
Um satélite da NASA destinada ao estudo da atmosfera dos exoplanetas foi lançada desde a Base Aérea de Vandenberg a 11 de Janeiro de 2026, sendo a carga principal de uma missão partilhada que transportou outros 39 satélites.
O satélite Pandora foi a carga principal da missão “Twilight”, da SpaceX, que foi lançada às 1344:50UTC pelo foguetão Falcon 9-587 (B1097.5) a partir do Complexo de Lançamento SLC-4E, tendo o primeiro estágio do foguetão lançador sido recuperado com sucesso na Zona de Aterragem LZ-4 da Base de Vandenberg, Caliufórnia.
A missão Twilight

Tendo como carga principa o satélite Pandora, da NASA, a missão Twilight transportou 38 satélites num lançamento contratado, transportando os satélites Acadia-8 e Acadia-9, AETHER-3 a AETHER-12, BlackCAT, CarbSAR IOD, Connecta IoT-13 a Connecta IoT-16, Dcubed-1/Araqys-D1, Hawk-13A, Hawk-13B e Hawk-13C, HYDRA-2, ICEYE-1 e ICEYE-2, vários satélites Lemur-2, SPARCS, Tomorrow-S10 e Tomorrow-S11, Flamingo-1 e Umbra-12.

Baseado na plataforma X-SAT Microsat Venus Class, da Blue Canyon Technologies, o satélite Pandora é uma missão dedicada ao estudo da atmosfera dos exoplanetas – isto é, planetas fora do nosso Sistema Solar – tendo sido seleccionada pela agência espacial norte.americana NASA como parte do Programa Astrophysics Pioneers. O satélite irá realizar observações em luz visível e infravermelho próximo de exoplanetas durante fases de trânsito (procurando vapor d’água e metano), e irá estudar tanto a atmosfera desses exoplanetas e a variabilidade da estrela hospedeira utilizando observações de base de longa duração. O satélite Pandora irá estudar vinte exoplanetas.
Para realizar as suas observações, o satélite transporta um telescópio cassegrain de 45 cm do Laboratório Nacional Lawrence Livermore (Lawrence Livermore National Laboratory – LLNL) pertencendo à família CODA e que foi produzido pela Corning. Os detectores visíveis e de infravermelhos foram fornecidos pelo Centro de Voo Espacial Grumman (NASA) que desenhou também os sistemas electrónicos de leituta dos instrumentos e os sistemas de gestão termica que requer um crioarrefecedor e sistemas de controlo associados. O modelo base do satélite de dimensões ESPA foi fornecido pela Blue Canyon Technologies (BCT). A BCT realizou a integração do satélite e os testes ambientais e com o Centro de Investigação Ames (NASA) a fornecer o processamento de dados avançados para a missão.
O satélite Pandora tem uma massa de 325 kg e irá operar numa órbita heliossíncriona a uma altitude de cerca de 600 km. A sua missão deverá ter a duração de um ano.

Também designados “Capella-18” e “Capella-19”, os satélite Acadia-8 e Acadia-9 fazem parte de uma constelação de 30 satélites equipados com sistema de radar SAR (Synthetic Aperture Radar) desenvolvidos pela empresa californiana Capella Space.

Com uma massa de cerca de 165 kg, os satélites Acadia melhorados tiveram a sua largura de banda aumentada de 500 MHz para 700 MHz, e uma potência aumentada em 40% em relação à segunda geração de satélites Capella. Para os satélites Acadia, a Capella Space aumentou a antena de downlink da carga a bordo para assim reduzir o tempo entre o contacto do solo e a obtenção das imagens. Os satélites Acadia estão também equipados com terminais de comunicações ópticos Mynaric, que dão compatíveis com o ‘standard’ de interoperabilidade estabelecidos pela Agência de Desenvolvimento Espacial do Pentágono – uma manobra projectada para reduzir o tempo entre a obtenção das imagens e a sua transmissão.
A Kepler Communications tem dez satélites a bordo desta missão, o ÆTHER-3 a ÆTHER-12.
A Kepler Communications está a conceber uma constelação de CubeSats para serviços de Internet das Coisas (Internet-of-Things – IoT), comunicação máquina-a-máquina (Machine-to-Machine – M2M) e intersatélites. Os satélites de segunda geração são maiores do que os satélites Kepler de primeira geração e possuem terminais de comunicação óptica laser.
