
A empresa chinesa CAS Space realizou com sucesso o lançamento inaugural do seu novo foguetão Lijian-2.
O lançamento foi realizado às 1100UTC do dia 30 de Março de 2026 a partir do Complexo de Lançamento LC140 da Zona de Testes de Inovação Aeroespacial Comercial de Dongfeng, situada no Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, Mongólia Interior.
O lançamento decorreu como previsto e serviu também para colocar em órbita o protótipo de um novo veículo de carga comercial, o Qingzhou, que no futuro será utilizado para o transporte logístico para a estação espacial Tiangong e não só.
Segundo a Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China (CASC), esta missão inaugural verificou principalmente três tecnologias-chave: tecnologia de aplicação da configuração CBC, tecnologia de design e processo de fabrico da estrutura do tanque de propelente cilíndrico liso de grande diâmetro e tecnologia de separação horizontal da carenagem de grande porte. O veículo lançador Lijian-2 pode suportar configurações agrupadas de 0/2/4 propulsores laterais auxiliares, o que significa uma configuração flexível com um eixo de lançamento simples ou agrupado com 2/4 propulsores auxiliares líquidos, abrangendo de forma abrangente a gama de capacidade de carga útil de 2 a 20 toneladas para órbita terrestre baixa.



A bordo seguiram os satélites Xinzhengcheng-01, Xinzhengcheng-02 e Toianshi-01.
Desenvolvido pela China Satellite Technology Group Corporation, o satélite Xinzhengcheng-01 (新征程01) funciona como um “mini laboratório espacial” e irá realizar múltiplos testes em órbita e demonstrações de aplicações com base em dispositivos experimentais comerciais disponíveis no mercado. O satélite possui uma cápsula inteligente com janelas, equipada com câmaras de detecção remota multiangulares tanto interiores como exteriores. A cápsula inclui ainda ecrãs e iluminação, mini compartimentos de carga e uma ferramenta para manuseamento e movimentação de artigos.
O satélite Xinzhengcheng-02 (新征程02) – também designado “Baixiang Kongjian Shiyan Feichuan” (“白象号空间试验飞船”) – foi desenvolvido de forma independente pela Academia de Inovação para Microssatélites da Academia Chinesa de Ciências. Tem uma capacidade de voo orbital de três anos, pesa 4.200 kg e adopta um design de configuração integrada de módulo único. A nave espacial experimental utiliza novas tecnologias e processos nas suas secções seladas, sistema de propulsão, IMU laser, etc., e apresenta projetos para encontro autónomo de naves espaciais de grande inércia, capacidade de permanência prolongada, design integrado e distribuído a bordo, distribuição centralizada de energia e design de sistemas de energia com capacidade escalável, bem como planeamento de missões experimentais em ciências espaciais. Estes projctos permitem reduzir os custos de desenvolvimento, garantindo a fiabilidade do sistema.
Durante esta missão, o veículo logístico transportou 27 cargas experimentais, totalizando 1.020 kg — abrangendo reservas tecnológicas, testes de verificação, exploração científica e até artigos educativos. Estes itens irão realizar experiências em órbitas entre os 200 km e os 600 km.
Após entrar em órbita, o protótipo do veículo Qingzhou irá realizar verificações tecnológicas cruciais em voo orbital. Posteriormente, a nave de carga Qingzhou à escala real acoplará com a estação espacial Tiangong e prestará serviços de transporte de carga para a estação.
O satélite Toianshi 01 (天视卫星01) é um satélite educacional.

A CAS Space
Com a marca comercial “CAS Space“, a empresa Guangzhou Zhongke Aerospace Exploration Technology Co., Ltd. (广州中科宇航探索技术有限公司) foi fundada em Abril de 2018 em Pequim, estando agora sedeada em Guangzhou, China (o seu centro de investigação continua situado nos arredores da capital chinesa). A empresa pertence em grande parte à Academia de Ciências da China.
Desenvolvendo a família de lançadores Lijian, a CAS Space tem como objectivo concretizar projetos de investigação da Academia de Ciências da China e dedica-se à exploração espacial, à investigação e à prestação de serviços de lançamento.
