Publicado em 2 de julho de 2026 por Rui C. Barbosa

China lança satélite oceanográfico Haiyang-2E

A China colocou em órbita um novo satélite de investigação oceanográfica.

O lançamento do satélite Haiyang-2E teve lugar às 2346UTC do dia 1 de Julho de 2026 e foi realizado pelo foguetão Chang Zheng-4B (Y63?) a partir da Plataforma de Lançamento 94 do Complexo de Lançamento LC43 (LC-43/94) do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, Mongólia Interior.

Todas as fases do lançamento decorreram como previsto, sendo este o 654.º lançamento de um foguetão da família de lançadores Chang Zheng (Longa Marcha).

Para esta missão, o foguetão Chang Zheng-4B empregou, pela primeira vez, um modo de abastacimento de propelente paralelo em condições de elevada temperatura. Durante a missão, o local de lançamento enfrentou um tempo quente e seco, acompanhado de ventos fortes e tempestades de areia. Com base na experiência adquirida em lançamentos anteriores realizados no Verão, a equipa de testes do foguetão colaborou com os sistemas do local de lançamento para realizar várias rondas de cálculos e testes. O foguetão enfrentou múltiplos desafios, incluindo a necessidade de isolamento térmico, protecção contra poeiras, medidas antiestáticas e resistência a cargas de vento. A equipa refinou continuamente as estratégias de prevenção e controlo de riscos para garantir a capacidade de lançamento do foguetão em condições extremas de alta temperatura.

O satélite Haiyang-2E (海洋二号E卫星) foi desenvolvido pela Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (Zhongguo kongjian jishu yan jiu yuan) com o apoio do Centro Nacional de Aplicações Oceãnicas por Satélite (Guojia weixing haiyang yingyong zhongxin) da China.

O Haiyang-2E irá substituir o satélite Haiyang-2B, lançado a 24 de Outubro de 2018. O satélite Haiyang-2F deverá ser lançado no quarto trimestre de 2026, seguindo-se o satélite Haiyang-2G no quarto trimestre de 2027 e o Haiyang-2N para 2028/29.

O novo satélite constitui a 5ª unidade de voo do programa HY-2, tendo como principal a observação de variáveis ​​dinâmicas oceânicas. O Haiyang-2E está equipado com quatro cargas úteis de deteção remota por micro-ondas, capazes de adquirir dados precisos sobre a altura da superfície do mar, a altura significativa das ondas, os campos de vento à superfície do mar e a temperatura da superfície do mar, fornecendo assim dados essenciais para a previsão meteorológica marítima e para a investigação do fenómeno El Niño. Os instrumentos incluem altímetro de imagem por radar interferométrico, espalhómetro qual-pol de dupla frequência e radiómetro qual-pol multicanal.

Os instrumentos a bordo são: LRA “Laser Retroreflector Array” (Matriz de retrorefletores laser), MWRI “Microwave Radiometer Imager” (Radiómetro de micro-ondas), HSCAT “HY Scatterometer” (Difusor HY), CMR “Calibration Microwave Radiometer” (Radiómetro de calibração de micro-ondas) e ALT “Radar Altimeter” (Radar altímetro).

O MWRI é um radiómetro multicanal de visão nadir com o objectivo de observar as superfícies oceânicas e as zonas costeiras para fins de recursos biológicos, monitorização e prevenção da poluição, e monitorização de estuários, baías e rotas de navegação.

Para determinar a altura da superfície do mar, o satélites utiliza um altímetro radar que mede a distância, ou “alcance”, do satélite à superfície do oceano, e um instrumento DORIS (Doppler Orbitography and Radiopositioning  Integrated by Satellite) desenvolvido e fornecido pela Thales-DMS/CNES. Operando em conjunto com um retrorreflector laser e um receptor GPS, o DORIS permite determinar a posição orbital do satélite com uma precisão centimétrica. O CNES também suporta as operações de determinação de órbitas.

Os satélites HY-2 captaram com precisão dados de tufões durante atividades que afetaram a China, desempenharam um papel importante no alerta precoce de tsunamis e forneceram dados para sistemas globais de previsão numérica do tempo.

