
Quatro novos elementos para a tripulação permanente da estação espacial internacional foram lançados a bordo de uma cápsula espacial da empresa norte-americana Space Exploration Technologies Corp., a 13 de Fevereiro de 2026.
O lançamento ocorreu às 1015:55UTC e foi realizado pelo foguetão Falcon 9-600 (B1101.2) a partir do Complexo de Lançamento SLC-40 do Cabo Canaveral SFS, Florida. O primeiro estágio B1101, na sua 2.ª missão, foi recuperado na Zona de Aterragem LZ-40 no Cabo Canaveral, utilizada pela primeira vez nesta missão.
A missão utiliza a cápsula espacial Crew Dragon C212 ‘Freedom0 na 12.ª missão operacional do denominado “Commercial Crew Program” e na sua 5.ª missão.
A bordo foram lançados quatro tripulantes, nomeadamente Jessica Ulrika Meir (Comandante, NASA – EUA), Christopher Stewart Hathaway (Piloto, NASA – EUA), Sophie Marie Laurence Adenot (Especialista de Missão n.º 1, ESA – França) e Andrei Valirievich Fedyayev “Андрей Валерьевич Федяев” (Especialista de Missão n.º 2, Roscosmos – Rússia). Esta é a segunda missão espacial orbital para Jessica U. Meir e Andrei V. Fedyayev, sendo o primeiro voo para Christopher S. Hathaway e Sophie M. Adenot. Estes elementos irão integrar a Expedição-74/75 a bordo da estação espacial internacional.

Mais sobre esta missão pode ser acedido aqui.
Durante a missão, membros seleccionados da tripulação participarão em estudos sobre a saúde humana, com foco na compreensão de como o corpo dos astronautas se adapta ao ambiente de baixa gravidade do espaço, incluindo um novo estudo que examina as mudanças subtis no fluxo sanguíneo.
As experiências, lideradas pelo Programa de Investigação Humana da NASA, incluem a realização de ecografias dos vasos sanguíneos pelos astronautas para estudar alterações na circulação e a simulação de alunagens para avaliar a desorientação durante as transições gravitacionais, entre outras tarefas. Os resultados ajudarão a NASA a planear estadias prolongadas no espaço e futuras missões de exploração.
O novo estudo, denominado “Venous Flow“, vai examinar se o tempo a bordo da estação espacial aumenta a probabilidade de os membros da tripulação desenvolverem coágulos sanguíneos. Na ausência de gravidade, o sangue e outros fluidos corporais podem deslocar-se em direção à cabeça, alterando potencialmente a circulação. Quaisquer coágulos sanguíneos resultantes podem representar sérios riscos para a saúde, incluindo acidentes vasculares cerebrais.
Para mais informações, os membros da tripulação deste estudo serão submetidos a ressonâncias magnéticas, ecografias, colheita de sangue e medição da pressão arterial antes e depois do voo. Durante o voo, os membros da tripulação também farão ecografias da veia jugular, medirão a pressão arterial e recolherão amostras de sangue para análise científica após o regresso à Terra.
Num outro estudo, denominado “Manual Piloting“, membros seleccionados da tripulação realizarão múltiplas simulações de aterragem na Lua antes, durante e depois da missão. Concebido para avaliar as suas capacidades de pilotagem e de tomada de decisão, os participantes tentarão pilotar uma nave espacial virtual em direção à região do Polo Sul lunar — a mesma área que as futuras tripulações do programa Artemis planeiam explorar.
O risco de os astronautas sofrerem desorientação devido às transições gravitacionais aumenta quanto maior for o tempo de permanência no espaço. Para este estudo, que estreou durante a missão Crew-11, os investigadores planeiam recrutar sete astronautas para missões privadas de curta duração, com até 30 dias, e 14 astronautas para missões de longa duração, com pelo menos 106 dias. Um grupo de controlo, a realizar as mesmas tarefas que os astronautas, servirá de base de comparação.
Um estudo diferente irá investigar possíveis tratamentos para a síndrome neuro-ocular associada a voos espaciais (Spaceflight-Associated Neuro-ocular Syndrome – SANS), que provoca alterações na visão e nos olhos. Os investigadores vão examinar se a ingestão diária de um suplemento de vitamina B pode ajudar a aliviar os sintomas da SANS.
Após o regresso à Terra, membros selecionados da tripulação participarão num estudo que documentará quaisquer lesões, como arranhões ou hematomas, que possam ocorrer durante a aterragem. A transição da ausência de gravidade para a gravidade terrestre pode aumentar o risco de lesões sem as devidas precauções. Os dados ajudarão os investigadores a melhorar o design das naves espaciais para melhor proteger as tripulações das forças de aterragem.
A Crew Dragon
A Crew Dragon é uma classe de cápsula reutilizável desenvolvida pela empresa aeroespacial americana SpaceX, projectada como a versão tripulada da Dragon Cargo.
As cápsulas são projectadas para lançamentos no topo de um Falcon-9 e o seu retorno realiza-se mediante uma amaragem onde é utilizado um sistema de quatro para-quedas.

