Missão NROL-123 coloca quatro satélites em órbita desde Wallops Island

A Rocket Lab USA Inc. realizou a missão NROL-123 para o National Reconnaissance Office (NRO) dos Estados Unidos, colocando em órbita três satélites no dia 21 de Março de 2024 a partir do MARS Wallops Island..

O lançamento teve lugar às 0725UTC e foi levado a cabo pelo foguetão Electron/Curie (F46) a partir da Plataforma de LA-0C (LC-2).

O serviço de lançamento para a missão ‘Live and Let Fly’ foi adquirido usando o contrato Rapid Acquisition of a Small Rocket (RASR) da NRO. O RASR permite que o NRO explore novas oportunidades para o lançamento de pequenos satélites mediante uma abordagem comercial simplificada. As missões NRO fornecem informações críticas a mais de meio milhão de utilizadores governamentais, incluindo todos os membros da Comunidade de Inteligência, duas dúzias de agências nacionais, militares, legisladores e decisores políticos.

O número de satélites a bordo não foi previamente anunciado, porém, após o sucesso do lançamento a Rocket Lab USA anunciava que com esta missão havia colocado 181 satélites em órbita, quando na missão anterior anunciara o lançamento bem sucedido do seu 178.º satélite. Por outro lado, o emblema inicialmente divulgado pelo NRO para esta missão é composto por três partes distintas, sendo composto por uma libélula, um par de vespas e um peixe-lua.

Assim, esperava-se que os satélites recebessem, as designações militares USA-352, USA-353 e USA-354.

Porém, dias mais tarde, foi revelado que a missão ‘Live and Let Fly’ transportava quatro satélites: USA-352 (NROL-123), AeroCube-16A e AeroCube-16B, e MOLA.

Não foi divulgada a missão do USA-352, bem como de que tipo de satélite se trata.

Os satélites AeroCube-16A e AeroCube-16B foram desenvolvidos pela Aerospace Corporation, sendo baseados no factor de forma CubeSat-6U. Ambos os satélites transportam várias experiências relacionadas com a Física dos Materiais. Os dados obtidos por esta missão serão utilizados para validar os testes realizados no solo e para preparar futuras investigações. Uma das experiências a bordo será a “Flashlight”, que é composta por duas cargas de comunicações a ‘laser’ que irão demonstrar uma ligação de comunicações óptica entre CubeSats em órbita terrestre baixa, tendo como objectivo transferir pelo menos 50 Mbps de dados entre os dois satélites a uma distância de 500 km. As cargas não devem ter um tamanho superior a 2U e menos de 2 kg, possuindo um sistema de espelhos com orientação independente com e rápida para uma melhor eficiência de desempenho.

O satélite MOLA estará relacionado com um projecto desenvolvido pelo Centro para a Experimentação e Inovação de redes da Escola Naval de Pós-graduação (Naval Postgraduate School, Center for Network Innovation and Experimentation ‘CENETIX’), sendo também designado “NPS-CENETIX-Orbital 1”. Este é um CubeSat-3U desenvolvido em conjunto com o Grupo Académico de Sistemas Espaciais na Escola Naval de Pós-graduação e a AT&T.

O CENETIX é o dono do satélite NPS-CENETIX-Orbital 1, sendo construído e operado pela AT&T e pelos seus parceiros. O satélite é projectado para demonstrar o denominado “Bursty Orbital Mesh Networking” e incorpora um quadro de comunicação por rádio da goTenna Pro X e rádios LoRa combinados com um controlador Arduino.

Lançamento

Com o encerramento das vias de acesso ao local de lançamento a ocorrer a T-6h, o foguetão Electron era colocado na sua posição vertical a T-4h e iniciava-se o processo de abastecimento de querosene. O pessoal de apoio na plataforma de lançamento deixava a área a T-2h 30m e o abastecimento de oxigénio líquido (LOX) iniciava-se a T-2h.

As autoridades de aviação locais eram informadas sobre o lançamento a T-30m para assim poderem avisar os aviadores naquele espaço aéreo. Os preparativos finais para o lançamento iniciam-se a T-18m. A sequência automática de lançamento inicia-se a T-2m, com o computador de bordo do Electron a tomar conta das operações. A ignição dos motores do lançador inicia-se a T-2s.

O foguetão abandona a plataforma de lançamento a T=0s, com uma ascensão lenta nas fases iniciais e ganhando velocidade à medida que ganha altitude. O lançador atinge a velocidade do som (Mach 1) a T+58s, passando a zona de máxima pressão dinâmica (MaxQ) a T+1m 10s.

O final da queima do primeiro estágio ocorre a T+2m 25s e a sua separação ocorre três segundos mais tarde. A ignição do motor Rutherford do segundo estágio ocorre a T+2m 32s e a separação da carenagem de protecção ocorre a T+3m 35s. A T+6m 23s ocorre a troca de baterias eléctricas que dão o impulso eléctrico necessário a ignição do motor Rutherford Vacuum.

O final da queima do segundo estágio ocorre a T+9m 8s e a separação entre o segundo estágio e o estágio Curie ocorre e T+9m 12s. Estando numa órbita de parqueamento, a ignição do seu motor Curie terá lugar a T+54m 20s, terminando a cerca de T+60m 0s. A separação dos satélites a bordo ocorre de seguida.