Os dados de vento, ondas e correntes obtidos pelos satélites HY-2 podem também ajudar a analisar as principais áreas de pesca oceânica, permitindo aos pescadores localizar cardumes com precisão e eficiência, aumentando assim a produção e reduzindo os custos operacionais em alto mar.

O Sistema de Identificação Automática (AIS, Automatic Identification System) para embarcações foi também adicionado aos satélites HY-2 a partir do Haiyang-2B, permitindo a aquisição contínua da posição, velocidade e indicativo de chamada da embarcação para melhorar a segurança da navegação.

O foguetão Chang Zheng-4B

Desenvolvido pela Academia de Tecnologia de Voo Espacial de Xangai, a família de lançadores Chang Zheng-4 é utilizada para a colocação de satélites em órbitas polares e órbitas sincronizadas com o Sol. São lançadores a três estágios de propelentes líquidos cujas raízes se encontram no foguetão Feng Bao-1.

A família destes lançadores consiste em três variantes: Chang Zheng-4A, Chang Zheng-4B e Chang Zheng-4C. Após o desenvolvimento do Feng Bao-1, a Academia de Tecnologia de Voo Espacial de Xangai foi incumbida do desenvolvimento do CZ-4. Aparentemente, este lançador seria um veículo suplente para o Chang Zheng-3B, com os dois primeiros estágios do CZ-4 a serem basicamente idênticos aos do foguetão Chang Zheng-3. O terceiro estágio do Chang Zheng-4 foi inteiramente desenvolvido pela Academia de Tecnologia de Voo Espacial de Xangai.

LançamentoVeículoDataHora (UTC)Local LançamentoCarga
2024-130

Y5819/Jul/2403:03Taiyuan

LC9

Gaofen-11 05
2024-148

Y7216/Ago/2407:35Xichang

LC3

Yaogan-43 01A

a

Yaogan-43 01I

2024-156

Y7303/Set/2401:22Xichang

LC3

Yaogan-43 02A

a

Yaogan-43 02F

2024-208

Y5313/Nov/2422:42Taiyuan

LC9

Haiyang-4 01
2025-115

Y6229/Mai/2504:12Jiuquan

LC43/94

Shijian-26
2025-289

Y6409/Dez/2503:41Jiuquan

LC43/94

Yaogan-47
2025-300

Y6116/Dez/2503:17Taiyuan

LC9

Ziyuan-3 04
2025-315

Y6930/Dez/2504:12Jiuquan

LC43/94

Tianhui-7
2026-149Y63?01/Jul/2623:46Jiuquan

LC43/94

Haiyang-2E

 

Após o sucesso do CZ-3B, a versão CZ-4 foi abandonada em 1982 e baseado no seu desenho foi introduzido o Chang Zheng-4A que é geralmente idêntico à primeira versão, mas tendo uma massa no lançamento ligeiramente inferior (o Chang Zheng-4 tinha uma massa de 248.962 kg enquanto o Chang Zheng-4A tinha uma massa de 241.092 kg.). O desenvolvimento do foguetão Chang Zheng-4B teve início em Fevereiro de 1989, com o primeiro lançamento previsto para ter lugar em 1997, mas acabando por só se realizar em 1999.

cz-4b_2014-08-18_18-26-05

O Chang Zheng-4B tem uma carenagem de protecção de maiores dimensões; o controlo electromecânico original foi substituído por um controlo electrónico; os sistemas de telemetria, seguimento, controlo e de auto-destruição foram melhorados e substituídos por dispositivos de menores dimensões; procedeu-se a uma revisão do desenho dos escapes dos motores do segundo estágio para melhor desempenho a elevada altitude; foi introduzido um sistema de gestão de consumo de propelente para o segundo estágio com o objectivo de reduzir o propelente residual e assim aumentar a capacidade de carga; e foi introduzido um sistema de ejecção de propelente para o terceiro estágio. É capaz de colocar uma carga de 4.200 kg numa órbita terrestre baixa, 2.800 kg numa órbita sincronizada com o Sol ou 1.500 kg para uma órbita de transferência para a órbita geossíncrona. O CZ-4B pode utilizar duas carenagens: uma com um comprimento de 7,12 metros, diâmetro de 2,90 metros e um peso de 800 kg, e outra com um comprimento de 8,48 metros, diâmetro de 3,35 metros e um peso de 800 kg.

