
A Rocket Lab USA Inc. colocou em órbita um novo satélite StriX no dia 20 de Março de 2026 a partir do seu centro de lançamentos orbitais na Nova Zelândia.
O lançamento teve lugar às 1810UTC e foi efetuado pelo foguetão Electron/Curie (F84) a partir da Plataforma de Lançamento B do Complexo de Lançamento LC-1 de Onenui (Màhia). Esta foi a missão denominada “Eight Days A Week” e teve como objectivo colocar a sua carga, o satélite StriX-6, numa órbita terrestre baixa a uma altitude de 573 km com uma inclinação de 50,2°. Esta foi a oitava missão para a Synspective que verá mais 19 missões a serem lançadas pela Rocket Lab USA Inc.
O satélite StriX-6 faz parte de uma série de veículos japoneses equipados com radar SAR de banda-X construídos pela Synspective.
Os satélites têm uma massa de 100 kg, sendo mais leves do que os dois protótipos (StriX-α e StriX-β com uma massa de 150 kg). Os satélites possuem dois painéis implantáveis, um lado transportando células solares, enquanto o outro transporta a antena de radar de banda-X.
A constelação de satélite StriX pode obter dados de um determinado alvo com uma resolução no solo de 1 a 3 metros, com polarização única (VV), e uma largura de varrimento de entre 10 km a30 km. Os modos de observação dos satélites são ‘Stripmap’ e ‘Sliding Spotlight’ e cada satélite tem uma antena SAR com um comprimento de 5 metros, sendo armazenada no lançamento.

Os pequenos satélites SAR da Synspective estão equipados com um sensor SAR capaz de observar a superfície da Terra em qualquer condição meteorológica, de dia ou de noite. Insensível a nuvens ou chuva, o SAR é adequado para a monitorização contínua de catástrofes e alterações detalhadas para proteger infraestruturas críticas e outras instalações. Exemplos de casos de utilização incluem:
- detecção de anomalias em estradas, caminhos-de-ferro, energia e outras infra-estruturas, resultando em menores custos de manutenção e risco de acidentes,
- monitorizar as condições de crescimento das culturas e analisar a saúde do solo e da vegetação para ajudar a reduzir os custos e aumentar a eficiência para os agricultores,
- detetar a exploração madeireira e a pesca ilegal nas partes mais remotas do mundo,
- fornecer uma avaliação rápida de danos após inundações, deslizamentos de terra e erupções vulcânicas, bem como uma avaliação de risco de subsidência de terras,
- permitir a monitorização persistente do tráfego marítimo, das atividades fronteiriças e de outras potenciais ameaças à segurança, e promove a sensibilização para o domínio marítimo,
- analisando a cobertura arbórea para calcular a absorção de CO2 e os créditos de carbono.
A Synspective espera ter cerca de 30 satélites em órbita em finais dos anos 20.
O foguetão Electron
O Electron é um lançador a três estágios com um comprimento de 18 metros e um diâmetro de 1,2 metros. Tem uma massa de 13.000 kg no lançamento e é capaz de colocar em órbita terrestre baixa uma carga de 225 kg, sendo a sua carga nominal de 200 kg (a 500 km de altitude). Devido ao seu desenho e fabrico (fibra de carbono compósito e estrutura monocoque), o Electron é elaborado com altos níveis de automatização.
O lançador tira partido de materiais compósitos na sua fuselagem, tendo uma estrutura forte e super leve. Da mesma forma, os tanques de propelente são fabricados em materiais compósitos.
O primeiro estágio está equipado com nove motores Rutherford com uma capacidade de 162 kN, com um impulso específico de 311 s. O motor Rutherford consome querosene e oxigénio líquido, utilizando componentes impressos em 3D.
O motor Rutherford é um motor topo de gama que se alimenta de querosene e oxigénio líquido, sendo especificamente projectado para o foguetão Electron utilizando um ciclo de propulsão inteiramente novo. Uma característica única deste motor são as turbinas eléctricas de alto desempenho que reduzem a sua massa, substituindo assim ‘hardware’ por ‘software’. O motor Rutherford é o primeiro motor do seu tipo que utiliza impressão 3D nos seus componentes principais. Estas características são únicas no mundo para um motor de propelentes líquidos de alto desempenho alimentados por turbobombas eléctricas. O seu desenho orientado para a produção permitem que o Electron seja construído e os satélites lançados com uma frequência sem precedentes.
O segundo estágio do lançador é propulsionado por um motor derivado do motor Rutherford melhorado para um excelente desempenho em condições de vácuo. Consegue desenvolver 22 kN de força e um impulso específico de 343 s.
A sua carenagem tem um comprimento de 2,5 metros com um sistema de separação pneumático e por molas.


A tabela seguinte mostra os últimos dez lançamentos realizados por foguetões Electron (incluí lançamentos suborbitais).
| Lançamento | Veículo Lançador | Local Lançamento
Missão |
Data de Lançamento | Hora
(UTC) |
Carga |
| – | F75 | MARS Wallops Isl, LA-0C (LC-2)
“Prometheus Run” |
18/Nov/25 | 13:00 | VAN |
| 2025-267 | F76 | Onenui (Máhia), LC-1A
“Follow My Speed” |
20/Nov/25 | 12:43 | BlackSky Global 33 |
| 2025-297 | F77 | Onenui (Máhia), LC-1B
“RAISE and Shine” |
14/Dez/25 | 03:09 | RAISE-4 |
| 2025-305 | F78 | MARS Wallops Isl, LA-0C (LC-2)
“Don’t Be Such a Square” |
18/Dez/25 | 05:03:00 | STP-30 |
| 2025-307 | F79 | Onenui (Máhia), LC-1B
“The Wisdom God Guides” |
22/Dez/25 | 06:36 | QPS-SAR 15 |
| 2026-015 | F80 | Onenui (Máhia), LC-1A
“The Cosmos Will See You Now” |
22/Jan/26 | 10:52 | MR-1
MR-2 |
| 2026-019 | F81 | Onenui (Máhia), LC-1A
“Bridging The Swarm” |
30/Jan/26 | 01:21:39 | NeonSat-1A |
| – | F82 | MARS Wallops Isl, LA-0C (LC-2)
“That’s Not A Knife” |
28/Fev/26 | 00:00 | DIU HyCAT DART-AE |
| 2026-043 | F83 | Onenui (Máhia), LC-1B
“Insight at Speed is a Friend Indeed” |
05/Mar/26 | 23:53 | BlackSky Global 34 |
| 2026-056 | F84 | Onenui (Máhia), LC-1B
“Eight Days A Week” |
20/Mar/26 | 18:10 | StriX-6 |
O Complexo de Lançamento LC-1 localizado na Península de Máhia, entre Napier e Gisborne, na costa Este de Ilha do Norte da Nova Zelândia. Este é o primeiro complexo orbital na Nova Zelândia e o primeiro complexo, a nível mundial, operado de forma privada.

Equipado com duas plataformas de lançamento, a localização remota do LC-1, e de forma particular o seu baixo volume de tráfego marítimo e aéreo, é um factor-chave que permite um acesso sem precedentes ao espaço. A posição geográfica deste local permite que seja possível a uma grande gama de azimutes de lançamento – os satélites lançados desde Máhia podem ser colocados em órbitas com uma grande variedade de inclinações para assim proporcionar serviços em muitas áreas em torno do globo.
Imagens: RocketLab