
Um novo satélite da terceira geração de satélites de posicionamento global para a Força Aérea dos Estados Unidos foi colocado em órbita a 21 de Abril de 2026.
O lançamento teve lugar às 0653:25UTC a partir do Complexo de Lançamento SLC-40 do Cabo Canaveral SFS, Florida, e foi realizado pelo foguetão Falcon 9-631 (B1095.7). O primeiro estágio B1095, na sua 7.ª missão, foi recuperado com sucesso na plataforma flutuante Just Read The Instructions, no Oceano Atlântico.
Todas as fases do lançamento decorreram sem problemas e o satélite GPS III SV10 “Hedy Lamarr” foi injectado na órbita prevista. O satélite foi baptizado em honra da actriz e inventora Hedy Lamarr. De ascendência austríaca, é considerada uma estrela de cinema de sucesso, sendo também coinventora de um sistema de orientação por rádio durante a Segunda Guerra Mundial.
Inicialmente previsto para ser colocado em órbita por um foguetão Falcon-9, o contrato para esta missão foi posteriormente atribuído à United Launch Alliance com o satélite – cuja construção terminou em Fevereiro de 2023 – a poder ser lançado pelo foguetão Atlas ou pelo foguetão Vulcan. Porém, devido aos atrasos na preparação do foguetão Vulcan e devido aos problemas registados na missão USSF-89, a Lockheed Martin optaria de novo pela SpaceX para esta missão.
O veículo SV10 acrescenta melhorias essenciais de resiliência e precisão à constelação GPS, incluindo uma carga útil de demonstração de ligação cruzada óptica. Com esta carga útil, o GPS-III SV10 demonstrará capacidades de comunicação óptica que desempenharão um papel crucial na futura robustez da constelação. As ligações cruzadas ópticas permitem que os satélites GPS comuniquem diretamente entre si no espaço, aumentando a resiliência em órbita.
O lançamento do GPS-III SV10 marca o quarto lançamento consecutivo do GPS num cronograma acelerado, demonstrando a rápida entrega de capacidades em órbita às forças armadas pela Lockheed Martin.
Este satélite abre caminho para a geração avançada GPS-IIIF, que trará capacidades anti-interferência ainda mais robustas para os militares e melhorias para os seus seis mil milhões de utilizadores civis. Os satélites GPS-III oferecem avanços cruciais em relação aos veículos anteriores, incluindo uma precisão três vezes superior, uma capacidade anti-interferência oito vezes mais forte e sinais M-Code seguros para os militares de todo o mundo.
Para os utilizadores militares, estas melhorias proporcionam um posicionamento, navegação e sincronização fiáveis em ambientes hostis. Para os utilizadores civis, o GPS-III melhora a navegação diária em smartphones, agiliza a localização em situações de emergência e proporciona uma sincronização mais precisa para os mercados financeiros e redes de telecomunicações.
Além da demonstração de ligação cruzada, o satélite está também equipado com um relógio digital de rubídio com um padrão de frequência atómica, um relógio atómico avançado que proporcionará capacidades de cronometragem fiáveis e precisas.
Com o GPS-III SV10 em órbita, a Lockheed Martin concentra agora os seus esforços na produção dos satélites GPS-IIIF. O lançamento destes satélites de última geração é essencial para manter uma cobertura global fiável, e os veículos IIIF irão adicionar um novo conjunto de características que irão fortalecer ainda mais a resiliência da constelação.
Entre as melhorias, os GPS-IIIF contará com Proteção Militar Regional, proporcionando um aumento de mais de 60 vezes no desempenho anti-interferência para as forças armadas. Este aumento significativo da resistência à interferência hostil ajuda as forças americanas a manterem-se à frente das ameaças de guerra electrónica em constante evolução.
A Lockheed Martin está a produzir activamente os satélites GPS-IIIF nas suas instalações em Denver, Colorado. A empresa está a integrar tecnologias emergentes, incluindo realidade aumentada e gémeos digitais, para acelerar a produção de satélites GPS. A Lockheed Martin tem atualmente um contrato para construir 12 satélites GPS-IIIF, demonstrando o compromisso a longo prazo da empresa com uma infraestrutura de navegação resiliente e robusta.
Atualmente, mais de 30 satélites GPS operam em órbita, fornecendo serviços cruciais de posicionamento, navegação e sincronização para militares, civis e utilizadores comerciais. No geral, o GPS continua a ser o sistema de navegação espacial mais fiável do mundo, servindo milhares de milhões de pessoas.
Os satélites Navstar GPS
O Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System – GPS) Americano, oferece o posicionamento, navegação e serviços temporais suportando operações vitais nos Estados Unidos e aliadas no mundo. Tais operações compreendem suporte financeiro, transportes e infraestruturas agrícolas que milhões de utilizadores têm de depender diariamente.