Em comparação à sua antecessora, a Crew Dragon, inicialmente com o nome de “Dragon Rider”, tem janelas maiores, novos computadores de bordo e sistemas aviónicos, painéis solares redesenhados e uma linha de moldagem modificada. A cápsula irá ser usada em duas variáveis: Crew Dragon 2, uma cápsula certificada para transportar humanos, capaz de transportar até sete astronautas e a Cargo Dragon 2 que vai substituir a sua antecessora.
A Crew Dragon é a única cápsula munida de quatro encaixes laterais para propulsores com dois Super Draco em cada um que servirão de sistema de abortagem durante o lançamento. Ambas as cápsulas estarão ao abrigo das comissões para os programas Commercial Resupply Services 2 (CRS2) e Commercial Crew Development (CCDev).
A Crew Dragon pode ficar acoplada na ISS durante um período de 180 dias extensível até 210 dias. Tem uma capacidade de carga 3.307 kg na mala de carga e sete astronautas na cabine tripulada.
Possui oito motores Super Draco, colocados em modo redundante capazes de produzir 71 kN de impulso. Os tanques de propolente são envolvidos por materiais de compósitos de carbono. Estes mesmos compósitos envolvem os tanques esféricos de titânio para acondicionar o hélio usado para pressurizar os motores e também o combustível e oxidante dos Super Draco.

Tendo por base a experiência anteriormente desenvolvida, a empresa desenvolveu para a protecção térmica um escudo do tipo SPAM Backshell, num material denominado PICA-X (Phenolic Impregnated Carbon Ablator).
A cápsula é controlada por meio de computadores do tipo ‘tablet’, ajustáveis e deslizáveis, onde a tripulação será capaz de os operar. Esta operação será feita pelo piloto e copiloto.
No interior da cabine tripulada, os seus ocupantes encontram um ambiente claro, confortável, composto por assentos de couro baseados em assentos de automóveis desportivos.


O nariz reutilizável protege a cápsula e o adaptador de acoplagem durante a ascensão e reentrada. Usando um mecanismo que permite voltar à sua posição de origem, este nariz poderá ser usado em mais que uma reentrada e futuros lançamentos.
A mala é o terceiro elemento estrutural da cápsula. Esta contem os painéis solares, os radiadores de remoção de calor e oferece uma estabilidade aerodinâmica durante as abortagens de emergência.
Os fatos espaciais da SpaceX
A SpaceX projectou e fabricou os seus fatos espaciais para os astronautas usarem dentro da Crew Dragon enquanto voam de e para a estação espacial internacional, além de garantir a sua segurança enquanto operam em órbita terrestre baixa.
Cada fato espacial é feito sob medida para cada passageiro a bordo do Crew Dragon e foi projectado para ser funcional, leve e proporcionar protecção contra uma potencial despressurização da cápsula. Um único ponto de conexão na coxa do traje conecta os sistemas de suporte de vida, incluindo conexões de ar e energia.

O capacete é fabricado sob medida usando tecnologia de impressão 3D e inclui válvulas integradas, mecanismos para retracção e bloqueio da viseira e microfones dentro da estrutura do capacete.
Lançamento
A cerca de dez horas do lançamento procede-se à activação eléctrica do foguetão Falcon-9. Tanto o lançador como a sua carga são submetidos a uma série de verificações testes antes do início do abastecimento do querosene RP-1. O Director de Voo consulta os controladores a T-45m, determinando assim se tudo está pronto para o início do abastecimento do lançador. A T-42m o braço de acesso da tripulação à cápsula Crew Dragon é removido e a T-37m o sistema de emergência da cápsula Crew Dragon é armado.
O processo de abastecimento de RP-1 inicia-se a T-35m no primeiro estágio, seguindo-se o início do abastecimento do oxigénio líquido (LOX) na mesma altura. O abastecimento de LOX ao segundo estágio inicia-se a T-16m.
A fase terminal da contagem decrescente inicia-se com os motores a serem condicionados termicamente para o lançamento a T-7m, enquanto a T-5m a cápsula Crew Dragon começa a utilizar as suas próprias baterias para o
fornecimento de energia. A T-1m é enviado um comando para o computador de voo para iniciar as verificações pré-lançamento e o sistema de supressão sónica é activado na plataforma de lançamento inundada por milhões de litros de água. Por esta altura os tanques de propelente também são pressurizados.
A T-45s o Director de Lançamento verifica se todos os parâmetros estão prontos para a missão, sendo também verificado que o espaço aéreo está pronto para o lançamento. A sequência de ignição é iniciada a T-3s. A T=0s o foguetão abandona a plataforma.
Abandonando a plataforma de lançamento, o Falcon-9 inicia uma série de manobras para se colocar na trajectória de voo correcta. A fase MaxQ, de máxima pressão dinâmica, é atingida a T+1m 12s. É nesta altura que o lançador atinge o ponto mais elevado de ‘stress’ mecânico na sua estrutura.




