
A perda súbita das comunicações por satélite provocaria transtornos generalizados, afectando serviços vitais como as viagens aéreas, a logística marítima e a resposta a emergências, com um impacto económico estimado em até 20 mil milhões de euros. Para realçar a importância económica da conectividade por satélite, a London Economics elaborou um relatório para a Agência Espacial Europeia (ESA), examinando os efeitos de uma hipotética interrupção de uma semana nas comunicações por satélite nos Estados-Membros da ESA e no Canadá.
“A comunicação por satélite é um facilitador essencial, embora muitas vezes invisível, da vida moderna para os governos, empresas e utilizadores individuais em áreas sem cobertura terrestre ou com cobertura inadequada”, começa o relatório. Para contextualizar esta situação, os especialistas da empresa de investigação sediada no Reino Unido forneceram à ESA um estudo que apresenta uma análise inicial do impacto económico da perda de ligação a um satélite.
A conectividade por satélite é especialmente crucial em áreas fora do alcance das redes terrestres, como os oceanos e o espaço aéreo. Consequentemente, os sectores marítimo e da aviação sofreriam as maiores perdas financeiras durante uma interrupção, sendo que o sector marítimo, por si só, seria responsável por mais de 90% do impacto total estimado.
Transporte Marítimo
O transporte marítimo é essencial para o transporte de bens indispensáveis para os sectores da indústria transformadora, energia, alimentação e retalho. A disrupção dos serviços de satélite afectaria criticamente as cadeias de abastecimento, impactando não só as empresas de transporte marítimo, mas também sectores relacionados, como as operações portuárias e a armazenagem. A perda económica projetada é de aproximadamente 19 mil milhões de euros, sendo 3,5 mil milhões de euros em impactos diretos e 15,5 mil milhões de euros em efeitos indirectos, relacionados principalmente com a logística da cadeia de abastecimento.
Aviação
Na aviação, a falta de conectividade via satélite para a gestão do tráfego aéreo poderá resultar no cancelamento ou atraso de cerca de 4.000 voos transatlânticos, levando a aproximadamente 1.800 horas de atrasos cumulativos. O prejuízo económico para o sector está estimado em 558,7 milhões de euros.
Outros sectores
As consequências vão para além das comunicações convencionais. Cerca de 2,2 milhões de pessoas nos Estados-Membros da ESA e no Canadá, especialmente as de regiões remotas ou montanhosas, ficariam sem acesso à internet. Os sistemas de mensagens de emergência, que dependem de satélites para transmitir informação crítica, não poderiam funcionar, comprometendo a capacidade de resposta a emergências. O custo económico nesta área é semelhante ao da aviação, rondando os 352,7 milhões de euros.
O sector energético, particularmente as plataformas de perfuração offshore que operam fora do alcance das redes terrestres, também seria afectado, com um impacto económico estimado em 89,8 milhões de euros.
Além disso, as ATM e os terminais de ponto de venda (POS) em locais remotos não estariam operacionais. Os sistemas POS são dispositivos utilizados para processar pagamentos com cartão ou telemóvel em lojas e outros estabelecimentos. Uma vez que estes sistemas dependem da conectividade via satélite em áreas sem ligações terrestres fiáveis, a sua falha interromperia completamente as transações físicas.
As conclusões do estudo baseiam-se num cenário em que as comunicações por satélite são interrompidas durante sete dias, afetando todas as órbitas dos satélites, independentemente da causa, enquanto outros serviços espaciais, como a navegação por satélite, permanecem totalmente funcionais.
Metodologia
Para chegar a estes resultados, a equipa de investigação reviu os dados e relatórios existentes e consultou 48 especialistas – incluindo operadores de satélite, fornecedores de conectividade, reguladores nacionais, académicos e instituições financeiras.
Foram selecionados cinco sectores para análise com base na sua dependência das comunicações via satélite. O grau de dependência do sector em relação aos satélites foi categorizado como alto, médio e baixo.
Utilizando esta informação, construíram um modelo económico para estimar a perda de actividade económica (medida em Valor Acrescentado Bruto) e a perda dos benefícios de conectividade para os utilizadores. Avaliaram também impactos sociais mais amplos, como o número de agregados familiares sem conectividade.
Como a análise é hipotética e vários fatores podem influenciar o resultado final, o relatório propõe três cenários de impacto económico: baixo, médio e alto. O impacto económico total no primeiro cenário seria de 5 mil milhões de euros; 10 mil milhões de euros no segundo; e 20 mil milhões de euros no terceiro.

Com a rápida evolução das tecnologias de comunicação por satélite, incluindo inovações como a conectividade directa ao dispositivo e sectores mais automatizados e orientados por dados, as potenciais consequências económicas de futuras perturbações tendem a ser ainda maiores.
O estudo realça a importância económica das comunicações por satélite para os Estados-Membros da ESA e a necessidade de reforçar a resiliência neste sector, o que garante o crescimento económico e a estabilidade social na Europa e no Canadá.
O relatório pode ser encontrado no seguinte link: The Economic impact of a loss of satellite communications – London Economics.
Texto original: What would happen without satellite communications?
Texto e imagens: ESA
Tradução automática via Google
Edição: Rui Barbosa