Uma versão equipada com oito propulsores laterais de combustível sólido foi estudada pela Academia de Tecnologia de Voo Espacial de Xangai. O foguetão Chang Zheng-4B-8S teria uma massa de 270.000 kg no lançamento e seria capaz de colocar 2.600 kg numa órbita polar ou sincronizada com o Sol.

O Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan

Criado em 1960, no alvorecer da Era Espacial, o Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan (酒泉卫星发射中心 – Jiǔquán Wèixīng Fāshè Zhōngxīn) está localizado no noroeste da China, a cerca de 150 km a Sul da fronteira entre a China e a Mongólia.

O centro foi construído para apoiar o teste de mísseis balísticos da China e em Abril de 1970, um míssil balístico de alcance intermediário modificado lançado a partir de Jiuquan colocou em órbita o primeiro satélite artificial da China, o Dongfanghong-1. Desde então, Jiuquan tem sido usado para lançamentos orbitais da China para a órbita terrestre baixa, principalmente para satélites de observação da Terra e de reconhecimento militar.

O centro consiste numa série de plataformas de lançamento na Mongólia Interior e várias zonas de impacto alvo nas províncias vizinhas de Gansu e Xinjiang, cobrindo uma área total de 2.800 km2. A área de lançamentos, localizada no Condado de Ejin-Banner, parte da Liga de Alashan da Região Autónoma da Mongólia Interior, inclui uma base residencial principal (Zona 10), vários complexos de lançamento, áreas técnicas e instalações de instrumentação espalhadas por de 50 km ao longo do rio Ruoshui, na borda ocidental do deserto de Badain Jaran. A região tem um clima tipicamente interior, principalmente seco e ensolarado, mas frio no Inverno, com uma temperatura média anual de 8,7 ° C. Existem cerca de 260 a 300 dias por ano adequados para actividades de lançamento espacial.

Durante a Guerra Fria, a Base 20 foi identificada pelos serviços secretos Ocidentais como o “Centro Espacial e de Testes de Mísseis Shuang Cheng Tzu”. Nos anos 80, o centro foi parcialmente desclassificado e abriu a sua porta para visitantes estrangeiros. Como resultado, tornou-se oficialmente conhecido como o Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, em homenagem a uma pequena cidade a 200 km de distância, na vizinha Província de Gansu. Isto, e tal como aconteceu com Baikonur, causou alguma confusão, já que o centro de lançamento não está realmente situado dentro da jurisdição da cidade de Jiuquan. É possível que esse engano tenha sido uma tentativa deliberada de disfarçar sua verdadeira localização. O centro continua a ser uma instalação militar, conhecida como a 20.ª Base de Testes e Treino na sua designação militar.

O centro de lançamento operou um único local de lançamento conhecido como “Complexo de Lançamento 3” até 1966, quando o novo “Complexo de Lançamento 2” (Zona de Lançamentos Norte) ficou operacional. O local de lançamento tornou-se o principal centro de lançamento de mísseis e espaciais da China desde o início dos anos 70, tendo levado a cabo uma série de testes de mísseis balísticos intercontinentais e actividades de lançamento de satélites. Este local de lançamento foi desactivado em 1996 após 30 anos de serviço e três anos depois, um novo local de lançamento (Zona de Lançamentos Sul) foi comissionado em 1999 para apoiar os lançamentos dos veículos tripulados Shenzhou. Uma segunda plataforma de lançamento para missões de lançamento de satélites não tripulados foi adicionada em 2003. Mais instalações de lançamento para lançadores de combustível sólido foram adicionadas por volta de 2012.

