NASA prepara Artemis-II

No dia 17 de Janeiro de 2026, a agência espacial norte-americana NASA procedeu ao transporte do foguetão lunar SLS Block-1/iCPS para a Plataforma B do Complexo de Lançamento LC-39 do Centro Espacial Kennedy, Ilha de Merritt, Florida.

Este é o foguetão que irá lançar a missão Artemis-II que tem por objectivo transportar os primeiros seres humanos até à órbita lunar desde Dezembro de 1972.

O voo de teste Artemis-II será a primeira missão tripulada da NASA no âmbito do programa Artemis. Os astronautas, no seu primeiro voo a bordo da cápsula espacial Orion, irão confirmar o funcionamento de todos os sistemas do veículo tal como foram concebidos, com a presença de tripulação no ambiente real do espaço profundo. Através do programa Artemis, a NASA enviará astronautas para explorar a Lua em busca de descobertas científicas, benefícios económicos e para construir as bases para as primeiras missões tripuladas a Marte.

O perfil único da missão Artemis-II basear-se-á no teste de voo não tripulado Artemis-I, demonstrando uma vasta gama de capacidades do SLS (Space Launch System) e da Orion necessárias para missões no espaço profundo. Esta missão irá comprovar que os sistemas críticos de suporte de vida da Orion estão prontos para sustentar os astronautas em missões de longa duração no futuro e permitirá à tripulação praticar operações essenciais para o sucesso da Artemis-III e não só.

Deixando a Terra

A missão Artemis-II lançará uma tripulação de quatro astronautas a partir do Centro Espacial Kennedy a bordo de um foguetão SLS Block 1. A Orion realizará múltiplas manobras para elevar a sua órbita em torno da Terra e, eventualmente, colocar a tripulação numa trajetória de retorno livre à Lua, na qual a gravidade terrestre puxará a Orion de volta para casa após sobrevoar a Lua. Os astronautas da Artemis II são Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadiana (CSA).

O lançamento inicial será semelhante ao da missão Artemis-I, com o SLS a lançar a Orion para o espaço e, em seguida, a descartar os propulsores auxiliares, os painéis do módulo de serviço e o sistema de abortagem de lançamento, antes de os motores do estágio central serem desligados e o estágio central se separar do estágio superior e da nave espacial.

Com a tripulação a bordo, a Orion e o estágio superior, denominado estágio de propulsão criogénica interina (interim Cryogenic Propulsion Stage, iCPS), orbitarão a Terra duas vezes para garantir que os sistemas da Orion estão a funcionar como esperado, ainda perto da Terra. A nave espacial atingirá primeiro uma órbita inicial, voando em forma de elipse, com um perigeu a cerca 185 km e um apogeu a cerca de 2.250 km. A Orion permanecerá nesta órbita pouco mais de 90 minutos e incluirá a primeira ignição do iCPS para manter a trajectória da Orion. Após a primeira órbita, o iCPS elevará a cápsula espacial para uma órbita terrestre elevada. Esta manobra permitirá à Orion acumular velocidade suficiente para iniciar a sua viagem em direção à Lua. A segunda órbita, maior, demorará aproximadamente 23,5 horas, com a Orion a descrever uma elipse entre cerca de 185 mil e 74 mil quilómetros acima da Terra. Para comparação, a estação espacial internacional descreve uma órbita quase circular em torno da Terra, a cerca de 400 km acima do nosso planeta.

Após a queima para entrar na órbita terrestre alta, a Orion irá separar-se do estágio superior. O estágio, já sem combustível, terá uma última utilidade antes de ser descartado na atmosfera terrestre: a tripulação irá utilizá-lo como alvo para uma demonstração de operações de proximidade. Durante a demonstração, os controladores da missão no Centro Espacial Johnson da NASA, em Houston, irão monitorizar a Orion enquanto os astronautas fazem a transição da nave para o modo manual e pilotam a trajectória e a orientação da Orion. A tripulação utilizará as câmaras de bordo da Orion e a visão através das janelas da nave espacial para se alinhar com o iCPS à medida que se aproximam e se afastam do estágio, a fim de avaliar as qualidades de manuseamento da Orion e o hardware e software relacionados. Esta demonstração fornecerá dados de desempenho e experiência operacional que não podem ser facilmente obtidos no solo, em preparação para encontros críticos, operações de proximidade e acoplagem, bem como operações de separação em órbita lunar, a partir da missão Artemis-III.