Acoplagem na ISS
Uma vez em órbita, a tripulação e a equipa da SpaceX irá verificar se a cápsula está a operar como pretendido, testando os sistemas de controlo de ambiente e suporte de vida, bem como os motores de reacção, os sistemas de controlo de temperatura entre outros procedimentos. A Crew Dragon irá realizar uma série de manobras progressivas e faseadas para alinhar-se com a estação espacial para depois acoplar com a mesma. Esta cápsula está projectada para fazer todos estes procedimentos de forma autónoma, sendo apenas preciso a monitorização atenta da tripulação e da equipa da estação espacial, caso seja preciso alguma correcção possam tomar controlo da Crew Dragon a partir daí.

Voo de regresso
Depois da conclusão da missão, a Crew Dragon irá automaticamente separar-se da estação espacial com os astronautas a bordo da cápsula. Depois da separação da zona de carga e realizada a queima de remoção orbital, que dura aproximadamente 12 minutos, a Dragon irá reentrar na atmosfera terrestre. Depois de amarar perto da costa da Florida no Oceano Atlântico, a cápsula e os seus ocupantes irão ser rapidamente resgatados pela embarcação da SpaceX Go Navigator e serão encaminhados para o Cabo Canaveral.

O foguetão Falcon-9
Baptizado em nome da nave Millenium Falcon da saga cinematográfica “Guerra das Estrelas”, o foguetão Falcon-9 v1.1 foi um lançador a dois estágios projectado e fabricado para o transporte seguro e fiável de satélites e do veículo Dragon para a órbita terrestre. Sendo o primeiro foguetão completamente desenvolvido no Século XXI, este lançador foi projectado desde o início para ter a máxima fiabilidade. A sua simples configuração de dois estágios minimiza o número de eventos de separação (staging) e com nove motores no primeiro estágio, pode completar a sua missão em segurança mesmo na possibilidade de perda de um motor.
O Falcon-9 fez história em 2012 quando colocou a cápsula Dragon na órbita correcta para uma manobra de encontro com a estação espacial internacional. Desde então, foram realizadas múltiplas missões para a ISS transportando e recolhendo carga para a NASA. O Falcon-9, bem como a cápsula Dragon, foram desenhados na base do desenvolvimento de um sistema de transporte de astronautas para o espaço.
O foguetão Falcon-9 Upgrade, ou Falcon-9 FT, (a seguir designado simplesmente como “Falcon-9”) representa a mais recente evolução deste lançador. De forma geral, o Falcon-9 tem 68,4 metros de comprimento, 3,7 metros de diâmetro e uma massa de 541.300 kg. O veículo é capaz de colocar uma carga de 13.150 kg numa órbita terrestre baixa ou 4.850 kg numa órbita de transferência geossíncrona.

