
As primeiras imagens da Lua captadas pelos astronautas da missão Artemis-II durante o seu histórico voo de teste revelam regiões nunca antes vistas pelos seres humanos, incluindo um raro eclipse solar no espaço.
Divulgadas no dia 7 de Abril, as imagens foram captadas pelos astronautas no dia anterior durante o sobrevoo de sete horas da missão pelo lado oculto da Lua, marcando o regresso da humanidade às proximidades lunares e abrindo caminho para a obtenção de uma grande quantidade de dados científicos.
Os astronautas da NASA Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o astronauta da CSA (Agência Espacial Canadiana) Jeremy Hansen utilizaram um conjunto de câmaras para tirar milhares de fotografias. A agência divulgou várias imagens, sendo esperadas mais nos próximos dias, uma vez que os tripulantes percorreram mais de metade da viagem e estão agora a caminho de casa, rumo à Terra.
“Os nossos quatro astronautas da Artemis II — Reid, Victor, Christina e Jeremy — levaram a Humanidade numa viagem incrível à volta da Lua e trouxeram de volta imagens tão belas e repletas de ciência que inspirarão as gerações futuras”, afirmou a Nicky Fox, administradora associada da Direção de Missões Científicas da NASA, em Washington.
Durante o sobrevoo lunar, a tripulação documentou crateras de impacto, antigos fluxos de lava e fraturas na superfície que ajudarão os cientistas a estudar a evolução geológica da Lua. Monitorizaram as diferenças de cor, brilho e textura em todo o terreno, observaram o pôr e o nascer da Terra e captaram imagens da coroa solar durante um eclipse. A tripulação registou ainda seis flashes de impacto de meteoroides na escura superfície lunar.
Os cientistas já estão a analisar as imagens, o áudio e os dados recebidos para refinar o momento e a localização destes eventos e compará-los com observações de astrónomos amadores. As novas imagens ajudarão também a NASA a compreender melhor a geologia da Lua e a orientar futuras missões de exploração e ciência, que lançarão as bases para uma presença duradoura na Lua antes das futuras missões de astronautas a Marte.
“Foi extraordinário ouvir a tripulação descrever as vistas deslumbrantes durante o sobrevoo”, disse Jacob Bleacher, cientista-chefe de exploração da NASA na sede da agência. “A princípio, as descrições não correspondiam exatamente ao que víamos nos nossos ecrãs. Agora que estão a ser obtidas imagens de alta resolução, podemos finalmente viver os momentos que eles tentavam partilhar e apreciar verdadeiramente o retorno científico proporcionado por estas imagens e pelas nossas outras pesquisas nesta missão.”
Algumas imagens

Captada pela tripulação da Artemis-II durante o seu sobrevoo lunar a 6 de Abril de 2026, esta imagem mostra a Lua a eclipsar completamente o Sol. Na perspectiva da tripulação, a Lua parece grande o suficiente para bloquear completamente o Sol, criando quase 54 minutos de totalidade e ampliando a visão muito para além do que é possível da Terra. A coroa solar forma um halo brilhante em torno do disco lunar escuro, revelando detalhes da atmosfera exterior do Sol, normalmente escondidos pelo seu brilho. São também visíveis estrelas, geralmente demasiado ténues para serem vistas ao fotografar a Lua, mas com a Lua na escuridão, as estrelas são facilmente observadas. Este ponto de vista único proporciona tanto uma imagem impressionante como uma oportunidade valiosa para os astronautas documentarem e descreverem a coroa solar durante o regresso da humanidade ao espaço profundo. O ténue brilho do lado visível da Lua é visível nesta imagem, tendo sido iluminada pela luz refletida da Terra.

A superfície lunar preenche o enquadramento com detalhes nítidos, como se vê durante o sobrevoo lunar da missão Artemis II, enquanto a Terra, ao longe, surge em segundo plano. Esta imagem foi captada às 2241UTC, do dia 6 de Abril de 2026, apenas três minutos antes da nave Orion e da sua tripulação passarem por trás da Lua e perderem o contacto com a Terra durante 40 minutos antes de reaparecerem do outro lado. Nesta imagem, a porção escura da Terra encontra-se em período nocturno, enquanto que, no seu lado diurno, são visíveis nuvens rodopiantes sobre a região da Austrália e Oceânia. Em primeiro plano, a cratera Ohm exibe bordos em socalcos e um fundo relativamente plano marcado por picos centrais — formados quando a superfície se elevou durante o impacto que criou a cratera.

A tripulação da Artemis-II captou uma porção da Lua a emergir no terminador – a fronteira entre o dia e a noite lunar – onde a luz solar rasante projeta sombras longas e dramáticas sobre a superfície. Esta luz rasante acentua a topografia acidentada da Lua, revelando crateras, cristas e bacias com detalhes impressionantes. Destacam-se formações ao longo do terminador, como a Cratera Jule, a Cratera Birkhoff, a Cratera Stebbins e as terras altas circundantes. Nesta perspectiva, a interacção entre a luz e a sombra realça a complexidade da superfície lunar de formas não visíveis sob iluminação plena. A imagem foi captada cerca de três horas após o início do período de observação lunar da tripulação, enquanto sobrevoavam o lado oculto da Lua no sexto dia da missão.

O “pôr-da-Terra” captado através da janela da sonda Orion às 2241UTC do dia 6 de Abril de 2026, durante a passagem da tripulação da missão Artemis II pela Lua. Uma Terra azulada e discreta, com nuvens brancas brilhantes, coloca-se atrás da superfície lunar repleta de crateras. A parte escura da Terra está a viver a noite. No lado diurno da Terra, são visíveis nuvens rodopiantes sobre a região da Austrália e Oceânia. Em primeiro plano, a cratera Ohm apresenta bordos em socalcos e um fundo plano interrompido por picos centrais. Os picos centrais formam-se em crateras complexas quando a superfície lunar, liquefeita pelo impacto, é lançada para cima durante a formação da cratera.

Uma vista aproximada da cápsula Orion durante o sobrevoo lunar da tripulação da missão Artemis II, a 6 de Abril de 2026, capta um eclipse solar total, com apenas parte da Lua visível na imagem, enquanto obscurece completamente o Sol. Embora o disco lunar completo se estenda para além da imagem, a ténue coroa solar permanece visível como um suave halo de luz em torno da orla da Lua. Deste ponto de vista no espaço profundo, a Lua parecia grande o suficiente para sustentar quase 54 minutos de totalidade, muito mais tempo do que os eclipses solares totais normalmente observados a partir da Terra. Esta perspectiva recortada enfatiza a escala do alinhamento e revela estruturas subtis na coroa durante o raro e prolongado eclipse observado pela tripulação. O brilho prateado intenso na margem esquerda da imagem é o planeta Vénus. A formação arredondada e cinzento-escura visível ao longo do horizonte lunar entre as posições das 9 e das 10 horas é o Mare Crisium, uma formação visível a partir da Terra. Vemos estas ténues características lunares porque a luz refletida pela Terra fornece a iluminação necessária.
Texto original: NASA’s Artemis II Crew Beams Official Moon Flyby Photos to Earth
Imagens: NASA