Cada satélite da rede está equipado com um mínimo de quatro terminais ópticos, permitindo ligações laser de alta capacidade e baixa latência entre activos espaciais, aéreos e terrestres. O sistema foi concebido para ser compatível com as
normas de comunicação ótica da Agência de Desenvolvimento Espacial dos EUA (SDA), garantindo uma conectividade perfeita entre as arquiteturas espaciais governamentais e comerciais. Operando como uma rede mesh baseada em IP, a constelação funciona de forma semelhante à internet terrestre, encaminhando dinamicamente dados entre satélites para fornecer uma conectividade resiliente e em tempo real entre o espaço e a Terra.
A rede de retransmissão de dados ópticos do Kepler combina comunicações de alta capacidade com computação avançada em órbita, permitindo que os dados sejam processados e analisados diretamente no espaço, em vez de esperar pelo envio para a Terra. Cada nó da constelação suporta processamento e armazenamento distribuídos em GPU e CPU, criando um ambiente de computação de bordo escalável que leva a capacidade da nuvem para a órbita. Ao aproximar o processamento de dados da fonte, o Kepler oferece insights mais rápidos. Este design integrado suporta análises de observação da Terra em tempo real, operações de missão autónomas e tomada de decisões orientada por IA em órbita.
A constelação apresenta interfaces modulares para cargas úteis alojadas, permitindo aos clientes integrar sensores, hardware ou software diretamente na plataforma do Kepler e tirar partido da infraestrutura óptica da empresa para retransmissão de dados em tempo real e processamento em órbita. Esta abordagem proporciona um caminho mais rápido e económico para a órbita, eliminando a necessidade de naves espaciais ou sistemas terrestres dedicados. Os clientes de cargas úteis alojadas obtêm acesso imediato à rede de retransmissão ótica e à computação em órbita do Kepler, permitindo o processamento, teste e operações de dados em tempo real dentro de um sistema compatível com SDA (Self-Delegate and Data Access).
O satélite BlackCAT (Black Hole Coded Aperture Telescope) da NASA, é um telescópio de raios-x numa plataforma CubeSat que observará erupções de raios-x de galáxias activas com buracos negros supermassivos, bem como explosões de raios gama, as explosões mais poderosas do cosmos. Além de explosões curtas de raios gama próximas que podem acompanhar ondulações no espaço-tempo chamadas ondas gravitacionais, o BlackCAT também estudará explosões raras e brilhantes do universo primordial.
O BlackCAT é baseado no factor de forma CubeSat-6U e é basicamente um pequeno telescópio espacial de raios-x com um amplo campo de visão, instalado numa plataforma CubeSat de 30 x 20 x 10 cm. O satélite optimizado para a detecção de emissão de raios-x provenientes de explosões de raios gama raras e brilhantes do universo primordial, explosões curtas de raios gama próximas que provavelmente acompanham ondas gravitacionais e erupções de raios-x de galáxias activas com buracos negros supermassivos. Será utilizado para procurar objetos transitórios, como estrelas do universo primordial a colapsar para formar buracos negros, e possibilitará estudos sobre a formação estelar no universo primordial.
O instrumento BlackCAT foi construído na Penn State, permitindo aos estudantes e jovens investigadores ter experiência prática com equipamentos para voos espaciais. A data de lançamento estava inicialmente prevista para Março de 2024.
Baseado na plataforma SSTL-42, o satélite CarbSAR é uma missão de demonstração tecnológica da Surrey Satellite Technology Ltd. (SSTL), que utiliza uma inovadora carga útil SAR de banda-x implantável para fornecer imagens de alta resolução de dia e de noite, independentemente das condições meteorológicas.
As imagens de radar de abertura sintética (SAR) podem fornecer diversas informações de vigilância, tal como as imagens ópticas, mas, por serem provenientes de um sensor activo, não dependem de condições meteorológicas ou de iluminação solar favoráveis. O SAR de banda-x tem uma resolução espacial de 0,5 m e uma largura de varrimento de 4 km.
As aplicações dos satélites CarbSAR incluem a defesa e segurança, aplicações marítimas, resposta a desastres, aplicações na área do ambiente e infraestrutura.
O satélite tem uma massa de 140 kg e deverá operar durante cinco anos numa órbita sincronizada com o Sol a uma altitude de 525 km.
