
A United Launch Alliance (ULA) levou a cabo o lançamento de dois satélites na missão militar USSF-87.
O lançamento dos satélites GSSAP-7 e GSSAP-8 teve lugar às 0922UTC do dia 12 de Fevereiro de 2026 e foi levado a cabo pelo foguetão Vulcan-VC4S (V005) a partir do Complexo de Lançamento SLC-41 do Cabo Canaveral SFS, Florida.

A bordo da missão USSF-87 (U.S. Space Force 87) encontravam-se dois satélites GSSAP. Os satélites GSSAP são uma série de veículos de vigilância espacial desenvolvidos para as Forças Espaciais dos Estados Unidos pela Orbital Sciences para fornecer uma capacidade operacional de vigilância numa órbita quase geossíncrona para apoiar as actividades de vigilância do U.S. Strategic Command. Os satélites são baseados na plataforma GeoStar-1 da Orbital ATK.
Durante a transmissão em directo do lançamento, foi possível ver que terá ocorrido um problema com um dos propulsores laterais de combustível sólido. Este problema estará possivelmente relacionado com uma perfuração na
garganta do bocal de escape, embora ainda não se saiba se esta situação afectou o nominal desempenho da missão. Pouco depois, enquanto o foguetão realizava a sua manobra de inclinação, o veículo começou a rolar de forma mais acentuada do que o típico para esta fase do voo. O foguetão pareceu contrabalançar a anomalia que ocorrera, com os propulsores a serem ejectados como planeado, a T+1m 37s após o lançamento.
Para além da carga principal constituída pelos satélites Hornet/GSSAP, a missão USSF-87 transportou um anel ESPA. Este dispositivo, fabricado pela Northrop Grumman, contem cargas que a USSF irá utilizar para a realização de investigações, desenvolvimento e treino, com os membros da USSF a utilizar o ESPA para refinar tácticas, técnicas e procedimentos para manobras orbitais de precisão, validando assim a técnicas de resiliências e de protecção na órbita quase geossincronizada.
Os satélites GSSAP
Os dois satélites GSSAP (Geosynchronous Space Situational Awareness Program) apoiam as operações de vigilância espacial do Comando Estratégico dos Estados Unidos como sensores SSN (Space Surveillance Network). Os GSSAP também apoiam as tarefas do Joint Functional Component Command for Space (JFCC SPACE) na obtenção de dados da situação espacial, permitindo assim um seguimento mais preciso e caracterização dos objectos fabricados pelo Homem em órbita terrestre. Os satélites têm um ponto de observação de grande vantagem para observar os objectos espaciais em torno da Terra sem as interferências da situação meteorológica e da atmosfera que pode limitar os sistemas de observação no solo. Os dados provenientes dos GSSAP contribuem de forma única para as previsões orbitais precisas e exactas, aumentando o nosso conhecimento do ambiente na órbita geossíncrona e permitindo um aumento da segurança do voo espacial, incluindo avisos de situações de possíveis colisões entre objectos em órbita.
O GSSAP comunica as suas informações através das estações da rede mundial AFSCN (Air Force Control Network), seguindo para a Base Aérea de Schriever, Colorado, onde as operações de satélite da 50.ª Asa Espacial dirigem as operações diárias de controlo e comando.

