
A empresa Rocket Lab USA Inc. realizou o lançamento da missão “Insight at Speed is a Friend Indeed”, colocando em órbita um novo satélite BlackSky Global Gen-3.
O lançamento teve lugar às 2353UTC do dia 5 de Março de 2026 e foi realizado pelo foguetão Electron/Curie (F83) a partir da Plataforma de Lançamento LC-1B do Centro de Lançamentos de Máhia, Onenui, Nova Zelândia.
De novo envolto num véu de secretismo, realizou o lançamento de um novo satélite BlackSky Global Gen-3 destinados à observação da Terra em alta resolução.
Com três satélites BlackSky Global Gen-3 já colocados em órbita anteriormente, as duas empresas decidiram optar por um quase incompreensível secretismo em torno desta missão (o que seria dito caso se tratasse de um lançamento secreto por parte da Rússia ou da China?).
A 4 de Março surgiam os primeiros sinais de que um lançamento orbital seria realizado a partir de Onenui entre os dias 4 e 22 de Março. Por esta altura, a empresa lançadora ainda não havia anunciado nos seus canais oficiais a realização da missão. Surgiu então um aviso NOTAM para a navegação aérea que anunciava o lançamento entre as 2215UTC e as 0150UTC do dia 5 de Março, com a empresa a confirmar o lançamento no seu sítio oficial, mas sem revelar o seu cliente.
Os satélites da BlackSky Global
A constelação de satélites BlackSky é um conjunto de microssatelites da BlackSky para observação terrestre, com uma resolução de 1 metro. A missão “Fasten Your Space Belts” colocou em órbita os mais recentes satélites Gen-3 de alta resolução, tendo a capacidade de definir objectos com 35 cm. Os novos satélites permitem melhorar e optimizar significativamente as suas capacidades de inteligência geoespacial.
Estes satélites possuem um sistema de imagens SpaceView-24 construído pela Exelis da Harris Corp com uma abertura de 24 cm. São munidos de uma propulsão a bordo para 3 anos. Os satélites são construídos pela Spaceflight Services e são baseados no modelo SCOUT.
Os satélites operacionais Block 2 são caracterizados pelas suas melhorias relativamente aos pioneiros Block 1. Têm painéis solares maiores e podem produzir imagens em quatro bandas e em modo pancromático. Cada um pode produzir 1000 imagens por dia, quer em modo de fotografia, quer em modo de vídeo.
A adição das características Gen-3 fornecerá aos clientes uma inteligência espacial transformadora que proporcionará um próximo nível de desempenho com imagens de baixa latência e altíssima resolução e análises habilitadas por IA para uma vantagem de primeira ação. É inteligência à velocidade do conflito.

As comunicações intersatélites de baixa latência darão a flexibilidade para realizar tarefas de alta prioridade e de última hora. Estas novas capacidades permitirão ainda mais as aplicações de inteligência baseadas no espaço da BlackSky para missões ISR táticas e operações de inteligência estratégica.
O foguetão Electron
O Electron é um lançador a três estágios com um comprimento de 18 metros e um diâmetro de 1,2 metros. Tem uma massa de 13.000 kg no lançamento e é capaz de colocar em órbita terrestre baixa uma carga de 225 kg, sendo a sua carga nominal de 200 kg (a 500 km de altitude). Devido ao seu desenho e fabrico (fibra de carbono compósito e estrutura monocoque), o Electron é elaborado com altos níveis de automatização.
O lançador tira partido de materiais compósitos na sua fuselagem, tendo uma estrutura forte e super leve. Da mesma forma, os tanques de propelente são fabricados em materiais compósitos.
O primeiro estágio está equipado com nove motores Rutherford com uma capacidade de 162 kN, com um impulso específico de 311 s. O motor Rutherford consome querosene e oxigénio líquido, utilizando componentes impressos em 3D.
O motor Rutherford é um motor topo de gama que se alimenta de querosene e oxigénio líquido, sendo especificamente projectado para o foguetão Electron utilizando um ciclo de propulsão inteiramente novo. Uma característica única deste motor são as turbinas eléctricas de alto desempenho que reduzem a sua massa, substituindo assim ‘hardware’ por ‘software’. O motor Rutherford é o primeiro motor do seu tipo que utiliza impressão 3D nos seus componentes principais. Estas características são únicas no mundo para um motor de propelentes líquidos de alto desempenho alimentados por turbobombas eléctricas. O seu desenho orientado para a produção permitem que o Electron seja construído e os satélites lançados com uma frequência sem precedentes.
O segundo estágio do lançador é propulsionado por um motor derivado do motor Rutherford melhorado para um excelente desempenho em condições de vácuo. Consegue desenvolver 22 kN de força e um impulso específico de 343 s.
A sua carenagem tem um comprimento de 2,5 metros com um sistema de separação pneumático e por molas.

A tabela seguinte mostra os últimos dez lançamentos realizados por foguetões Electron (incluí lançamentos suborbitais).
| Lançamento | Veículo Lançador | Local Lançamento
Missão |
Data de Lançamento | Hora
(UTC) |
Carga |
| 2025-252 | F74 | Onenui (Máhia), LC-1B
“The Nation God Navigates” |
05/Nov/25 | 19:45 | QPS-SAR 14 |
| – | F75 | MARS Wallops Isl, LA-0C (LC-2)
“Prometheus Run” |
18/Nov/25 | 13:00 | VAN |
| 2025-267 | F76 | Onenui (Máhia), LC-1A
“Follow My Speed” |
20/Nov/25 | 12:43 | BlackSky Global 33 |
| 2025-297 | F77 | Onenui (Máhia), LC-1B
“RAISE and Shine” |
14/Dez/25 | 03:09 | RAISE-4 |
| 2025-305 | F78 | MARS Wallops Isl, LA-0C (LC-2)
“Don’t Be Such a Square” |
18/Dez/25 | 05:03:00 | STP-30 |
| 2025-307 | F79 | Onenui (Máhia), LC-1B
“The Wisdom God Guides” |
22/Dez/25 | 06:36 | QPS-SAR 15 |
| 2026-015 | F80 | Onenui (Máhia), LC-1A
“The Cosmos Will See You Now” |
22/Jan/26 | 10:52 | MR-1
MR-2 |
| 2026-019 | F81 | Onenui (Máhia), LC-1A
“Bridging The Swarm” |
30/Jan/26 | 01:21:39 | NeonSat-1A |
| – | F82 | MARS Wallops Isl, LA-0C (LC-2)
“That’s Not A Knife” |
28/Fev/26 | 00:00 | DIU HyCAT DART-AE |
| 2026-043 | F83 | Onenui (Máhia), LC-1B
“Insight at Speed is a Friend Indeed” |
05/Mar/26 | 23:53 | BlackSky Global 34 |
O Complexo de Lançamento LC-1 localizado na Península de Máhia, entre Napier e Gisborne, na costa Este de Ilha do Norte da Nova Zelândia. Este é o primeiro complexo orbital na Nova Zelândia e o primeiro complexo, a nível mundial, operado de forma privada.

Equipado com duas plataformas de lançamento, a localização remota do LC-1, e de forma particular o seu baixo volume de tráfego marítimo e aéreo, é um factor-chave que permite um acesso sem precedentes ao espaço. A posição geográfica deste local permite que seja possível a uma grande gama de azimutes de lançamento – os satélites lançados desde Máhia podem ser colocados em órbitas com uma grande variedade de inclinações para assim proporcionar serviços em muitas áreas em torno do globo.
Imagens: RocketLab