A empresa desenvolveu as suas próprias instalações de lançamento, integração e processamento no Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, sendo a sua plataforma de lançamento considerada como a primeira plataforma de lançamento na China construída para uso comercial. A empresa possui várias subsidiárias, incluindo uma subsidiária sediada em Guangzhou, responsável pela operação da sua base industrial e de tecnologia aeroespacial, e uma subsidiária sediada em Xi’an para sistema de propulsão.
O foguetão Lijian-2
O foguetão Lijian-2 (力箭二号), é o primeiro veículo de lançamento da China com uma configuração de “Núcleo de Impulso Comum” (Commom Booster Core, CBC), apresentando um diâmetro de estágio central universal de 3,35 metros, um diâmetro de carenagem de 4,2 metros no seu voo inaugural, um comprimento total de 53 metros, um peso no lançamento de 625.000 kg, um impulso no lançamento de 753 toneladas, uma capacidade de carga útil de 8.000 kg para uma órbita heliosíncrona de 500 km e uma capacidade de carga útil de 12.000 kg para uma órbita terrestre baixa a 200 km de altitude. Possui vantagens como a elevada capacidade de carga útil, elevada fiabilidade intrínseca, forte capacidade de fabrico, operação simples e conveniente, grande potencial de expansão e reutilização.
O Lijian-2 foi desenvolvido com os objectivos de elevada capacidade de carga útil, baixo custo e elevada frequência de utilização. Os seus principais componentes são concebidos como módulos independentes, permitindo a reutilização eficiente e a combinação flexível de diferentes módulos, melhorando assim a eficiência de I&D e produção. Simultaneamente, pode ser combinado com o estágio superior Lixun-1, desenvolvido independentemente pela CAS Space, para expandir ainda mais significativamente as órbitas que o foguetão pode cobrir, atendendo às necessidades de implantação de múltiplos satélites em órbitas médias e altas, incluindo órbita geostacionária, órbita de transferência geoestacionária e órbita de transferência geoestacionária.
O lançador visa satisfazer as necessidades de baixo custo e alta frequência de utilização. Tanto o primeiro como o segundo estágio possuem tanques de propelente com uma estrutura cilíndrica lisa. Através do desenvolvimento de um modelo preciso de análise e cálculo estrutural para o tanque de propelente cilíndrico liso, foi alcançado um coeficiente estrutural de pelo menos 0,92, resultando no tanque de propelente cilíndrico liso com a maior pressão axial da China. Isto também fornece suporte técnico para a produção em massa de tanques de propelente de baixo custo e alta frequência de utilização.
Para melhorar a adaptabilidade dos satélites e a fiabilidade da separação, o sistema de separação da carenagem do veículo lançador Lijian-2 emprega uma tecnologia de separação de projécteis, utilizando três propulsores de gás frio independentes como fontes de energia de separação, garantindo redundância e tolerância a falhas na energia de separação.
O estágio central está equipado com três motores YF-102 que desenvolvem 85 toneladas, consunindo oxigénio líquido e querosene. Prevê-se que em 2028 seja tentada a sua primeira recuperação.
O sistema de alimentação auxiliar secundário é um sistema de controlo de atitude de unidade única, alimentado por extrusão de hélio a pressão constante. O sistema é composto principalmente por três tanques de meio diafragma de borracha, uma válvula de explosão elétrica, uma válvula redutora de pressão, oito dispositivos de impulso de 300 N, quatro dispositivos de impulso de 100 N, sistema de controlo térmico e proteção térmica, entre outros componentes.


Na fase inicial do lançamento os nove motores YF-102, incluindo o primeiro estágio e os propulsores auxiliares, fornecem 766 toneladas de tração na descolagem.
| Lançamento | Veículo | Data | Hora (UTC) | Local Lançamento | Carga |
| 2026-066 | Y1 | 30/Mar/26 | 11:00 | Jiuquan, LC140 | Xinzhengcheng-01
Xinzhengcheng-02 Toianshi 01 |
A carenagem de protecção, concebida pela CAS Space e fabricada pela Astar, é leve e feita inteiramente de material compósito de fibra de carbono. Tem 4,2 m de diâmetro e 12,19 m de comprimento. Adopta, de forma inovadora, um processo de moldação integrada para as secções cilíndricas e cónicas invertidas, bem como um projecto de rigidez localizada adaptado ao método de separação de projéteis. É também a primeira vez na China que a tecnologia de separação de projéteis é utilizada num esquema de separação de carenagens de grande diâmetro. O sistema de propulsão a gás frio é utilizado como fonte de energia para a separação.
O Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan
Criado em 1960, no alvorecer da Era Espacial, o Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan (酒泉卫星发射中心 – Jiǔquán Wèixīng Fāshè Zhōngxīn) está localizado no noroeste da China, a cerca de 150 km a Sul da fronteira entre a China e a Mongólia.
O centro foi construído para apoiar o teste de mísseis balísticos da China e em Abril de 1970, um míssil balístico de alcance intermediário modificado lançado a partir de Jiuquan colocou em órbita o primeiro satélite artificial da China, o Dongfanghong-1. Desde então, Jiuquan tem sido usado para lançamentos orbitais da China para a órbita terrestre baixa, principalmente para satélites de observação da Terra e de reconhecimento militar.
O centro consiste numa série de plataformas de lançamento na Mongólia Interior e várias zonas de impacto alvo nas províncias vizinhas de Gansu e Xinjiang, cobrindo uma área total de 2.800 km2. A área de lançamentos, localizada no Condado de Ejin-Banner, parte da Liga de Alashan da Região Autónoma da Mongólia Interior, inclui uma base residencial principal (Zona 10), vários complexos de lançamento, áreas técnicas e instalações de instrumentação espalhadas por de 50 km ao longo do rio Ruoshui, na borda ocidental do deserto de Badain Jaran. A região tem um clima tipicamente interior, principalmente seco e ensolarado, mas frio no Inverno, com uma temperatura média anual de 8,7 ° C. Existem cerca de 260 a 300 dias por ano adequados para actividades de lançamento espacial.
Durante a Guerra Fria, a Base 20 foi identificada pelos serviços secretos Ocidentais como o “Centro Espacial e de Testes de Mísseis Shuang Cheng Tzu”. Nos anos 80, o centro foi parcialmente desclassificado e abriu a sua porta para visitantes estrangeiros. Como resultado, tornou-se oficialmente conhecido como o Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, em homenagem a uma pequena cidade a 200 km de distância, na vizinha Província de Gansu. Isto, e tal como aconteceu com Baikonur, causou alguma confusão, já que o centro de lançamento não está realmente situado dentro da jurisdição da cidade de Jiuquan. É possível que esse engano tenha sido uma tentativa deliberada de disfarçar sua verdadeira localização. O centro continua a ser uma instalação militar, conhecida como a 20.ª Base de Testes e Treino na sua designação militar.
O centro de lançamento operou um único local de lançamento conhecido como “Complexo de Lançamento 3” até 1966, quando o novo “Complexo de Lançamento 2” (Zona de Lançamentos Norte) ficou operacional. O local de lançamento tornou-se o principal centro de lançamento de mísseis e espaciais da China desde o início dos anos 70, tendo levado a cabo uma série de testes de mísseis balísticos intercontinentais e actividades de lançamento de satélites. Este local de lançamento foi desactivado em 1996 após 30 anos de serviço e três anos depois, um novo local de lançamento (Zona de Lançamentos Sul) foi comissionado em 1999 para apoiar os lançamentos dos veículos tripulados Shenzhou. Uma segunda plataforma de lançamento para missões de lançamento de satélites não tripulados foi adicionada em 2003. Mais instalações de lançamento para lançadores de combustível sólido foram adicionadas por volta de 2012.
O Complexo de Lançamento 3 (三号 发射 阵地) foi a primeira instalação de lançamento permanente em Jiuquan. O complexo de lançamento consistia em duas plataformas de lançamento de betão armado, com uma escala no solo para medir a quantidade de propulsor adicionado ao míssil. Não havia torre umbilical nas plataformas de lançamento. Os mísseis eram transportados para a sua posição de lançamento em veículos rebocados por camiões, que também servia como suporte de lançamento. O complexo de lançamento tornou-se operacional em 1960 para apoiar o teste de mísseis balísticos de curto e médio alcance, e foi desactivado no final dos anos 1960.

A Zona de Lançamentos Norte, também conhecida como Complexo de Lançamento 2 (二号发射 阵地), foi construída na década de 1960 para apoiar o teste de mísseis balísticos de alcance intermédio a intercontinental e lançamento de satélites. O complexo de lançamento consistia em duas plataformas de lançamento (“5020” e “138”), uma torre de serviço móvel e uma sala de controlo subterrânea. O processamento de veículos e a sua verificação eram levados a cabo na área técnica norte (Zona 7) localizada a 22 quilómetros a Sul do complexo de lançamento. O local de lançamento foi desactivado em 1996 e desde então tornou-se uma atracção turística.