O foguetão Electron

O Electron é um lançador a três estágios com um comprimento de 18 metros e um diâmetro de 1,2 metros. Tem uma massa de 13.000 kg no lançamento e é capaz de colocar em órbita terrestre baixa uma carga de 225 kg, sendo a sua carga nominal de 200 kg (a 500 km de altitude). Devido ao seu desenho e fabrico (fibra de carbono compósito e estrutura monocoque), o Electron é elaborado com altos níveis de automatização.

O lançador tira partido de materiais compósitos na sua fuselagem, tendo uma estrutura forte e super leve. Da mesma forma, os tanques de propelente são fabricados em materiais compósitos.

O primeiro estágio está equipado com nove motores Rutherford com uma capacidade de 162 kN, com um impulso específico de 311 s. O motor Rutherford consome querosene e oxigénio líquido, utilizando componentes impressos em 3D.

O motor Rutherford é um motor topo de gama que se alimenta de querosene e oxigénio líquido, sendo especificamente projectado para o foguetão Electron utilizando um ciclo de propulsão inteiramente novo. Uma característica única deste motor são as turbinas eléctricas de alto desempenho que reduzem a sua massa, substituindo assim ‘hardware’ por ‘software’. O motor Rutherford é o primeiro motor do seu tipo que utiliza impressão 3D nos seus componentes principais. Estas características são únicas no mundo para um motor de propelentes líquidos de alto desempenho alimentados por turbobombas eléctricas. O seu desenho orientado para a produção permitem que o Electron seja construído e os satélites lançados com uma frequência sem precedentes.

O segundo estágio do lançador é propulsionado por um motor derivado do motor Rutherford melhorado para um excelente desempenho em condições de vácuo. Consegue desenvolver 22 kN de força e um impulso específico de 343 s.

A sua carenagem tem um comprimento de 2,5 metros com um sistema de separação pneumático e por molas.

Lançamento Missão Veículo Lançador Data de Lançamento Hora

(UTC)

Carga
2023-062 F36 Rocket Like A Hurricane 08/Mai/23 01:00 TROPICS-05

TROPICS-06

2023-073 F37 Coming to a Storm Near You 26/Mai/23 03:46 TROPICS-03

TROPICS-07

2023-100 F39 Baby Come Back 18/Jul/23 01:17 Telesat LEO 3

Starling-1

Starling-2

Starling-3

Starling-4

Lemur-2 (169)

Lemur-2 (170)

2023-126 F40 We Love the Nightlife 23 / Ago / 23 23:43 Capella-11 (Capella Acadia 1)
2023-F07 F41 We will never desert you 19 / Set / 23 06:56 Capella-12 (Capella Acadia 2)
 2023-196 F42 The Moon God Awakens  15 / Dez / 23 04:05:54 QPS-SAR 5 (Tsukuyomi-1)
2024-022 F43 Four Of A Kind 31 / Jan / 24 06:34 Skylark-1

Skylark-2

Skylark-3

Skylark-4

2024-034 F44 On Closer Inspection 18 / Fev / 24 14:52 ADRAS-J
2024-047 F45 Owl Night Long 12 / Mar / 24 15:03 StriX-3
2024-053 F46 Live and Let Fly 21/ Mar /24 07:25 USA-352

AeroCube-16A

AeroCube-16B

MOLA

O Complexo de Lançamento LC-1 localizado na Península de Máhia, entre Napier e Gisborne, na costa Este de Ilha do Norte da Nova Zelândia. Este é o primeiro complexo orbital na Nova Zelândia e o primeiro complexo, a nível mundial, operado de forma privada.

Equipado com duas plataformas de lançamento, a localização remota do LC-1, e de forma particular o seu baixo volume de tráfego marítimo e aéreo, é um factor-chave que permite um acesso sem precedentes ao espaço. A posição geográfica deste local permite que seja possível a uma grande gama de azimutes de lançamento – os satélites lançados desde Máhia podem ser colocados em órbitas com uma grande variedade de inclinações para assim proporcionar serviços em muitas áreas em torno do globo.

Dados estatísticos e próximos lançamentos

– Lançamento orbital: 6626

– Lançamento orbital EUA: 2003 (30,23%)

– Lançamento orbital MARS Wallops Isl.: 57 (0,86% – 2,85%)

Lançamentos orbitais em 2024

Estatísticas dos lançamentos orbitais em 2024

Próximos lançamentos orbitais

Data Hora

UTC

Lançador Local Lançamento Plt. Lançamento (Recuperação) Carga / Missão
6627 21 Março

13:21:19

Soyuz-2.1a

M15000-066

Baikonur

LC31 PU-6

Soyuz MS-25

– Oleg V. Novitskiy

– Marina Vasilevskaya

– Tracy C. Dyson

6628 21 Março

20:55:09

Falcon-9

B1080.6

Cabo Canaveral SFS

SLC-40

(LZ-1)

Dragon v2 SpX-30
6629 22 Março

23:55:??

Ealcon-9 Cabo Canaveral SFS

SLC-40

(??)

Starlink G6-42 (x23)
6630 25 Março

22:50:??

Falcon-9 Cabo Canaveral SFS

SLC-40

(??)

Starlink G6-46 (x23)
6631 26 Março

22:50:??

Chang Zheng-6A (?) Taiyuan

LC16

??

 



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