A nova geração de satélites GPS é projectada e construída para oferecer dados de posicionamento, navegação e serviços de informação temporal com o triplo de precisão, e oito vezes a melhoria da capacidade de anti-bloqueio. O GPS é usado por milhões de pessoas e dá suporte a missões criticas em todo mundo.
Os satélites são desenvolvidos pela Lockheed Martin e baseados na plataforma A2100A, tendo uma massa de 4.311 kg no lançamento (2.269 kg sem combustível). Os satélites têm uma vida operacional de 15 anos.

Lançamento
A cerca de dez horas do lançamento procedeu-se à activação eléctrica do foguetão Falcon-9. Tanto o lançador como a sua carga são submetidos a uma série de verificações testes antes do início do abastecimento do querosene RP-1. O Director de Voo consulta os controladores a T-38m, determinando assim se tudo está pronto para o início do abastecimento do lançador.
O processo de abastecimento de RP-1 inicia-se a T-35m no primeiro estágio, seguindo-se o início do abastecimento do oxigénio líquido (LOX) na mesma altura. O abastecimento de LOX ao segundo estágio inicia-se a T-16m.
A fase terminal da contagem decrescente inicia-se com os motores a serem condicionados termicamente para o lançamento a T-7m. A T-1m é enviado um comando para o computador de voo para iniciar as verificações pré-lançamento e o sistema de supressão sónica é activado na plataforma de lançamento inundada por milhões de litros de água. Por esta altura os tanques de propelente também são pressurizados. A T-45s o Director de Lançamento da SpaceX verifica se todos os parâmetros estão prontos para a missão, sendo também verificado que o espaço aéreo está pronto para o lançamento. A sequência de ignição é iniciada a T-3s. A T=0s o foguetão abandona a plataforma.
Abandonando a plataforma de lançamento, o Falcon-9 inicia uma série de manobras para se colocar na trajectória de voo correcta.


O foguetão Falcon-9
Baptizado em nome da nave Millenium Falcon da saga cinematográfica “Guerra das Estrelas”, o foguetão Falcon-9 v1.1 foi um lançador a dois estágios projectado e fabricado para o transporte seguro e fiável de satélites e do veículo Dragon para a órbita terrestre. Sendo o primeiro foguetão completamente desenvolvido no Século XXI, este lançador foi projectado desde o início para ter a máxima fiabilidade. A sua simples configuração de dois estágios minimiza o número de eventos de separação (staging) e com nove motores no primeiro estágio, pode completar a sua missão em segurança mesmo na possibilidade de perda de um motor.
O Falcon-9 fez história em 2012 quando colocou a cápsula Dragon na órbita correcta para uma manobra de encontro com a estação espacial internacional. Desde então, foram realizadas múltiplas missões para a ISS transportando e recolhendo carga para a NASA. O Falcon-9, bem como a cápsula Dragon, foram desenhados na base do desenvolvimento de um sistema de transporte de astronautas para o espaço.
O foguetão Falcon-9 Upgrade, ou Falcon-9 FT, (a seguir designado simplesmente como “Falcon-9”) representa a mais recente evolução deste lançador. De forma geral, o Falcon-9 tem 68,4 metros de comprimento, 3,7 metros de diâmetro e uma massa de 541.300 kg. O veículo é capaz de colocar uma carga de 13.150 kg numa órbita terrestre baixa ou 4.850 kg numa órbita de transferência geossíncrona.

O primeiro estágio do Falcon-9 está equipado com nove motores Merlin (Merlin-1D) e tanque de liga de alumínio e lítio que contêm oxigénio líquido e querosene RP-1. Após a ignição, um sistema de segurança fixa o veículo na plataforma de lançamento e garante que todos os motores são verificados como estando na força máxima antes de libertar o foguetão para o seu voo. Então, com uma força superior a cinco aviões Boeing 747 em potência máxima, os motores Merlin lançam o foguetão para o espaço. Ao contrário dos aviões, a força de um foguetão vai aumentando com a altitude – o Falcon-9 gera 6.806 kN ao nível do mar, mas atinge 7.426 kN no vácuo espacial. Os motores do primeiro estágio vão sendo aumentados em potência perto do final da queima do estágio para assim limitar a aceleração do veículo à medida que a massa do lançador diminui com a queima do combustível. O tempo total de queima do primeiro estágio é de 162 segundos.
Com os seus nove motores agrupados juntos na configuração ‘octaweb’, o Falcon-9 pode aguentar a falha de até dois motores durante o lançamento e mesmo assim conseguir atingir a órbita terrestre com sucesso. O Falcon-9 é o único lançador na sua classe com esta característica chave.