A Plataforma de Lançamento 5020 (também designada LC2A) foi activada em Dezembro de 1966 para ser utilizada pelo míssil balístico de alcance intermédio DF-4 Dongfeng-4 e pelo foguetão CZ-1 Chang Zheng-1. A plataforma tem uma torre umbilical fixa com seis pares de braços oscilantes, que serviram como plataformas operacionais para permitir o acesso ao veículo lançador, e também forneciam energia, gases e propelentes para o veículo e para a carga útil. Os braços oscilantes eram recolhidos segundos antes do lançamento. O lançador era montado numa mesa de lançamento de aço, abaixo da qual existia buraco de terra arredondado que levava ao deflector de chamas de cimento armado. Durante o lançamento, a exaustão dos gases do veículo de lançamento era conduzida para o deflector que se encontrava cheio de água e era direccionada para longe do veículo para o ar livre. O primeiro lançamento desta plataforma foi realizado a 26 de Dezembro de 1966 e o último lançamento em 21 de Maio de 1980.
A Plataforma de Lançamento 138 (LC2B) foi adicionada ao Complexo e Lançamento 2 em 1970 para suportar os veículos de lançamento mais pesados DF-5 Dongfang-5, CZ-2C Chang Zheng-2C e CZ-2D Chang Zheng-2. A torre umbilical tinha 45 metros de altura e 7,8 metros de largura. A torre era equipada com um elevador com capacidade de carga de 1 tonelada e possuía 5 andares de plataformas rotativas, além de 2 andares de plataformas móveis que permitiam o acesso ao lançador. Estava equipada com um sistema de verificação do lançador semiautomático e um sistema de abastecimento de propelente totalmente automatizado. O primeiro lançamento desta plataforma foi realizado a 10 de Setembro de 1971 e o último lançamento em 20 de Outubro de 1996.
A torre de serviço móvel fornece uma plataforma operacional para montagem de foguetões e integração dos satélites. O corpo da torre é uma estrutura de aço de 11 andares com 55,23 metros de altura, 30,52 metros de comprimento e 20,9 metros de largura. A torre está equipada com uma ponte rolante com capacidade de elevação de 15 toneladas no gancho primário e 5 toneladas no gancho secundário. Existiam dois elevadores com capacidade de elevação de 500 kg nos dois lados da torre. Existiam seis andares na plataforma operacional no corpo da torre. O processamento de satélites era feito numa “sala limpa” localizada de 29 metros a 42 metros dentro do corpo da torre.

O centro de controle de lançamento subterrâneo era responsável por monitorizar e controlar remotamente a montagem do veículo de lançamento e dos satélites, coordenando as comunicações entre o complexo de lançamento e a área técnica, a previsão do tempo e a assistência médica. Consistia numa sala de tiro, três salas de teste de satélites e duas salas de teste de veículos lançadores, apoiadas por fonte de alimentação, sistema de ar condicionado e sistema de comunicação.
O Centro Técnico Norte (Zona 7), localizado a 22 quilómetros a Sul do local de lançamento, era a área de lançamento e processamento de foguetes e satélites. Os veículos lançadores e satélites eram transportados a partir dos seus locais de fabrico para o centro técnico via caminho-de-ferro. Depois de concluído o processamento inicial, os diferentes estágios dos lançadores eram transportadas em reboques rebocados por camião até à plataforma de lançamento, onde eram içadas para a posição na plataforma de lançamento, verificados e abastecidas.
A estrutura central do centro técnico era o complexo de processamento de veículos de lançamento e de cargas espaciais. O edifício consistia numa sala de processamento de 90 x 8 metros para preparação dos foguetões e satélites e uma sala de processamento de 24 x 8 metros para abastecimento de satélites. Havia também uma sala limpa para testes dos satélites. Os estágios dos lançadores e os satélites eram transportados para o edifício através de uma linha férrea dedicada. Um segundo edifício no centro era o Edifício de Verificação e Processamento de Motores de Propulsão Sólida, onde os motores de prepolente sólido nos satélites eram preparados.