Os satélites Connecta-IoT constituem uma constelação desenvolvida pela Plan-S para o fornecimento de serviços de comunicações na Internet of Things (IoT), prevendo-se que venha a ser constituída por 200 satélites. Os satélites são baseados no factor de forma CubeSat-6U. Nesta missão foram lançados os satélites Connecta-IoT 13 a Connecta-IoT 16.
O pequeno satélite Araqys-D1 “Boom! There it is!”, também designado “Dcubed-1”, tam como missão demonstrar a produção de grandes painéis solares em órbita,transportando um conjunto de células solares enroladas que será desenrolada em órbita e na qual se imprime uma estrutura o tornar mais rígido. Esta estrutura utiliza uma resina curada por luz ultravioleta, que oferece um método de produção de baixo consumo energético. Imprimir a estrutura do conjunto de células solares no espaço é menos complexo para grandes conjuntos do que fabricá-los em solo. A abordagem tradicional com painéis dobrados resulta num material muito pesado, exigindo painéis mais espessos e mecanismos de libertação maiores, concebidos para suportar o ambiente de lançamento. O Araqys-D1 é baseado no factor de forma CubeSat-3U e transporta um painel com um comprimento de 60 cm.
Os três satélites Hawk-13 (Hawk-13A, Hawk-13B e Hawk-13C), fazem parte da rede de satélites da HawkEye 360 que é uma rede em desenvolvimento de inteligência global civil que usará tecnologia de radiofrequência (RF) para monitorizar o transporte aéreo, terrestre e marítimo e auxiliar em emergências, sendo essencialmente uma missão civil SIGINT (Signal Intelligence).
Os satélites Hawk são baseados na plataforma Defiant com uma massa de 30 kg. A plataforma é produzida pelo UTIAS Space Flight Laboratory (SFL): SFL Missions (plataforma) e Hawkeye 360 (carga de observação).
A constelação de pequenos satélites colocada na órbita terrestre baixa recolherá informações sobre sinais de rádio específicos em todo o mundo para fornecer um mapeamento e análise de alta frequência de rádio. Uma vez operacional, a constelação de satélites poderá permitir aplicações comerciais, como permitir que clientes governamentais e corporativos monitorizem dinamicamente as redes de transporte por via aérea, terrestre e marítima.
Para reguladores do governo, empresas de telecomunicações e emissoras de satélite, o sistema HawkEye 360 foi projectado para monitorizar o uso do espectro de RF para identificar áreas de interferência. O sistema também poderá ser usado para desempenhar um papel crucial na detecção e localização de sinalizadores de emergência activos, melhorando os tempos de resposta que são críticos em cenários de risco de vida. Os satélites Hawk foram desenvolvidos pela Deep Space Industries, com o modelo de satélite a ser desenvolvido pela SFL e a carga a ser desenvolvida pela GOMSpace.
O satélite Hydra-2 oferecerá imagens térmicas de alta resolução e alta frequência, permitindo a observação detalhada e contínua das variações de temperatura em áreas críticas. Além disso, é o primeiro satélite lançado para fins comerciais a incorporar um Telescópio Térmico Multiespectral, desenvolvido inteiramente pela Aistech Space.
O Hydra-2 é baseado no factor de forma CubeSat-6U e transporta um sistema de observação multiespectral, um receptor ADS-B e um sistema de comunicação bidirecional.
Para a obtenção de imagens, encontra-se a bordo um sistema multiespectral capaz de captar imagens nos espectros térmico, infravermelho e visível, para utilização na gestão florestal, detecção de incêndios, recolha de dados para a agricultura, como a identificação da saúde das plantas e análise de terrenos para expansão. Também pode detectar o consumo de energia e danos em edifícios.
Os satélites Hydra fornecem o seguimento de aeronaves através do receptor ADS-B. Além disso, um sistema de comunicação bidirecional está a bordo para enviar e receber informações automaticamente da embarcação ou de ativos remotos em qualquer parte do mundo.
Os satélites ICEYE X fazem parte de uma constelação de microssatélites equipados com radar SAR (Synthetic Aperture Radar), desenvolvidos pela empresa finlandesa de startups ICEYE. Os satélites foram projetados para fornecer imagens de SAR em tempo quase real. Os satélites são veículos operacionais baseados no desenho do ICEYE X2.