Verificando sistemas críticos

Após a demonstração de operações de proximidade, a tripulação devolverá o controlo da Orion aos controladores da missão e passará o resto da órbita a verificar o desempenho dos sistemas da nave espacial no ambiente espacial. Removerão o fato OCSS (Orion Crew Survival System), usado no lançamento, e passarão o resto da missão no espaço com roupas civis, até voltarem a vestir os fatos para se prepararem para a reentrada na atmosfera terrestre e a recuperação no oceano.

Ainda perto da Terra, a tripulação irá avaliar o desempenho dos sistemas de suporte de vida necessários para gerar ar respirável e remover o dióxido de carbono e o vapor de água produzidos quando os astronautas respiram, falam ou fazem exercício. O longo período orbital em torno da Terra oferece a oportunidade de testar os sistemas durante os períodos de exercício, quando a taxa metabólica da tripulação é mais elevada, e durante os períodos de sono, quando a taxa metabólica é mais baixa. A mudança entre o modo fato espacial e o modo cabine no sistema de suporte de vida, bem como o desempenho do sistema durante os períodos de exercício e sono, confirmará a gama completa de capacidades do sistema de suporte de vida e garantirá a prontidão para a etapa de sobrevoo lunar da missão.

A Orion vai também testar os sistemas de comunicação e navegação para confirmar se estão prontos para a viagem à Lua. Ainda em órbita elíptica em torno da Terra, a Orion vai sobrevoar brevemente o alcance dos satélites GPS e dos satélites de seguimento e retransmissão de dados da Rede Espacial da NASA, permitindo uma verificação inicial das capacidades de comunicação e navegação da Rede de Espaço Profundo da agência. Quando a Orion viajar até à Lua e a orbitar, o controlo da missão dependerá da Rede de Espaço Profundo para comunicar com os astronautas, enviar imagens para a Terra e comandar a nave espacial.

Após a conclusão dos procedimentos de verificação, a Orion irá realizar a manobra de propulsão seguinte, denominada injeção translunar (TransLunar Injection, TLI). Com o iCPS a ter feito a maior parte do trabalho para colocar a Orion numa órbita terrestre alta, o módulo de serviço fornecerá o impulso final necessário para a colocar numa trajetória em direção à Lua. A queima TLI enviará a tripulação numa viagem de aproximadamente quatro dias à volta da face oculta da Lua, onde descreverão um oito a mais de 370.000 km da Terra antes de a Orion regressar a casa.

À Lua e uma Viagem “Gratuita” para Casa

Durante o resto da viagem, os astronautas continuarão a avaliar os sistemas da nave espacial, incluindo a demonstração das operações de partida e regresso da Terra, o treino dos procedimentos de emergência e o teste do abrigo contra a radiação, entre outras atividades.

A tripulação da Artemis-II viajará aproximadamente 7.568 km para lá do lado oculto da Lua. Deste ponto de vista, poderão ver a Terra e a Lua através das janelas da Orion, com a Lua próxima em primeiro plano e a Terra a quase 400.000 km ao fundo.

Com uma viagem de regresso de cerca de quatro dias, a missão deverá durar cerca de 10 dias. Em vez de exigir propulsão no retorno, esta trajetória com baixo consumo de combustível aproveita o campo gravitacional Terra-Lua, garantindo que — após a sua viagem em torno do lado oculto da Lua — a Orion é naturalmente atraída pela gravidade da Terra para a parte de retorno livre da missão.

Duas missões, duas trajetórias distintas

Após a Artemis-II, a Orion e a sua tripulação viajarão novamente para a Lua, desta vez para fazer história quando os próximos astronautas caminharem na superfície lunar durante a Artemis-III.

Através do programa Artemis, a NASA irá explorar mais da Lua do que nunca e criar uma presença duradoura no espaço profundo.

Imagens: NASA



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