O Complexo de Lançamento 3 (三号 发射 阵地) foi a primeira instalação de lançamento permanente em Jiuquan. O complexo de lançamento consistia em duas plataformas de lançamento de betão armado, com uma escala no solo para medir a quantidade de propulsor adicionado ao míssil. Não havia torre umbilical nas plataformas de lançamento. Os mísseis eram transportados para a sua posição de lançamento em veículos rebocados por camiões, que também servia como suporte de lançamento. O complexo de lançamento tornou-se operacional em 1960 para apoiar o teste de mísseis balísticos de curto e médio alcance, e foi desactivado no final dos anos 1960.

A Zona de Lançamentos Norte, também conhecida como Complexo de Lançamento 2 (二号发射 阵地), foi construída na década de 1960 para apoiar o teste de mísseis balísticos de alcance intermédio a intercontinental e lançamento de satélites. O complexo de lançamento consistia em duas plataformas de lançamento (“5020” e “138”), uma torre de serviço móvel e uma sala de controlo subterrânea. O processamento de veículos e a sua verificação eram levados a cabo na área técnica norte (Zona 7) localizada a 22 quilómetros a Sul do complexo de lançamento. O local de lançamento foi desactivado em 1996 e desde então tornou-se uma atracção turística.

A Plataforma de Lançamento 5020 (também designada LC2A) foi activada em Dezembro de 1966 para ser utilizada pelo míssil balístico de alcance intermédio Dongfeng-4 (DF-4) e pelo foguetão Chang Zheng-1 (CZ-1). A plataforma tem uma torre umbilical fixa com seis pares de braços oscilantes, que serviram como plataformas operacionais para permitir o acesso ao veículo lançador, e também forneciam energia, gases e propelentes para o veículo e para a carga útil. Os braços oscilantes eram recolhidos segundos antes do lançamento. O lançador era montado numa mesa de lançamento de aço, abaixo da qual existia buraco de terra arredondado que levava ao deflector de chamas de cimento armado. Durante o lançamento, a exaustão  dos gases do veículo de lançamento era conduzida para o deflector que se encontrava cheio de água e era direccionada para longe do veículo para o ar livre. O primeiro lançamento desta plataforma foi realizado a 26 de Dezembro de 1966 e o ​​último lançamento em 21 de Maio de 1980.

A Plataforma de Lançamento 138 (LC2B) foi adicionada ao Complexo e Lançamento 2 em 1970 para suportar os veículos de lançamento mais pesados ​ Dongfang-5 (DF-5), Chang Zheng-2C (CZ-2C) e Chang Zheng-2D (CZ-2D). A torre umbilical tinha 45 metros de altura e 7,8 metros de largura. A torre era equipada com um elevador com capacidade de carga de 1 tonelada e possuía 5 andares de plataformas rotativas, além de 2 andares de plataformas móveis que permitiam o acesso ao lançador. Estava equipada com um sistema de verificação do lançador semiautomático e um sistema de abastecimento de propelente totalmente automatizado. O primeiro lançamento desta plataforma foi realizado a 10 de Setembro de 1971 e o último lançamento em 20 de Outubro de 1996.

A torre de serviço móvel fornece uma plataforma operacional para montagem de foguetões e integração dos satélites. O corpo da torre é uma estrutura de aço de 11 andares com 55,23 metros de altura, 30,52 metros de comprimento e 20,9 metros de largura. A torre está equipada com uma ponte rolante com capacidade de elevação de 15 toneladas no gancho primário e 5 toneladas no gancho secundário. Existiam dois elevadores com capacidade de elevação de 500 kg nos dois lados da torre. Existiam seis andares na plataforma operacional no corpo da torre. O processamento de satélites era feito numa “sala limpa” localizada de 29 metros a 42 metros dentro do corpo da torre.

O centro de controle de lançamento subterrâneo era responsável por monitorizar e controlar remotamente a montagem do veículo de lançamento e dos satélites, coordenando as comunicações entre o complexo de lançamento e a área técnica, a previsão do tempo e a assistência médica. Consistia numa sala de tiro, três salas de teste de satélites e duas salas de teste de veículos lançadores, apoiadas por fonte de alimentação, sistema de ar condicionado e sistema de comunicação.