A empresa está a trabalhar para lançar e operar uma constelação de micro satélites que possuem a sua própria tecnologia de sensor de SAR compacta e eficiente. O instrumento de radar de imagem ICEYE pode fazer imagens através das nuvens, mau tempo e escuridão.
Nesta missão foram lançados os satélites ICEYE-1 e ICEYE-2.
Os satélites Lemur-2 são baseados no modelo CubeSat-3U e têm uma massa de 4 kg.
Os satélites constituem a constelação inicial em órbita terrestre baixa construídos pela Spire, transportando duas cargas para meteorologia e seguimento do tráfego marítimo (a carga STRATOS – ocultação do sinal rádio de GPS – e a carga AIS SENSE, respectivamente). A STRATOS permite a detecção do sinal GPS que é afectado quando passa através da atmosfera terrestre. Posteriormente, e utilizando um processo designado ‘ocultação do sinal GPS’, o satélite mede a alteração do sinal GPS para calcular os perfis precisos para a temperatura, pressão e humidade na Terra.
A partir do 78.º Lemur-2, estes satélites transportam também a carga AirSafe ASD-B para seguimento de aviões.
Nesta missão foram lançados os satélites Lemur-2 207 “Wobler”, Lemur-2 209 “HCS-Bazus”, Lemur-2 210 “Fikretdengiz”, Lemur-2 249 “Kate”, Lemur-2 “Sonnenblume”, Lemur-2 251 “Gram-E-Sue”, Lemur-2 252 “Callum-K-J” e Lemur-2 253 “Mario-Sousa”. A bordo ainda se encontrava o Lemur-2 “Kutar” HyMS IOD (Hyperspectral Microwave Sounder).
A carga útil HyMS é lançada como um demonstrador tecnológico com o objectivo de demonstrar o impacto de um sensor de micro-ondas hiperespectral inédito em formato compacto em órbita. O HyMS foi concebido para captar imagens detalhadas do interior da atmosfera terrestre, medindo variáveis atmosféricas importantes, incluindo temperatura, humidade e precipitação.
O sensor de micro-ondas avançado foi submetido a uma série abrangente de testes ambientais e radiométricos, incluindo testes de vácuo térmico (TVAC) concebidos para replicar as condições extremas de temperatura e vácuo do espaço. Durante a calibração, os engenheiros avaliaram o HyMS em relação a múltiplos alvos de referência: um simulando o frio do espaço profundo e outro configurado com múltiplas temperaturas de cenas semelhantes às da Terra, representando condições como desertos, oceanos, topo de nuvens e muito mais. Estes testes confirmaram o desempenho radiométrico, validando que o instrumento consegue detetar os ténues sinais de micro-ondas atmosféricos com um desempenho de ruído excecional, essencial para a obtenção de perfis de temperatura e humidade de alta qualidade.
O HyMS é a primeira demonstração em órbita da Spire de detecção de micro-ondas hiperespectral, uma tecnologia concebida para complementar as medições de ocultação de rádio da empresa.
O SPARCS (Star-Planet Activity Research CubeSat) é uma missão científica da Universidade Estadual do Arizona, baseada num CubeSat-6U, que monitoriza as erupções e a atividade estelar de pequenas estrelas do tipo M, ou anãs vermelhas, nas regiões do ultravioleta distante e próximo. Estudar e compreender os ambientes destas estrelas pode ajudar a avaliar a evolução e a habitabilidade do seu ambiente espacial para planetas em órbita.
Em 2019, foi selecionado pela Iniciativa de Lançamento de CubeSats (CSLI) da NASA para ser lançado como parte do programa ELaNa.
As estrelas que o SPARCS irá observar são pequenas, ténues e frias em comparação com o Sol. Têm menos de metade do tamanho e da temperatura do Sol e brilham apenas com um por cento do seu brilho. Embora isto possa parecer torná-las uma escolha inadequada para a procura de planetas extrassolares, estas estrelas são extremamente numerosas na nossa galáxia. Aproximadamente 75 mil milhões de estrelas anãs M albergam pelo menos um pequeno planeta nas suas zonas habitáveis. Esta é a região potencialmente propícia à vida, próxima da estrela, onde as temperaturas não são nem demasiado quentes nem demasiado frias para a vida como a conhecemos, e onde a água líquida poderia existir à superfície de um planeta. No entanto, a radiação ultravioleta das estrelas anãs M é forte e altamente variável. Isto erodiria a atmosfera de um planeta e afetaria a sua composição e habitabilidade.
