Missão logística da Northrop Grumman lançada para a ISS

O lançamento do veículo de carga Cygnus-XL NG-24 da Northrop Grumman Innovation Systems na missão logística CRS-24 para a estação espacial internacional teve lugar a 11 de Abril de 2026.

O lançamento do Cygnus-XL NG-24 “S.S. Steven R. Nagel”” teve lugar às 1141:21UTC e foi realizado pelo foguetão Falcon 9-626 (B1094.7) a partir do Complexo de Lançamento SLC-40 do Cabo Canaveral SFS, Florida. O primeiro estágio do lançador B1094, na sua 7.ª missão, foi recuperado na Zona de Aterragem LZ-40, no Cabo Canaveral.

A chegada do Cygnus-XL NG-24 à ISS será monitorizada pelos astronautas Jack Hathaway e Christopher Williams, sendo acoplado ao porto Nadir do módulo Unity. O Cygnus-XL NG-24 deverá permanecer na ISS até Outubro de 2026.

Esta é a décima segunda missão Cygnus que é realizada ao abrigo do contrato Commercial Resupply Services-2 que foi atribuído em Janeiro de 2014 à Orbital ATK (actual Northrop Grumman Innovation Systems), à Sierra Nevada Corporation e à Space Exploration Technologies Corp. (SpaceX).

Esta é a segunda missão que utiliza a configuração Cygnus-XL deste veículo logístico, apresentando um módulo de carga pressurizado com 7,89 metros de comprimento, com uma capacidade de carga útil de 5.000 kg, um aumento de 19,5%, e um volume de carga pressurizada de 36 m3, um aumento de 15,5%.

A bordo do Cygnus NG-24 encontravam-se 5.000 kg mantimentos e equipamentos para apoiar dezenas de experiências e investigações científicas a bordo da estação espacial internacional. Do total da carga transportada, 1.410 kg correspondem a mantimentos para a tripulação da ISS, 1.075 kg correspondem a investigações científicas a ser levadas a cabo na ISS, 65 kg de equipamento para actividades extraveículares, 2.120 kg de equipamento variados para a ISS e 330 kg de recursos informáticos.

Cada missão logística para a estação espacial internacional transporta investigações científicas na área da biologia e biotecnologia, ciências da Terra e do espaço, desenvolvimento tecnológico e demonstrações, e apoio ao Programa Artemis. Assim, a bordo seguem os seguintes equipamentos e experiências:

Equipamento / Experiência Descrição
Cold Atom Lab Este é um novo módulo para expandir as suas capacidades de investigação e melhorar a nossa compreensão da relatividade geral, composição planetária e matéria escura. O Cold Atom Lab irá fazer avançar a investigação quântica para melhorar tecnologias, tais como as celulas solares, scanners MRI, e componentes de fornecem energia aos telemóveis e computadores.
Produção de células estaminais sanguíneas Uma investigação (InSPA-StemCellEX-H2) estuda a produção de células estaminais sanguíneas em microgravidade para criar um maior número de células terapêuticas. A produção bem-sucedida de células estaminais poderá impulsionar o tratamento de doentes com determinadas doenças sanguíneas e cancros na Terra.
Investigação de Sinais de Rádio Uma investigação (Nanoracks-ITSI) mede como os sinais de rádio enviados da Terra se alteram ao atravessarem a atmosfera superior. Estas medições podem melhorar modelos que preveem os impactos da atividade solar e do clima espacial, que podem afetar tecnologias como a navegação por GPS e os sistemas de seguimento por radar.
CBIOMES Um estudo (CBIOMES) sobre como os voos espaciais impactam a relação entre os organismos e o seu microbioma intestinal. Os investigadores vão observar as mudanças nos vermes nemátodos até ao nível celular para identificar formas de manter a estabilidade do microbioma e ajudar a proteger a saúde dos astronautas em futuras missões à Lua e a Marte.
A bordo foram transportados vários equipamentos de investigação, entre os quais:
  • O Dispositivo Europeu de Exercícios para Exploração Melhorada (Enhanced Exploration Exercise Device – ESA) é um sistema de exercícios compacto que ajuda a preservar a massa muscular e a saúde óssea em microgravidade. Ao permitir uma gama mais ampla e adaptável de exercícios de resistência, este dispositivo combina ciclismo, remo e treino de resistência, além da capacidade de realizar movimentos de puxar corda e escalada, mesmo sem energia. O dispositivo foi desenvolvido em conjunto pela NASA e pela ESA (Agência Espacial Europeia).
  • O Refrigerador Evaporativo Suplementar de Rejeição de Calor (Supplemental Heat Rejection Evaporative Cooler) proporciona dissipação de calor para o laboratório orbital em caso de falhas nos dois circuitos do sistema de controlo térmico. O refrigerador liga-se ao sistema de vácuo e a múltiplas fontes de água a bordo para evaporar a água através de membranas de fibra oca.
  • A Tomografia de Coerência Ocular – OCT (Ocular Coherence Tomography) é um dispositivo de imagem médica sem contacto que utiliza luz refletida para produzir imagens transversais e tridimensionais detalhadas, permitindo o rastreio activo do olho durante a aquisição das imagens. O seguimento do movimento ocular com imagens simultâneas de feixe duplo minimiza os artefactos de movimento, possibilita a redução do ruído e permite que o instrumento acompanhe com precisão as alterações na saúde ocular da tripulação ao longo do tempo. Esta unidade irá substituir uma unidade degradada em órbita.