Os dois primeiros satélites Hornet (USA-253 GSSAP-1/’Hornet-1′ e USA-254 GSSAP-2/’Hornet-2′) foram colocados em órbita às 2328UTC do dia 28 de Julho de 2014, sendo lançado pelo foguetão Delta-IVM+(4,2) (D368) a partir do Complexo de Lançamento SLC-37B do Cabo Canaveral AFS. Os seguintes satélites (USA-270 GSSAP-3/Hornet-3 e USA-271 GSSAP-4/’Hornet-4′) foram colocados em órbita às 0452UTC do dia 19 de Agosto de 2016, sendo lançado pelo foguetão Delta-IVM+(4,2) (D375) a partir do Complexo de Lançamento SLC-37B do Cabo Canaveral AFS.
Os satélites Hornet-5 e Hornet-6, respectivamente USA-324 (GSSAP-5) e USA-325 (GSSAP-6) foram lançados a 21 de Janeiro de 2022 pelo foguetão Atlas-V/511 (AV-084) a partir do Complexo de Lançamento SLC-41 do Cabo Canaveral SFS.
Lançamento
O lançamento da missão USSF-87 decorreu sem problema com os motores do primeiro estágio do foguetão Vulcan-VC4S a entrarem em ignição a T-4,9s (1) e com o lançador a abandonar a plataforma de lançamento a T+1,0s. A manobra de arfagem, colocando o veículo na trajectória ideal para a missão, teve lugar a T+6,1s. O lançador atingia a velocidade do som a T+47,2s e a zona de máxima pressão dinâmica a T+1m 2,5s.
A separação dos propulsores laterais de combustível sólido ocorre a T+1m 37,2s (2). O final da queima do primeiro estágio (BECO Booster Engine Cut-Off) ocorre a T+4m 57,5s (3), seguindo-se a separação do estágio Centaur-V a T+5m 3,5s (4) e a sua primeira ignição (MES-1 Main Engine Start 1) a T+5m 13,5s (5). A separação da carenagem de protecção ocorria a T+5m 21,5s (6).


Não foi divulgada qualquer informação sobre as fases posteriores da missão devido à sua missão militar.
O foguetão Vulcan
O foguetão Vulcan (ou Vulcan Centaur) aproveita o sucesso comprovado de voo dos lançadores Delta-IV e Atlas-V, ao mesmo tempo que introduz novas tecnologias e recursos inovadores para garantir um serviço de lançamento espacial confiável e acessível. O Vulcan Centaur atenderá a uma ampla gama de mercados, incluindo clientes comerciais, civis, científicos, de carga e de segurança nacional.
A carenagem de protecção fornece um ambiente controlado e seguro para a carga durante o lançamento. Todas as carenagens utilizadas pela ULA são configuradas para o encapsulamento da carga útil fora da plataforma para assim aumentar a segurança da carga e minimizar o tempo na plataforma.
No Vulcan, a carga é encapsulada numa carenagem de carga útil (PayLoad Fairing – PLF) de 5,4 metros de diâmetro, uma estrutura sanduíche em materiais compósitos feita com um núcleo ventilado de favo de mel de alumínio e folhas frontais de grafite e epóxi. A carenagem em bissetriz (concha de duas peças) alberga a caga (ou cargas) a colocar em órbita, com o encaixe de fixação de carga útil (Payload Attach Fitting – PAF) a ser uma estrutura composta em sanduíche semelhante que cria a ‘interface’ de acoplamento da carga ao estágio superior. A carenagem é separada usando um sistema de separação horizontal e vertical livre de detritos com conjuntos de molas e montagem de junta quebradiça. A carenagem de carga útil está disponível nas configurações padrão de 15,5 metros e 21,3 metros de comprimento.
O estágio superior Centaur-V tem 5,4 metros de diâmetro e 11,7 metros de comprimento, com capacidade de propelente de 54.431 kg e os tanques de propelente são construídos em aço inoxidável resistente à corrosão e estabilizados sob pressão. O Centaur-V consome hidrogénio líquido/oxigénio líquido, com dois motores RL10C. O veículo atualizado Vulcan Centaur voa com o estágio Centaur-V atualizado usando motores RL10C-1-1A com extensões de escape fixas. Os tanques criogénicos são isolados com isolamento de espuma vaporizada (SOFI) para gerir a evaporação dos criogénicos durante o voo. Uma prateleira de equipamentos traseira fornece as montagens estruturais para os sistemas eletrónicos do veículo.
O estágio Vulcan Centaur tem 5,4 metros de diâmetro e 33,3 metros de comprimento. Os tanques do estágio são estruturalmente estáveis e
construídos com barris de alumínio em orto grelha e cúpulas de alumínio repuxadas. A propulsão do Vulcan Centaur é fornecida por um par de motores BE-4, cada um produzindo 2.447 kN de impulso. O veículo Vulcan Centaur é controlado por um sistema aviónico que fornece orientação, controlo de voo e funções de sequenciamento do veículo durante as fases de voo do primeiro estágio e do estágio Centaur-V.
Os propulsores laterais de combustível sólido (SRBs) Graphite Epoxy Motors (GEM) 63XL, com diâmetro de 1,60 metros e comprimento de 21,9 metros, são construídos com um composto de grafite-epóxi com o perfil do acelerador projetado no grão propelente.