Conhecer os ambientes ultravioleta dos planetas que orbitam estrelas anãs M será crucial para compreender a composição atmosférica destes planetas. Será também um fator chave para distinguir entre fontes biológicas e abióticas para quaisquer bioassinaturas observadas.
A sonda conterá três sistemas principais: o telescópio, a câmara e o software operacional e científico. Os astrónomos da ASU supervisionarão o desenvolvimento do telescópio e da câmara, para além do software e da engenharia de sistemas.
O telescópio utiliza um sistema de espelhos com revestimentos optimizados para a luz ultravioleta. Juntamente com a câmara, o sistema consegue medir variações mínimas no brilho das estrelas anãs M para realizar a ciência principal da missão. O instrumento foi testado e calibrado na ASU (Arizona State University) em preparação para o voo, antes de ser integrado no satélite. Para cada estrela alvo, o SPARCS observará continuamente durante pelo menos uma rotação estelar completa (de 5 a 45 dias).
O SPARCS também irá impulsionar a tecnologia de detectores ultravioleta, utilizando detectores de alta eficiência quântica optimizados para UV, desenvolvidos no Laboratório de Propulsão a Jacto (NASA). Estes detectores dopados com delta-14 têm um longo historial de implantação, demonstrando uma eficiência quântica mais de cinco vezes superior à dos detetores utilizados pela missão Galaxy Evolution Explorer (GALEX).
A “Tomorrow.io Microwave Sounder” é uma missão de deteção remota composta por 18 satélites de factor de forma CubeSat-6U que serão utilizados para fornecer dados meteorológicos de baixa latência em todo o mundo para previsão numérica do tempo e previsões meteorológicas de longo alcance. Na missão Twilight foram lançados os satélites Tomorrow-S10 e Tomorrow-S11.
O sistema consiste numa sonda passiva de micro-ondas que tira partido das tecnologias do MIT Lincoln Laboratories (MIT LL), construída pela Tomorrow.io, integrada num satélite Cubesat-6U padronizado da Blue Canyon Technologies (BCT).
O satélite Flamingo-1 faz parte de uma constelação de doze satélites da empresa Vyoma para a recolha de dados de Consciência Situacional Espacial (Space Situational Awareness, SSA). A constelação Flamingo foi concebida para a aquisição e fornecimento de dados ópticos de SSA de baixa latência e alta fidelidade. Os satélites são baseados na plataforma Versatile Satellite Platform-50 (VSP-50).
O Umbra Lab, Califórnia, está a desenvolver uma constelação de satélites de Radares de Abertura Sintética SAR (Synthetic Aperture Radar) que serão utilizados para a observação da superfície terrestre. O primeiro satélite, Umbra-SAR 2001 – colocado em órbita a 30 de Junho de 2021 na missão Transporter-2 por um foguetão Falcon-9, foi um satélite de 65 kg equipado com radar de abertura sintética na banda X para captar imagens instantâneas com resolução de 25 centímetros numa área de 16 km2. A sua missão foi a de testar tecnologias e desenhos, validar o desempenho e progredir a arquitectura para totalmente operacional.
Para recolher imagens de radar, a Umbra Lab desenvolveu uma antena de alto ganho em rede que permite ser operada com energia relativamente baixa para obter imagens de radar de abertura sintética de alta qualidade.
A constelação de satélites Umbra será eventualmente composta por 24 veículos a operar em órbitas com uma inclinação de 97,5.º e altitude média de 530 km.
Nesta missão foi lançado o satélite Umbra-12.
Lançamento
A cerca de dez horas do lançamento procede-se à activação eléctrica do foguetão Falcon-9. Tanto o lançador como a sua carga são submetidos a uma série de verificações testes antes do início do abastecimento do querosene RP-1. O Director de Voo consulta os controladores a T-38m, determinando assim se tudo está pronto para o início do abastecimento do lançador. O processo de abastecimento de RP-1 inicia-se a T-35m no primeiro estágio, seguindo-se o início do abastecimento do oxigénio líquido (LOX) na mesma altura. O abastecimento de LOX ao segundo estágio inicia-se a T-16m.