O Centro Técnico Norte (Zona 7), localizado a 22 quilómetros a Sul do local de lançamento, era a área de lançamento e processamento de foguetes e satélites. Os veículos lançadores e satélites eram transportados a partir dos seus locais de fabrico para o centro técnico via caminho-de-ferro. Depois de concluído o processamento inicial, os diferentes estágios dos lançadores eram transportadas em reboques rebocados por camião até à plataforma de lançamento, onde eram içadas para a posição na plataforma de lançamento, verificados e abastecidas.

A estrutura central do centro técnico era o complexo de processamento de veículos de lançamento e de cargas espaciais. O edifício consistia numa sala de processamento de 90 x 8 metros para preparação dos foguetões e satélites e uma sala de processamento de 24 x 8 metros para abastecimento de satélites. Havia também uma sala limpa para testes dos satélites. Os estágios dos lançadores e os satélites eram transportados para o edifício através de uma linha férrea dedicada. Um segundo edifício no centro era o Edifício de Verificação e Processamento de Motores de Propulsão Sólida, onde os motores de prepolente sólido nos satélites eram preparados.

A Zona de Lançamentos Sul é actualmente o único complexo de lançamento activo em Jiuquan. É composto por duas plataformas de lançamento (“921” e “603”) no Complexo de Lançamento LC43 e um centro técnico para processamento e verificação.

A Plataforma de Lançamento 91 (SLS-1), também conhecida como “Plataforma Shenzhou”, ou Plataforma 921, (Longitude: 100 ° 17.4’E; Latitude: 40 ° 57.4’N; Elevação acima do nível do mar: 1.073 m) é a principal plataforma de lançamento. A plataforma de lançamento é dedicada ao lançamento das missões do programa espacial tripulado utilizando o veículo de lançamento Chang Zheng-2F (CZ-2F). As instalações da plataforma de lançamento incluem uma torre umbilical, uma plataforma de lançamento móvel, um par de condutas de chamas, uma sala de equipamentos subterrâneos, armazéns de propulsores e oxidantes, sistema de abastecimento de foguetes, fonte de alimentação, fornecimento de gás e sistema de comunicação.

A torre umbilical é uma estrutura de aço com 11 andares e 75 metros de altura, projectada para fornecer a carga de propelente e drenagem, gás, energia e ligações de comunicação para o veículo lançador e para a sua carga. Na torre existem instalações para verificações antes do lançamento, entrada da tripulação e saída de emergência. A torre está equipada com um guindaste de carga, um elevador de carga e um elevador à prova de explosão para a tripulação em caso de emergência. Em caso de emergência, um sistema de escape de lona está disponível para os astronautas saírem da plataforma de lançamento. A fonte de alimentação e outros equipamentos de suporte estão localizados dentro de uma sala subterrânea por debaixo da torre umbilical.

A torre umbilical é composta por uma estrutura fixa e um par de plataformas giratórias de seis andares. Uma vez chegado à plataforma de lançamento, as plataformas giratórias são deslocadas para “abraçar” o foguetão e assim permitir que os procedimentos de abastecimento e verificações finais sejam conduzidas. A torre também contém uma área ambientalmente controlada e protegida para os astronautas entrarem na cápsula espacial. As plataformas rotativas são abertas uma hora antes do lançamento. Quatro braços oscilantes fornecem conexões para electricidade, gases e fluidos ao lançador e são recolhidos alguns minutos antes do lançamento.

Durante o lançamento, as chamas e a exaustão de alta temperatura dos motores do foguetão são direccionadas para a vala de chamas de betão armado através de um grande buraco redondo sob a plataforma de lançamento móvel. As chamas e gases são então desviados do veículo de lançamento através de dois canais de chama rectangulares localizados em ambos os lados da plataforma de lançamento.