O motor Merlin vai encontrar as suas raízes aos motores das missões Apollo, nomeadamente o sistema de injecção baseado no motor do módulo lunar. O propelente é alimentado por uma única conduta, com uma turbo bomba de dupla pá que opera num ciclo de gerador a gás. A turbo bomba também fornece o querosene a alta pressão para os actuadores hidráulicos, que depois recicla para a entrada a baixa pressão. Isto elimina a necessidade de um sistema hidráulico separado e significa que não é possível ocorrer uma falha no controlo de vector de força por falta de fluido hidráulico. Uma terceira utilização da turbo bomba é o fornecimento de controlo de rotação ao actuar no escape da turbina de exaustão (no segundo estágio). Combinando-se estas características num só dispositivo aumenta-se assim de forma significativa o nível de fiabilidade do sistema.
O motor é capaz de desenvolver uma força de 654 kN ao nível do mar, 716 kN no vácuo, com um impulso específico de 282 segundos (nível do mar) e 311 segundos (vácuo).
A secção interestágio é uma estrutura compósita que liga o primeiro e o segundo estágio e alberga os sistemas de libertação e separação. O Falcon-9 utiliza um sistema de separação totalmente pneumático para uma separação de baixo impacto e altamente fiável que pode ser testado no solo, ao contrário dos sistemas pirotécnicos utilizados na maior parte dos lançadores.
O segundo estágio é propulsionado por um único motor Merlin de vácuo e coloca a carga a transportar na órbita desejada. O motor do segundo estágio entra em ignição poucos segundos após a separação entre o segundo e o primeiro estágio, e pode ser reiniciado várias vezes para colocar múltiplas cargas em diferentes órbitas. Para máxima fiabilidade, o segundo estágio está equipado com sistemas de ignição redundantes. Tal como o primeiro estágio, o segundo estágio é feito a partir de uma liga de alumínio e lítio.
O motor Merlin de vácuo (Merlin-1D de vácuo) desenvolve uma força de 934 kN e o seu tempo de queima é de 397 segundos.
A carenagem compósita é utilizada para proteger a carga durante a passagem do Falcon-9 pelas camadas mais densas da atmosfera. Quando a missão do Falcon-9 é o lançamento do veículo de carga Dragon, a carenagem não é utilizada, pois a cápsula possui o seu próprio sistema de protecção.
A carenagem tem 13,1 metros de comprimento e 5,2 metros de diâmetro. Fabricada em fibra de carbono, separa-se em duas metades utilizando um sistema de separação de actuadores pneumáticos semelhantes aos que são utilizados para a separação entre o primeiro e o segundo estágio.
A sequência de lançamento para o Falcon-9 é um processo de precisão ditada pela janela de lançamento tendo em conta a posição orbital a ser ocupada pela carga a bordo. Se a janela de lançamento é perdida, a missão é então adiada para a próxima janela de lançamento disponível.
Cerca de quatro horas antes do lançamento, inicia-se o processo de abastecimento – primeiro oxigénio líquido seguindo-se o querosene altamente refinado (RP-1). O vapor observado a sair do lançador durante a contagem decrescente é na realidade oxigénio a ser liberto dos tanques, sendo esta a razão pela qual o abastecimento de oxigénio líquido se mantém até quase ao final da contagem decrescente.
| Lançamento | Veículo | 1.º estágio | Local Lançamento | Data Hora (UTC) | Carga | Recuperação |
| 2026-067 | 622 | B1093.12 | VSFB, SLC-4E | 30/Mar/26 11:01:59,988 | Transporter-16 | OCISLY |
| 2026-068 | 623 | B1067.34 | CCSFS, SLC-40 | 30/Mar/26 21:15:00 | Starlink G10-44 | JRTI |
| 2026-070 | 624 | B1085.15 | CCSFS, SLC-40 | 02/Abr/26 11:55:10 | Starlink G10-58 | ASOG |
| 2026-073 | 625 | B1103.1 | VSFB, SLC-4E | 07/Abr/26 02:50:39 | Starlink G17-35 | OCISLY |
| 2026-077 | 626 | B1063.32 | VSFB, SLC-4E | 11/Abr/26 05:04:19 | Starlink G17-21 | OCISLY |
| 2026-079 | 627 | B1094.7 | CCSFS, SLC-40 | 11/Abr/26 11:41:21 |
Cygnus-XL NG-24 Alcyone Atlas Electra Coconut HUCSat LEOPARDSat-1 |
LZ-40 |
| 2026-081 | 628 | B1080.26 | CCSFS, SLC-40 | 14/Abr/26 09:33:10 | Starlink G10-24 | JRTI |
| 2026-082 | 629 | B1082.21 | VSFB, SLC-4E | 15/Abr/26 04:29:49 | Starlink G17-27 | OCISLY |
| 2026-085 | 630 | B1097.8 | VSFB, SLC-4E | 19/Abr/26 16:03:09 | Starlink G17-22 | OCISLY |
| 2026-087 | 631 | B1095.7 | CCSFS, SLC-40 | 21/Abr/26 06:53:25 | GPS-III SV10 | JRTI |
Imagens: SpaceX, Boletim Em Órbita