A fase terminal da contagem decrescente inicia-se com os motores a serem condicionados termicamente para o lançamento a T-7m. A T-1m é enviado um comando para o computador de voo para iniciar as verificações pré-lançamento e o sistema de supressão sónica é activado na plataforma de lançamento inundada por milhões de litros de água. Por esta altura os tanques de propelente também são pressurizados. A T-45s o Director de Lançamento verifica se todos os parâmetros estão prontos para a missão, sendo também verificado que o espaço aéreo está pronto para o lançamento. A sequência de ignição é iniciada a T-3s. A T=0s o foguetão abandona a plataforma.
Abandonando a plataforma de lançamento, o Falcon-9 inicia uma série de manobras para se colocar na trajectória de voo correcta (não foram reveladas as fases do lançamento após a aterragem do 1.º estágio).
| Tempo (h:m:s) | Evento |
| 00:01:12 | Máxima pressão dinâmica (MaxQ) |
| 00:02:15 | Final da queima do 1.º estágio (MECO) |
| 00:02:18 | Separação entre o 1.º e o 2.º estágio |
| 00:02:22 | Manobra de oriantação do 1.º estágio |
| 00:02:26 | Ignição da primeira queima do 2.º estágio (SES-1) |
| 00:02:32 | Início da queima de regresso do 1.º estágio |
| 00:02:56 | Separação da carenagem de protecção |
| 00:03:26 | Fim da queima de regresso do 1.º estágio |
| 00:06:08 | Início da queima de reentrada do 1.º estágio |
| 00:06:19 | Final da queima de reentrada do 1.º estágio |
| 00:07:16 | Início da queima de aterragem do 1.º estágio |
| 00:07:34 | Aterragem do 1.º estágio |
| 00:08:09 | Fim da primeira queima do 2.º estágio (SECO-1) |
| 00:56:55 | Início da segunda queima do 2.º estágio (SES-2) |
| 00:56:56 | Fim da segunda queima do 2.º estágio (SECO-2) |
| 01:01:33 | Separação do satélite Connecta IoT-14 |
| 01:01:49 | Separação do satélite Hydra-2 |
| 01:01:56 | Separação do satélite Lemur-2 Kutar HyMS IOD |
| 01:02:02 | Separação do satélite Connecta IoT-13 |
| 01:02:07 | Separação do satélite Hawk-13B |
| 01:03:04 | Separação do satélite Tomorrow-S11 |
| 01:03:16 | Separação do satélite Tomorrow-S10 |
| 01:03:56 | Separação do satélite Connecta IoT-16 |
| 01:04:09 | Separação do satélite Connecta IoT-15 |
| 01:04:36 | Separação do satélite Hawk-13A |
| 01:06:59 | Separação do satélite Flamingo-1 |
| 01:07:50 | Separação do satélite Hawk-13C |
| 01:08:22 | Separação do satélite CarbSAR IOD |
| 01:43:04 | Início da terceira queima do 2.º estágio (SES-3) |
| 01:43:05 | Fim da terceira queima do 2.º estágio (SECO-3) |
| 02:14:51 | Início da quarta queima do 2.º estágio (SES-4) |
| 02:14:52 | Fim da quarta queima do 2.º estágio (SECO-4) |
| 02:19:56 | Separação do satélite Lemur-2 HCS-Bazus |
| 02:19:59 | Separação do satélite Lemur-2 Callum-K-J |
| 02:20:01 | Separação do satélite BlackCAT |
| 02:20:17 | Separação do satélite Lemur-2 Katie |
| 02:20:18 | Separação do satélite Dcubed-1/Araqys-D1 |
| 02:20:20 | Separação do satélite Lemur-2 Mario-Sousa |
| 02:20:21 | Separação do satélite SPARCS |
| 02:20:31 | Separação do satélite Lemur-2 Sonnenblume |
| 02:20:43 | Separação do satélite Lemur-2 Gram-E-Sue |
| 02:21:11 | Separação do satélite Lemur-2 Wobler |
| 02:21:33 | Separação do satélite Lemur-2 Fikretdengiz |
| 02:21:41 | Separação do satélite Acadia-8 |
| 02:21:49 | Separação do satélite Umbra-12 |
| 02:21:56 | Separação do satélite Aether-8 |
| 02:22:52 | Separação do satélite ICEYE-2 |
| 02:23:11 | Separação do satélite Acadia-9 |
| 02:23:27 | Separação do satélite Aether-12 |
| 02:23:28 | Separação do satélite Aether-11 |
| 02:24:09 | Separação do satélite Aether-5 |
| 02:24:15 | Separação do satélite ICEYE-1 |
| 02:25:00 | Separação do satélite Aether-9 |
| 02:25:40 | Separação do satélite Aether-6 |