A plataforma de lançamento móvel transporta o foguetão desde o edifício de integração e montagem de veículos situado na área técnica até a torre umbilical. A plataforma tem 24,4 metros de comprimento, 21,7 metros de largura e 8,34 metros de altura, e pesa 750 t. Move-se em carris de 20 metros de largura a uma velocidade máxima de 25 m/min, com uma taxa de aceleração inferior a 0,2 m/s. A plataforma demora 60 minutos para completar a viagem de 1.500 metros entre o edifício de montagem e a plataforma de lançamento.

A Plataforma de Lançamento 94 (SLS-2), também conhecido como “Plataforma Jianbing” (ou Plataforma 603), foi comissionada em 2003 para suportar lançamentos de satélites não tripulados para a órbita terrestre baixa usando os veículos de lançamento CZ-2C, CZ-2D e Chang Zheng-4B (CZ-4B). As instalações da plataforma incluem uma torre umbilical de betão armado e um único canal de chamas. A plataforma adoptou um método de lançamento tradicional, onde o veículo de lançamento é montado verticalmente usando um guindaste para içar cada estágio. O veículo de lançamento é verificado na vertical, abastecido e, posteriormente, lançado.

As instalações de apoio da Zona de Lançamentos Sul, colectivamente conhecidas como Centro Técnico Sul, incluem o Edifício de Processamento Horizontal de Veículos de Lançamento (BL1), o Edifício de Montagem Vertical de Veículos de Lançamento (BLS), o Edifício de Operações Não Perigosas (BS2), o Edifício de Operações Perigosas de Veículos Tripulados (BS3) , Edifício de Verificação e Processamento de Motores de Propelente Sólido (BM), o Edifício de Processamento e Armazenamento de Pirotecnia (BP1, BP2) e o Centro de Controle de Lançamento (LCC). A instalação foi projectada para receber o foguetão lançador e a sua carga útil para montagem e testes, antes de serem movidos para a plataforma de lançamento.

Para uma missão dos veículos tripulados Shenzhou, a campanha de lançamento geralmente começa aproximadamente dois meses antes do lançamento. O veículo de lançamento CZ-2F é transportado em segmentos separados desde as Instalações 211 em Pequim até o Centro Técnico Sul via caminho-de-ferro. Após a sua chegada, o veículo é mantido no Edifício de Processamento Horizontal do Veículo de Lançamento para testes iniciais e preparação. O núcleo do veículo e os propulsores laterais são então montados dentro do BLS (o Edifício de Montagem Vertical).

A cápsula Shenzhou é transportada de Pequim para a Base Aérea de Dingxin por um avião de carga, e depois transportada por estrada até o local de lançamento, a 76 km de distância. A cápsula espacial é então integrada e testada no Edifício de Operação Não Perigosa de Naves Espaciais (BS2) e, em seguida, movida para o Edifício de Operação Perigosa de Veículos Tripulados (BS3) para abastecimento de combustível. O próximo passo é integrar a cápsula com a carenagem de carga e instalar a torre de escape emergência. A cápsula é então transportada para o BLS, onde é integrada no seu foguetão.

O edifício de integração vertical, oficialmente conhecido como o Edifício de Montagem Vertical do Veículo de Lançamento (BLS) serve como uma plataforma para a integração e montagem dos lançadores e da sua carga útil. O edifício é composto por duas salas de processamento vertical de 26,8 x 28 x 81,6 metros, cada uma equipada com uma plataforma móvel de 13 andares e uma grua de carga de 50 t. As duas salas permitem o processamento simultâneo de dois veículos lançadores. Na época da construção, dizia-se ser o edifício de betão armado de piso único mais alto do mundo, com o tecto de betão armado mais alto do mundo (86,1 metros acima do solo) e mais pesado (13.000 t).

O Centro de Controle de Lançamento (LCC) localizado ao lado do BLS monitoriza e coordena a campanha de lançamento. O centro é dividido em quatro salas funcionais: a Sala de Controle do Veículo de Lançamento, a Sala de Controle da Cápsula Espacial, a Sala de Comando de Exame e Lançamento e o Centro de Comunicações.