A Zona de Lançamentos Sul é actualmente o único complexo de lançamento activo em Jiuquan. É composto por duas plataformas de lançamento (“921” e “603”) no Complexo de Lançamento LC43 e um centro técnico para processamento e verificação.

A Plataforma de Lançamento 91 (SLS-1), também conhecida como “Plataforma Shenzhou”, ou Plataforma 921, (Longitude: 100 ° 17.4’E; Latitude: 40 ° 57.4’N; Elevação acima do nível do mar: 1.073 m) é a principal plataforma de lançamento. A plataforma de lançamento é dedicada ao lançamento das missões do programa espacial tripulado utilizando o veículo de lançamento CZ-2F Chang Zheng-2F. As instalações da plataforma de lançamento incluem uma torre umbilical, uma plataforma de lançamento móvel, um par de condutas de chamas, uma sala de equipamentos subterrâneos, armazéns de propulsores e oxidantes, sistema de abastecimento de foguetes, fonte de alimentação, fornecimento de gás e sistema de comunicação.

A torre umbilical é uma estrutura de aço com 11 andares e 75 metros de altura, projectada para fornecer a carga de propelente e drenagem, gás, energia e ligações de comunicação para o veículo lançador e para a sua carga. Na torre existem instalações para verificações antes do lançamento, entrada da tripulação e saída de emergência. A torre está equipada com um guindaste de carga, um elevador de carga e um elevador à prova de explosão para a tripulação em caso de emergência. Em caso de emergência, um sistema de escape de lona está disponível para os astronautas saírem da plataforma de lançamento. A fonte de alimentação e outros equipamentos de suporte estão localizados dentro de uma sala subterrânea por debaixo da torre umbilical.
A torre umbilical é composta por uma estrutura fixa e um par de plataformas giratórias de seis andares. Uma vez chegado à plataforma de lançamento, as plataformas giratórias são deslocadas para “abraçar” o foguetão e assim permitir que os procedimentos de abastecimento e verificações finais sejam conduzidas. A torre também contém uma área ambientalmente controlada e protegida para os astronautas entrarem na cápsula espacial. As plataformas rotativas são abertas uma hora antes do lançamento. Quatro braços oscilantes fornecem conexões para electricidade, gases e fluidos ao lançador e são recolhidos alguns minutos antes do lançamento.
Durante o lançamento, as chamas e a exaustão de alta temperatura dos motores do foguetão são direccionadas para a vala de chamas de betão armado através de um grande buraco redondo sob a plataforma de lançamento móvel. As chamas e gases são então desviados do veículo de lançamento através de dois canais de chama rectangulares localizados em ambos os lados da plataforma de lançamento.
A plataforma de lançamento móvel transporta o foguetão desde o edifício de integração e montagem de veículos situado na área técnica até a torre umbilical. A plataforma tem 24,4 metros de comprimento, 21,7 metros de largura e 8,34 metros de altura, e pesa 750 t. Move-se em carris de 20 metros de largura a uma velocidade máxima de 25 m/min, com uma taxa de aceleração inferior a 0,2 m/s. A plataforma demora 60 minutos para completar a viagem de 1.500 metros entre o edifício de montagem e a plataforma de lançamento.
A Plataforma de Lançamento 94 (SLS-2), também conhecido como “Plataforma Jianbing” (ou Plataforma 603), foi comissionada em 2003 para suportar lançamentos de satélites não tripulados para a órbita terrestre baixa usando os veículos de lançamento CZ-2C, CZ-2D e CZ-4B Chang Zheng-4B. As instalações da plataforma incluem uma torre umbilical de betão armado e um único canal de chamas. A plataforma adoptou um método de lançamento tradicional, onde o veículo de lançamento é montado verticalmente usando um guindaste para içar cada estágio. O veículo de lançamento é verificado na vertical, abastecido e, posteriormente, lançado.

As instalações de apoio da Zona de Lançamentos Sul, colectivamente conhecidas como Centro Técnico Sul, incluem o Edifício de Processamento Horizontal de Veículos de Lançamento (BL1), o Edifício de Montagem Vertical de Veículos de Lançamento (BLS), o Edifício de Operações Não Perigosas (BS2), o Edifício de Operações Perigosas de Veículos Tripulados (BS3) , Edifício de Verificação e Processamento de Motores de Propelente Sólido (BM), o Edifício de Processamento e Armazenamento de Pirotecnia (BP1, BP2) e o Centro de Controle de Lançamento (LCC). A instalação foi projectada para receber o foguetão lançador e a sua carga útil para montagem e testes, antes de serem movidos para a plataforma de lançamento.