| 02:26:44 | Separação do satélite Aether-4 |
| 02:27:58 | Separação do satélite Pandora |
| 02:30:55 | Separação do satélite Aether-3 |
| 02:32:00 | Separação do satélite Aether-7 |
| 02:32:59 | Separação do satélite Aether-10 |
| Final da missão |
O foguetão Falcon-9
Baptizado em nome da nave Millenium Falcon da saga cinematográfica “Guerra das Estrelas”, o foguetão Falcon-9 v1.1 foi um lançador a dois estágios projectado e fabricado para o transporte seguro e fiável de satélites e do veículo Dragon para a órbita terrestre. Sendo o primeiro foguetão completamente desenvolvido no Século XXI, este lançador foi projectado desde o início para ter a máxima fiabilidade. A sua simples configuração de dois estágios minimiza o número de eventos de separação (staging) e com nove motores no primeiro estágio, pode completar a sua missão em segurança mesmo na possibilidade de perda de um motor.
O Falcon-9 fez história em 2012 quando colocou a cápsula Dragon na órbita correcta para uma manobra de encontro com a estação espacial internacional. Desde então, foram realizadas múltiplas missões para a ISS transportando e recolhendo carga para a NASA. O Falcon-9, bem como a cápsula Dragon, foram desenhados na base do desenvolvimento de um sistema de transporte de astronautas para o espaço.
O foguetão Falcon-9 Upgrade, ou Falcon-9 FT, (a seguir designado simplesmente como “Falcon-9”) representa a mais recente evolução deste lançador. De forma geral, o Falcon-9 tem 68,4 metros de comprimento, 3,7 metros de diâmetro e uma massa de 541.300 kg. O veículo é capaz de colocar uma carga de 13.150 kg numa órbita terrestre baixa ou 4.850 kg numa órbita de transferência geossíncrona.

O primeiro estágio do Falcon-9 está equipado com nove motores Merlin (Merlin-1D) e tanque de liga de alumínio e lítio que contêm oxigénio líquido e querosene RP-1. Após a ignição, um sistema de segurança fixa o veículo na plataforma de lançamento e garante que todos os motores são verificados como estando na força máxima antes de libertar o foguetão para o seu voo. Então, com uma força superior a cinco aviões Boeing 747 em potência máxima, os motores Merlin lançam o foguetão para o espaço. Ao contrário dos aviões, a força de um foguetão vai aumentando com a altitude – o Falcon-9 gera 6.806 kN ao nível do mar, mas atinge 7.426 kN no vácuo espacial. Os motores do primeiro estágio vão sendo aumentados em potência perto do final da queima do estágio para assim limitar a aceleração do veículo à medida que a massa do lançador diminui com a queima do combustível. O tempo total de queima do primeiro estágio é de 162 segundos.
Com os seus nove motores agrupados juntos na configuração ‘octaweb’, o Falcon-9 pode aguentar a falha de até dois motores durante o lançamento e mesmo assim conseguir atingir a órbita terrestre com sucesso. O Falcon-9 é o único lançador na sua classe com esta característica chave.
O motor Merlin vai encontrar as suas raízes aos motores das missões Apollo, nomeadamente o sistema de injecção baseado no motor do módulo lunar. O propelente é alimentado por uma única conduta, com uma turbo bomba de dupla pá que opera num ciclo de gerador a gás. A turbo bomba também fornece o querosene a alta pressão para os actuadores hidráulicos, que depois recicla para a entrada a baixa pressão. Isto elimina a necessidade de um sistema hidráulico separado e significa que não é possível ocorrer uma falha no controlo de vector de força por falta de fluido hidráulico. Uma terceira utilização da turbo bomba é o fornecimento de controlo de rotação ao actuar no escape da turbina de exaustão (no segundo estágio). Combinando-se estas características num só dispositivo aumenta-se assim de forma significativa o nível de fiabilidade do sistema.
