Strela lança Kondor-E para a África do Sul

Kondor-EO satélite de observação da Terra, Kondor-E, foi colocado em órbita às 0443:32,666UTC do dia 19 de Dezembro de 2014. O lançamento foi levado a cabo pelo foguetão 15A35 Strela (6309793560) a partir do Complexo de Lançamento LC175/59 do Cosmódromo de Baikonur, Cazaquistão.

Segundo a agência de notícias ITAR-TASS, todas as fases do lançamento decorreram sem problemas e o satélite foi colocado na sua órbita prevista às 0508UTC.

Kondor-E

Com uma massa de 1.100 kg, o satélite Kondor-E (Кондор-Э – ‘Кондор-Экспорт’) é um pequeno satélite de observação da Terra construído pela NPO MASH (Mashinostroenie) e que foi adquirido pelas forças militares da África do Sul. No nome do satélite, ‘E’ significa ‘Export‘.

O satélite está equipado com uma antena de radar SAR que pode levar a cabo observações contínuas da superfície terrestre ou observações localizadas. A largura das faixas de observação é de 10 km e a resolução é de 1 metro a 2 metros em modo de observação detalhada, 1 metro a 3 metros em modo de observação contínua ou 5 metros a 30 metros em modo de varrimento SAR.

O satélite está equipado com dois painéis solares para o fornecimento de energia que é armazenada em baterias internas.

Durante os primeiros meses, o satélite será operado por especialistas Russos, sendo posteriormente a sua operação transferida para especialistas Sul-africanos.

Strela

Em Janeiro de 1999 a Agência Espacial Russa e o Ministério Russo da Defesa receberam luz verde para o desenvolvimento e construção do complexo de lançamentos para o foguetão Strela (15A35 Стела). O Strela é baseado no míssil RS-18 SS-19 Mod.1 (UR-100N), pertencendo à família do lançador 15A30 Rockot. No mercado internacional o Strela compete directamente com o Pegasus-XL, Taurus e Athena (Estados Unidos), CZ-1D Chang Zheng-1D (China) e VLS (Brasil).

StrelaO Strela é um lançador ligeiro a dois estágios desenvolvido pela NPO MASH (Mashinostroenie) e é capaz de colocar 1.700 kg numa órbita a 200 km de altitude e com uma inclinação de 74,0º. No lançamento desenvolve uma força de 190.000 kgf e tem uma massa total de 104.000 kg, tendo um comprimento de 26,7 metros e um diâmetro de 2,5 metros.

O primeiro estágio UR-100N-1N tem um peso bruto de 77.150 kg, pesando 5.695 kg sem combustível. Tem um comprimento de 17,2 metros e um diâmetro de 2,5 metros. Desenvolve 181.373 kgf no vácuo, tendo um Ies de 310s e um Tq de 121s. Está equipado com quatro motores RD-0232 (15D95), desenhado por Kosberg, que consomem N2O4/UDMH e tem uma câmara de combustão.

O segundo estágio UR-100N-1N tem um comprimento de 3,9 metros, um diâmetro de 2,5 metros e um peso bruto de 12.195 kg, pesando 1.485 kg sem combustível. Desenvolve 21.850 kgf no vácuo, tendo um Ies de 322s e um Tq de 183s. Está equipado com um motor RD-0235 que consome N2O4/UDMH e que foi desenhado por Kosberg.

O Strela pode ser lançado a partir do Cosmódromo de Baikonur. O Strela poderia ser lançado a partir do Cosmódromo GIK-2 Svobodniy utilizando um silo que permitia lançamentos para órbitas com inclinações entre os 51º-63º e 90º-98º em relação ao equador terrestre. Os locais de lançamento do Strela tiram partido de silos desactivados ao abrigo dos tratados estratégicos de redução de armamento START que prevêem a redução de 160 para 106 mísseis RS-18.

O lançador Strela foi desenhado de forma a manter as características principais dos complexos de mísseis já existentes, permitindo assim a manutenção do sistema de silos fabricados para albergar e lançar os mísseis RS-18. Os primeiro e segundo estágios do Strela, bem como os sistemas de transporte dos contentores dos próprios mísseis não são alterados. As soluções técnicas implementadas no Strela, permitem a utilização da ogiva como módulo de carga juntamente com o sistema operacional de controlo do lançador. Da mesma forma o equipamento em terra anteriormente utilizado como sistema de orientação, também foi mantido sem grandes alterações. O único elemento novo é o compartimento do equipamento de medida incluído na carga e que fornece dados de telemetria e detecção. Também incluídos estão os sistemas de abortagem de ambos os estágios, sistemas adicionais de estabilização utilizados em zonas passivas de voo e fontes de energia a bordo do lançador.