Para uma missão dos veículos tripulados Shenzhou, a campanha de lançamento geralmente começa aproximadamente dois meses antes do lançamento. O veículo de lançamento CZ-2F é transportado em segmentos separados desde as Instalações 211 em Pequim até o Centro Técnico Sul via caminho-de-ferro. Após a sua chegada, o veículo é mantido no Edifício de Processamento Horizontal do Veículo de Lançamento para testes iniciais e preparação. O núcleo do veículo e os propulsores laterais são então montados dentro do BLS (o Edifício de Montagem Vertical).
A cápsula Shenzhou é transportada de Pequim para a Base Aérea de Dingxin por um avião de carga, e depois transportada por estrada até o local de lançamento, a 76 km de distância. A cápsula espacial é então integrada e testada no Edifício de Operação Não Perigosa de Naves Espaciais (BS2) e, em seguida, movida para o Edifício de Operação Perigosa de Veículos Tripulados (BS3) para abastecimento de combustível. O próximo passo é integrar a cápsula com a carenagem de carga e instalar a torre de escape emergência. A cápsula é então transportada para o BLS, onde é integrada no seu foguetão.
O edifício de integração vertical, oficialmente conhecido como o Edifício de Montagem Vertical do Veículo de Lançamento (BLS) serve como uma plataforma para a integração e montagem dos lançadores e da sua carga útil. O edifício é composto por duas salas de processamento vertical de 26,8 x 28 x 81,6 metros, cada uma equipada com uma plataforma móvel de 13 andares e uma grua de carga de 50 t. As duas salas permitem o processamento simultâneo de dois veículos lançadores. Na época da construção, dizia-se ser o edifício de betão armado de piso único mais alto do mundo, com o tecto de betão armado mais alto do mundo (86,1 metros acima do solo) e mais pesado (13.000 t).
O Centro de Controle de Lançamento (LCC) localizado ao lado do BLS monitoriza e coordena a campanha de lançamento. O centro é dividido em quatro salas funcionais: a Sala de Controle do Veículo de Lançamento, a Sala de Controle da Cápsula Espacial, a Sala de Comando de Exame e Lançamento e o Centro de Comunicações.
| Lançamento | Veículo | Plataforma | Data | Hora (UTC) | Carga |
| 2025-296 | Kuaizhou-11 (Y8) | LC43/95A | 13/Dez/25 | 01:08 | Dier-5 B300-L02
Xiwang-5 Fase 2 |
| 2025-309 | Chang Zheng-12A (Y1) | 23/Dez/25 | 02:00 | Segundo estágio em órbita | |
| 2025-315 | Chang Zheng-4B (Y69) | LC43/94 | 30/Dez/25 | 04:12 | Tianhui-7 |
| 2026-009 | Chang Zheng-2C (Y76) | LC43/94 | 15/Jan/26 | 04:01 | AlSat-3A |
| 2026-F03 | Gushenxing-2 (Y1) | LC43/95A | 17/Jan/26 | 04:08 | Zidingxiang-3
?? |
| 2026-021 | Chang Zheng-2C | LC43/94 | 31/Jan/26 | 04:01 | AlSat-3B |
| 2026-024 | Chang Xheng-2F/T (Y6) | LC43/91 | 07/Fev/26 | 03:58 (?) | Ke Chongfu Shiyong Shiyan Hangtian Qi 4 |
| 2026-052 | Kuaizhou-11 (Y7) | LC43/95A | 16/Mar/26 | 04:12 | Juntian-01 04A
Dongpo-11 Dongpo-12 Dongpo-16 Yuxing-3 05 Yuxing-3 06 Weitong-1 01 Xiguang-1 06 |
| 2026-064 | Chang Zheng-2C/YZ-1S | LC43/94 | 27/Mar/26 | 04:11 | Shiyan-33 |
| 2026-066 | Lijian-2 (Y1) | LC140 | 30/Mar/26 | 11:00 | Xinzhengcheng-01
Xinzhengcheng-02 Toianshi-01 |
Imagens: Internet Chinesa e arquivo fotográfico do autor (quando não assinaladas)