O primeiro estágio do Falcon-9 está equipado com nove motores Merlin (Merlin-1D) e tanque de liga de alumínio e lítio que contêm oxigénio líquido e querosene RP-1. Após a ignição, um sistema de segurança fixa o veículo na plataforma de lançamento e garante que todos os motores são verificados como estando na força máxima antes de libertar o foguetão para o seu voo. Então, com uma força superior a cinco aviões Boeing 747 em potência máxima, os motores Merlin lançam o foguetão para o espaço. Ao contrário dos aviões, a força de um foguetão vai aumentando com a altitude – o Falcon-9 gera 6.806 kN ao nível do mar, mas atinge 7.426 kN no vácuo espacial. Os motores do primeiro estágio vão sendo aumentados em potência perto do final da queima do estágio para assim limitar a aceleração do veículo à medida que a massa do lançador diminui com a queima do combustível. O tempo total de queima do primeiro estágio é de 162 segundos.
Com os seus nove motores agrupados juntos na configuração ‘octaweb’, o Falcon-9 pode aguentar a falha de até dois motores durante o lançamento e mesmo assim conseguir atingir a órbita terrestre com sucesso. O Falcon-9 é o único lançador na sua classe com esta característica chave.
O motor Merlin vai encontrar as suas raízes aos motores das missões Apollo, nomeadamente o sistema de injecção baseado no motor do módulo lunar. O propelente é alimentado por uma única conduta, com uma turbo bomba de dupla pá que opera num ciclo de gerador a gás. A turbo bomba também fornece o querosene a alta pressão para os actuadores hidráulicos, que depois recicla para a entrada a baixa pressão. Isto elimina a necessidade de um sistema hidráulico separado e significa que não é possível ocorrer uma falha no controlo de vector de força por falta de fluido hidráulico. Uma terceira utilização da turbo bomba é o fornecimento de controlo de rotação ao actuar no escape da turbina de exaustão (no segundo estágio). Combinando-se estas características num só dispositivo aumenta-se assim de forma significativa o nível de fiabilidade do sistema.
O motor é capaz de desenvolver uma força de 654 kN ao nível do mar, 716 kN no vácuo, com um impulso específico de 282 segundos (nível do mar) e 311 segundos (vácuo).
A secção interestágio é uma estrutura compósita que liga o primeiro e o segundo estágio e alberga os sistemas de libertação e separação. O Falcon-9 utiliza um sistema de separação totalmente pneumático para uma separação de baixo impacto e altamente fiável que pode ser testado no solo, ao contrário dos sistemas pirotécnicos utilizados na maior parte dos lançadores.
O segundo estágio é propulsionado por um único motor Merlin de vácuo e coloca a carga a transportar na órbita desejada. O motor do segundo estágio entra em ignição poucos segundos após a separação entre o segundo e o primeiro estágio, e pode ser reiniciado várias vezes para colocar múltiplas cargas em diferentes órbitas. Para máxima fiabilidade, o segundo estágio está equipado com sistemas de ignição redundantes. Tal como o primeiro estágio, o segundo estágio é feito a partir de uma liga de alumínio e lítio.
O motor Merlin de vácuo (Merlin-1D de vácuo) desenvolve uma força de 934 kN e o seu tempo de queima é de 397 segundos.
A carenagem compósita é utilizada para proteger a carga durante a passagem do Falcon-9 pelas camadas mais densas da atmosfera. Quando a missão do Falcon-9 é o lançamento do veículo de carga Dragon, a carenagem não é utilizada, pois a cápsula possui o seu próprio sistema de protecção.
A carenagem tem 13,1 metros de comprimento e 5,2 metros de diâmetro. Fabricada em fibra de carbono, separa-se em duas metades utilizando um sistema de separação de actuadores pneumáticos semelhantes aos que são utilizados para a separação entre o primeiro e o segundo estágio.
A sequência de lançamento para o Falcon-9 é um processo de precisão ditada pela janela de lançamento tendo em conta a posição orbital a ser ocupada pela carga a bordo. Se a janela de lançamento é perdida, a missão é então adiada para a próxima janela de lançamento disponível.
Cerca de quatro horas antes do lançamento, inicia-se o processo de abastecimento – primeiro oxigénio líquido seguindo-se o querosene altamente refinado (RP-1). O vapor observado a sair do lançador durante a contagem decrescente é na realidade oxigénio a ser liberto dos tanques, sendo esta a razão pela qual o abastecimento de oxigénio líquido se mantém até quase ao final da contagem decrescente.
| Lançamento | Veículo | 1.º estágio | Local Lançamento | Data Hora (UTC) | Carga | Recuperação |
| 2026-011 | 590 | B1100.2 | VSFB, SLC-4E | 17/Jan/26 04:39:51 | NROL-105 | LZ-4 |
| 2026-012 | 591 | B1080.2 | CCSFS, SLC-40 | 18/Jan/26 23:31:40 | Starlink G6-100 | ASOG |
| 2026-014 | 592 | B1093.10 | VSFB, SLC-4E | 22/Jan/26 05:47:29 | Starlink G17-30 | OCISLY |
| 2026-016 | 593 | B1097.6 | VSFB, SLC-4E | 25/Jan/26 17:30:39 | Starlink G17-20 | OCISLY |
| 2026-017 | 594 | B1096.5 | CCSFS, SLC-40 | 28/Jan/26 04:53:16 | GPS-III SV-09 | ASOG |
| 2026-018 | 595 | B1082.19 | VSFB, SLC-4E | 29/Jan/26 17:53:20 | Starlink G17-19 | OCISLY |
| 2026-020 | 596 | B1090.10 | CCSFS, SLC-40 | 30/Jan/26 07:22:00 | Starlink G6-101 | JRTI |
| 2026-022 | 597 | B1071.31 | VSFB, SLC-4E | 02/Fev/26 15:47:11 | Starlink G17-32 | OCISLY |
| 2026-025 | 598 | B1088.13 | VSFB, SLC-4E | 07/Fev/26 20:58:09 | Starlink G17-33 | OCISLY |
| 2026-026 | 599 | B1100.3 | VSFB, SLC-4E | 11/Fev/26 17:11:29 | Starlink G17-34 | OCISLY |
| 2026-031 | 600 | B1101.2 | CCSFS, SLC-40 | 13/Fev/26 10:15:55 | Freedom Crew-12 | LZ-40 |
Imagens: SpaceX, NASA e outros