LançamentoVeículo PlataformaDataHora (UTC)Carga
2026-080Lijian-1 (Y12)LC-43/13014/Abr/2604:03Jilin-1 Gaofen 07A02

Jilin-1 Gaofen 07A03

Jilin-1 Gaofen 07A04

Jilin-1 Gaofen 07B02

Jilin-1 Gaofen 07B03

Jilin-1 Gaofen 07B04

Jilin-1 Gaofen 07C02

Jilin-1 Gaofen 07C03

2026-084Chang Zheng-4C (Y41)LC-43/9417/Abr/2604:10Daqi-2
2026-105Zhuque-2E (Y5)LC-43/96A14/Mai/2603:00Simulador de Massa
2026-106Lijian-1 (Y13)LC-43/13014/Mai/2604:33Taijing-3 05A

Taijing-3 05B

Tianyi-50

Tianyan-27

Jilin-1 Gaofen 03D55

2026-113Chang Zheng-2F/G (Y23)LC-43/9124/Mai/2615:08:36,452Shenzhou-23
2026-121Chang Zheng-12B (Y1) 01/Jun/2608:40Qianfan Jigui-08 01

Qianfan Jigui-08 02

2026-128Zhuque-2E (Y6)LC-43/96A09/Jun/2608:23:05,281Qianfan DTC 01

Zhongguo Yidong 02

2026-134Lijian-1 (Y14)LC-43/13015/Jun/2603:44Jilin-1 Gaofen-04D01

Jilin-1 Gaofen-04D02

Jilin-1 Gaofen-05D01

Jilin-1 Gaofen-05D01

Jilin-1 Gaofen-07C04

Jilin-1 Gaofen-07D02

Jilin-1 Gaofen-07D03

Jilin-1 Gaofen-07D04

2026-138Kuaizhou-11 (Y13)LC-43/95A17/Jun/2603:38Weili Kongjian 05A

Weili Kongjian 05B

Weili Kongjian 05C

Weili Kongjian 05D

Weili Kongjian 05E

Weili Kongjian 05F

Weili Kongjian 05G

Weili Kongjian 05H

2026-149Chang Zheng-4B (Y63?)LC-43/9401/Jul/2623:46Haiyang-2E

 

Após a chegada das empresas privadas, o centro espacial espandiu-se com o desenvolvimento de novas estruturas e plataformas de lançamento. Esta zona é denominada “Zona de Testes de Inovação Aeroespacial Comercial de Dongfeng” (Dongfeng Shangye Hangtian Chuangxin Shiyan Qu, “东风商业航天创新试验区”).

A empresa Landspace desenvolveu a sua zona de Lançamento de Oxigénio Liquido e Metano (蓝箭航天液氧甲烷发射场), sendo composta pelas plataformas LC-96A (Zhuque-2, e Zhuque-3 VTVL), bem como a LC-96B (Zhuque-3).

A empresa CAS Space desenvolveu a sua zona de lançamento para foguetões a combustível sólido (中科宇航固体火箭发射工位), sendo este o complexo LC-130 para o foguetão Lijian-1, com uma infraestrutura de lançamento vizinha para o veículo Lijian-2.

Foi também criado o Local de testes de foguetões reutilizáveis (可重复使用火箭试验阵地), o Complexo LC-120, utilizado para os testes VTVL do CASC-SAST, para o lançador Tianlong-2 e Tianlong-3 da Space Pioneer e para o lançador Shuangquxian-2 da I-Space’s, que incluí uma nova plataforma de aterragem para os testes a grande altitude realizados pelo veículo VTVL do SAST.

O Complexo de Lançamento da série de foguetões Chang Zheng-12 é denominada “Estação de Lançamento de Testes e Investigação de Foguetões Comerciais da China Jiuquan” (中国商火酒泉研试发射工位) está também localizado na Zona de Testes de Inovação Aeroespacial Comercial de Dongfeng

Imagens: Internet Chinesa e arquivo fotográfico do autor (quando não assinaladas)

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