O motor é capaz de desenvolver uma força de 654 kN ao nível do mar, 716 kN no vácuo, com um impulso específico de 282 segundos (nível do mar) e 311 segundos (vácuo).
A secção interestágio é uma estrutura compósita que liga o primeiro e o segundo estágio e alberga os sistemas de libertação e separação. O Falcon-9 utiliza um sistema de separação totalmente pneumático para uma separação de baixo impacto e altamente fiável que pode ser testado no solo, ao contrário dos sistemas pirotécnicos utilizados na maior parte dos lançadores.
O segundo estágio é propulsionado por um único motor Merlin de vácuo e coloca a carga a transportar na órbita desejada. O motor do segundo estágio entra em ignição poucos segundos após a separação entre o segundo e o primeiro estágio, e pode ser reiniciado várias vezes para colocar múltiplas cargas em diferentes órbitas. Para máxima fiabilidade, o segundo estágio está equipado com sistemas de ignição redundantes. Tal como o primeiro estágio, o segundo estágio é feito a partir de uma liga de alumínio e lítio.
O motor Merlin de vácuo (Merlin-1D de vácuo) desenvolve uma força de 934 kN e o seu tempo de queima é de 397 segundos.
A carenagem compósita é utilizada para proteger a carga durante a passagem do Falcon-9 pelas camadas mais densas da atmosfera. Quando a missão do Falcon-9 é o lançamento do veículo de carga Dragon, a carenagem não é utilizada, pois a cápsula possui o seu próprio sistema de protecção.
A carenagem tem 13,1 metros de comprimento e 5,2 metros de diâmetro. Fabricada em fibra de carbono, separa-se em duas metades utilizando um sistema de separação de actuadores pneumáticos semelhantes aos que são utilizados para a separação entre o primeiro e o segundo estágio.
A sequência de lançamento para o Falcon-9 é um processo de precisão ditada pela janela de lançamento tendo em conta a posição orbital a ser ocupada pela carga a bordo. Se a janela de lançamento é perdida, a missão é então adiada para a próxima janela de lançamento disponível.
Cerca de quatro horas antes do lançamento, inicia-se o processo de abastecimento – primeiro oxigénio líquido seguindo-se o querosene altamente refinado (RP-1). O vapor observado a sair do lançador durante a contagem decrescente é na realidade oxigénio a ser liberto dos tanques, sendo esta a razão pela qual o abastecimento de oxigénio líquido se mantém até quase ao final da contagem decrescente.
| Lançamento | Veículo | 1.º estágio | Local Lançamento | Data Hora (UTC) | Carga | Recuperação |
| 2025-291 | 577 | B1096.4 | CCSFS, SLC-40 | 09/Dez/25 19:16:25 | USA-568 (NROL-77) | LZ-2 |
| 2025-293 | 578 | B1082.18 | VSFB, SLC-4E | 10/Dez/25 11:40:30 | Starlink G15-11 | OCISLY |
| 2025-294 | 579 | B1083.16 | CCSFS, SLC-40 | 11/Dez/25 22:01:20 | Starlink G6-90 | ASOG |
| 2025-298 | 580 | B1093.9 | VSFB, SLC-4E | 14/Dez/25 05:49:00 | Starlink G15-12 | OCISLY |
| 2025-299 | 581 | B1092.9 | CCSFS, SLC-40 | 15/Dez/25 05:22:10 | Starlink G6-82 | ASOG |
| 2025-303 | 582 | B1094.6 | KSC, LC-39A | 17/Dez/25 13:42:10 | Starlink G6-99 | JRTI |
| 2025-304 | 583 | B1063.30 | VSFB, SLC-4E | 17/Dez/25 15:27:50 | Starlink G15-13 | OCISLY |
| 2026-001 | 584 | B1081.21 | VSFB, SLC-4E | 03/Jan/26 02:09:16 | CSG-3 | LZ-4 |
| 2026-002 | 585 | B1101.1 | CCSFS, SLC-40 | 04/Jan/26 06:48:10 | Starlink G6-88 | ASOG |
| 2026-003 | 586 | B1069.29 | CCSFS, SLC-40 | 09/Jan/26 21:41:00 | Starlink G6-96 | JRTI |
| 587 | B1097.5 | VSFB, SLC-4E | 11/Jan/26 13:44:50 | Pandora “Twilight” | LZ-4 |
Imagens: SpaceX e outros