A carga a transportar pode ser albergada em dois tipos diferentes de ogivas: Ogiva operacional do míssil RS-18 (denominada KGCh-1) e um Ogiva alargada (denominada KGCh-2) utilizada em testes do RS-18.

O NPO MASH desenvolveu também um módulo de serviço de multi-usos a ser utilizado em cargas até 250 kg. O Strela pode também ser utilizado para lançar veículos com motores de plasma em direcção à Cintura de Asteróides, planetas no nosso Sistema Solar e para a órbita geostacionária. Este lançador também é capaz de levar a cabo lançamentos sub-orbitais até às camadas mais altas da atmosfera terrestre.

A conversão de mísseis balísticos intercontinentais em lançadores espaciais irá permitir à Rússia baixar consideravelmente o preço dos lançamentos de satélites para a órbita terrestre. De notar que o foguetão 15A30 Rockot é também uma conversão do míssil balístico RS-18 Stiletto desmantelados de acordo com os termos do tratado START-2 assinado em 1993.

O primeiro lançamento do foguetão Strela teve lugar às 0600:00,485UTC do dia 5 de Dezembro de 2003 a partir do Complexo de Lançamento LC175/59 do Cosmódromo GIK-5 Baikonur. O foguetão 15A35 Strela (5117822123) colocou em órbita um modelo do satélite Kondor, Gruzomaket (Kondor-E GVM). A segunda missão seria levada a cabo somente a 27 de Junho de 2013, com o foguetão 15A35 Strela (4926391832) a colocar em órbita o satélite Kondor às 1653:00,241UTC.

Dados Estatísticos e próximos lançamentos

– Lançamento orbital: 5420

– Lançamento orbital com sucesso: 5071

– Lançamento orbital Rússia: 3151

– Lançamento orbital Rússia com sucesso: 2998

– Lançamento orbital desde Baikonur: 1434

– Lançamento orbital desde Baikonur com sucesso: 1350

– Lançamento orbital desde Baikonur em 2014: 18

A seguinte tabela mostra os totais de lançamentos executados este ano em relação aos previstos para cada polígono à data deste lançamento: 1ª coluna – lançamentos efectuados (lançamentos fracassados); 2ª coluna – lançamentos previstos à data; 3ª coluna – satélites lançados:

Baikonur – 18 (1) / 21 / 26

Plesetsk – 7 / 9 / 11

Dombarovskiy – 2 / 2 / 42

Cabo Canaveral AFS – 16 / 16 / 29

Wallops Island MARS – 3 (1) / 3 / 63

Vandenberg AFB – 4 / 4 / 4

Jiuquan – 8 / 8 / 10

Xichang – 1 / 2 / 1

Taiyuan – 5 / 6 / 7

Tanegashima – 4 / 4 / 18

Kourou – 11 / 11 / 23

Satish Dawan, SHAR – 4 / 4 / 8

Odyssey – 1 / 1 / 1

Palmachim – 1 / 1 / 1

* Valores não precisos

Dos lançamentos bem sucedidos levados a cabo: 31,7% foram realizados pela Rússia; 26,8% pelos Estados Unidos (incluindo ULA, SpaceX e Orbital SC); 17,1% pela China; 12,2% pela Arianespace; 4,9% pelo Japão, 4,9% pela Índia, 1,2% por Israel e 1,2% pela Sea Launch.

Os próximos lançamentos orbitais previstos são (hora UTC):

23 Dez (0558:00) – Angara A5-1LM/Briz-M (71751/88801) – GIK-1 Plesetsk, LC35/1 – GVM

24 Dez (????:??) – 14A14-1B Soyuz-2-1B (78031199) – GIK-1 Plesetsk, LC43/4 – Lotos-S1

26 Dez (1900:00) – 14A14-1B Soyuz-2-1B (L15000-009) – Baikonur, LC31 PU-6 – Resurs-P2

28 Dez (0037:00) – 8K82KM Proton-M/Briz-M (6304287978 93549/99552) – Baikonur, LC200 PU-29 – Astra-2G

31 Dez (????:??) – CZ-3A Chang Zheng-3A (Y24) – Xichang, LC3 – FY-2G Fengyun-2G