Os propulsores laterais de combustível sólido queimam por aproximadamente um minuto e meio, e após a queima são descartados do veículo principal. Com a adição de até seis propulsores laterais de combustível sólido, o Vulcan Centaur está disponível em quatro configurações. As variantes de dois e seis propulsores constituem a «oferta padrão», com as variantes zero e quatro propulsores a serem disponibilizadas em missões exclusivas.


A altura do foguetão com a carenagem padrão é de aproximadamente 61,6 metros, sendo de 67,4 metros com a carenagem longa.
O lançador é capaz de colocar cargas entre 3.500 kg e 14.500 kg numa órbita de transferência para a órbita geossincronizada, ou cargas entre 10.800 kg e 27.200 kg para uma órbita terrestre baixa.
O Vulcan será lançado a partir do Complexo de Lançamento SLC-40 do Cabo Canaveral, Florida, ou do SLC-3 da Base das Forças Espaciais de Vandenberg, Califórnia.
A tabela seguinte mostra o desempenho do Vulcan Centaur nas diversas missões que pode desempenhar (GEO – Geosynchronous Earth Orbit = 35.786 km circular a 0.º; GTO – Geosynchronous Transfer Orbit = 35.786 km x 185 km a 27,0. º; LEO-Reference – Low Earth Orbit-Reference = 200 km circular a 28,7. º; LEO-ISS – Low Earth Orbit-International Space Station = 407 km circular a 51,6. º; LEO-Polar – Low Earth Orbit-Polar = 200 km circular a 90. º; MEO – Medium Earth Orbit = 20.368 km circular a 55. º; TLI – Trans-lunar Injection = C3: -2 km2/s2).

O acesso à órbita terrestre continua a ser um obstáculo crítico para muitas missões espaciais. Porém, a ULA oferece soluções flexíveis e económicas para superar essa barreira. Com o multi-manifesto, duas ou mais cargas são integradas num veículo de lançamento utilizando o desempenho disponível e a margem de volume que de outra forma não seriam utilizadas – optimizando a massa em órbita e permitindo o acesso ao espaço de diversas missões num só lançamento. O denominado “Multi-Manifest” num foguetão Vulcan fornece uma solução de lançamento altamente confiável e programada para diversas cargas que vão desde CubeSats até pequenos satélites e muito mais.
Dependendo do tamanho do satélite, o lançamento múltipla num foguetão Vulcan pode ser feita de várias maneiras. O denominado “Aft Bulkhead Carrier” (ABC) faz ‘interface’ na extremidade traseira do estágio superior do Centaur e pode transportar até 24 unidades de CubeSats pesando 80 kg cada. O adaptador de carga útil secundária (anel ESPA – ESPA Ring) está localizado entre o estágio superior e a carga útil primária e pode acomodar de 4 a 6 módulos de carga útil pesando até 318 kg cada. Finalmente, para pequenos satélites que excedem a massa de uma capacidade ESPA, o Multi-Payload Canister System é um recipiente de separação de suporte de carga que pode ser utilizado para transportar um pequeno satélite na parte posterior enquanto suporta um grande satélite tradicional dianteiro.
O estágio Vulcan é propulsionado por dois motores BE-4. O BE-4 (Blue Engine 4) é um motor de combustível líquido que utiliza um ciclo de combustão em estágios rico em oxigénio, tendo sido desenvolvido pela Blue Origin. Este motor foi projectado para produzir um impulso de 2.400 kN ao nível do mar, consumindo gás natural liquidificado LNG (Liquefied Natural Gas) e oxigénio líquido LOX.




Imagens: ULA