seguir designado simplesmente como “Falcon-9”) representa a mais recente evolução deste lançador. De forma geral, o Falcon-9 tem 68,4 metros de comprimento, 3,7 metros de diâmetro e uma massa de 541.300 kg. O veículo é capaz de colocar uma carga de 13.150 kg numa órbita terrestre baixa ou 4.850 kg numa órbita de transferência geossíncrona.

O primeiro estágio do Falcon-9 está equipado com nove motores Merlin (Merlin-1D) e tanque de liga de alumínio e lítio que contêm oxigénio líquido e querosene RP-1. Após a ignição, um sistema de segurança fixa o veículo na plataforma de lançamento e garante que todos os motores são verificados como estando na força máxima antes de libertar o foguetão para o seu voo. Então, com uma força superior a cinco aviões Boeing 747 em potência máxima, os motores Merlin lançam o foguetão para o espaço. Ao contrário dos aviões, a força de um foguetão vai aumentando com a altitude – o Falcon-9 gera 6.806 kN ao nível do mar, mas atinge 7.426 kN no vácuo espacial. Os motores do primeiro estágio vão sendo aumentados em potência perto do final da queima do estágio para assim limitar a aceleração do veículo à medida que a massa do lançador diminui com a queima do combustível. O tempo total de queima do primeiro estágio é de 162 segundos.

Com os seus nove motores agrupados juntos na configuração ‘octaweb’, o Falcon-9 pode aguentar a falha de até dois motores durante o lançamento e mesmo assim conseguir atingir a órbita terrestre com sucesso. O Falcon-9 é o único lançador na sua classe com esta característica chave.

O motor Merlin vai encontrar as suas raízes aos motores das missões Apollo, nomeadamente o sistema de injecção baseado no motor do módulo lunar. O propelente é alimentado por uma única conduta, com uma turbo bomba de dupla pá que opera num ciclo de gerador a gás. A turbo bomba também fornece o querosene a alta pressão para os actuadores hidráulicos, que depois recicla para a entrada a baixa pressão. Isto elimina a necessidade de um sistema hidráulico separado e significa que não é possível ocorrer uma falha no controlo de vector de força por falta de fluido hidráulico. Uma terceira utilização da turbo bomba é o fornecimento de controlo de rotação ao actuar no escape da turbina de exaustão (no segundo estágio). Combinando-se estas características num só dispositivo aumenta-se assim de forma significativa o nível de fiabilidade do sistema.

O motor é capaz de desenvolver uma força de 654 kN ao nível do mar, 716 kN no vácuo, com um impulso específico de 282 segundos (nível do mar) e 311 segundos (vácuo).

A secção interestágio é uma estrutura compósita que liga o primeiro e o segundo estágio e alberga os sistemas de libertação e separação. O Falcon-9 utiliza um sistema de separação totalmente pneumático para uma separação de baixo impacto e altamente fiável que pode ser testado no solo, ao contrário dos sistemas pirotécnicos utilizados na maior parte dos lançadores.

O segundo estágio é propulsionado por um único motor Merlin de vácuo e coloca a carga a transportar na órbita desejada. O motor do segundo estágio entra em ignição poucos segundos após a separação entre o segundo e o primeiro estágio, e pode ser reiniciado várias vezes para colocar múltiplas cargas em diferentes órbitas. Para máxima fiabilidade, o segundo estágio está equipado com sistemas de ignição redundantes. Tal como o primeiro estágio, o segundo estágio é feito a partir de uma liga de alumínio e lítio.

O motor Merlin de vácuo (Merlin-1D de vácuo) desenvolve uma força de 934 kN e o seu tempo de queima é de 397 segundos.

A carenagem compósita é utilizada para proteger a carga durante a passagem do Falcon-9 pelas camadas mais densas da atmosfera. Quando a missão do Falcon-9 é o lançamento do veículo de carga Dragon, a carenagem não é utilizada, pois a cápsula possui o seu próprio sistema de protecção.

A carenagem tem 13,1 metros de comprimento e 5,2 metros de diâmetro. Fabricada em fibra de carbono, separa-se em duas metades utilizando um sistema de separação de actuadores pneumáticos semelhantes aos que são utilizados para a separação entre o primeiro e o segundo estágio.

A sequência de lançamento para o Falcon-9 é um processo de precisão ditada pela janela de lançamento tendo em conta a posição orbital a ser ocupada pela carga a bordo. Se a janela de lançamento é perdida, a missão é então adiada para a próxima janela de lançamento disponível.

Cerca de quatro horas antes do lançamento, inicia-se o processo de abastecimento – primeiro oxigénio líquido seguindo-se o querosene altamente refinado (RP-1). O vapor observado a sair do lançador durante a contagem decrescente é na realidade oxigénio a ser liberto dos tanques, sendo esta a razão pela qual o abastecimento de oxigénio líquido se mantém até quase ao final da contagem decrescente.

LançamentoVeículo1.º estágioLocal LançamentoData Hora (UTC)CargaRecuperação
2026-079627B1094.7CCSFS, SLC-4011/Abr/26 11:41:21

Cygnus-XL NG-24

Alcyone

Atlas

Electra

Coconut

HUCSat

LEOPARDSat-1

LZ-40
2026-081628B1080.26CCSFS, SLC-4014/Abr/26 09:33:10Starlink G10-24JRTI
2026-082629B1082.21VSFB, SLC-4E15/Abr/26 04:29:49Starlink G17-27OCISLY
2026-085630B1097.8VSFB, SLC-4E19/Abr/26 16:03:09Starlink G17-22OCISLY
2026-087631B1095.7CCSFS, SLC-4021/Abr/26 06:53:25USA-585 (GPS-III SV10)JRTI
2026-088632B1100.5VSFB, SLC-4E23/Abr/26 03:23:09Starlink G17-14OCISLY
2026-094633B1088.15VSFB, SLC-4E26/Abr/26 14:37:09Starlink G17-16OCISLY
2026-097634B1071.33VSFB, SLC-4E30/Abr/26 02:42:49Starlink G1736OCISLY
2026-099635B1069.31CCSFS, SLC-4001/Mai/26 18:06:10Starlink G10-38ASOG
2026-100636B1071.33VSFB, SLC-4E03/Mai/26 07:00

CAS500-2

Vários satélites

LZ-4

Imagens: SpaceX, Boletim Em Órbita

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