A bordo seguiu ainda: oito tampas de vedação de escotilha, a instalar sobre as vedações de escotilha existentes; duas baterias para suportar as operações do módulo Zarya; três tanques de reabastecimento de água para o sistema de armazenamento de água; um tanque de nitrogénio e um tanque de oxigénio, utilizados para recarregar fatos espaciais e manter um ambiente pressurizado na estação espacial; e um dispensador de água e pré-tratamento, uma unidade de reserva para o Compartimento de Resíduos e Higiene (Waste and Hygiene Compartment).

A bordo seguiram também vários pequenos satélites que serão colocados em órbita posteriormente: Alcyone, Atlas, Electra, Maia, Taygeta, Coconut, HUCSat, LEOPARDSat-1, OreSat-1 e Qubesat-2.

Os satélites Alcyone, Atlas, Electra, Maia e Taygeta, fazem parte do Projecto PROVES. O Projecto PROVES (Pleiades Rapid Orbital Veeification Experiment System) é uma extensão do Pleiades CubeSat Cluster, uma iniciatia inter universitária com o objectivo de testar arquitecturas de CubeSat open-source, promovendo CubeSats de baixo custo para o acesso educacional ao espaço, e criar infraestruturas de melhorem o acesso e interesse no rádio através de comunicações por satélite.

O satélite Alcyone (Pleiades Five) é um CubeSat-1U promovido pela Universidade de Columbia e fabricado pela AIVT Cal Poly Pomona (Bronco Space).  O satélite irá fornecer serviços de retransmissão de pacotes digitais nas bandas UHF e S à comunidade de radioamadores como missão principal. Irá permitir que os operadores de radioamadores reencaminhem pacotes para outros satélites do cluster PROVES para retransmissão e irá utilizar um sistema de observação de campo largo para captar uma imagem de um leão impresso em 3D (a mascote da Universidade de Columbia) com a Terra em segundo plano. Após a análise destas imagens pela equipa de operações da missão Alcyone, será selecionada uma como “imagem do dia”, que poderá ser solicitada e transmitida por radioamadores de todo o mundo, de acordo com as instruções publicadas na página do projecto.

O CubeSat-1U Atlas terá como função fornecer serviços de retransmissão de pacotes digitais nas bandas UHF e S à comunidade de radioamadores como missão principal, permitir que os operadores de radioamadores reencaminhem pacotes para outros satélites do cluster PROVES para retransmissão e utilizar um sistema de determinação e controlo de atitude (ADC) desenvolvido por estudantes, que emprega magnetorquers e uma inovadora unidade de processamento de voo.

O pequeno Electra é um CubeSat-1U que irá fornecer serviços de retransmissão de pacotes digitais nas bandas UHF e S à comunidade de radioamadores como missão principal e permitir que os operadores amadores reencaminhem pacotes para retransmissão. O satélite irá servir como kit PROVES de referência. Este satélite será um kit PROVES não modificado, sem qualquer experiência específica, dedicado inteiramente a serviços de retransmissão para radioamadores. O histórico de voos deste satélite demonstrará a prontidão do kit PROVES de código aberto para ser adoptado pela crescente comunidade de construção de satélites amadores.

O satélite Maia é baseado no factor de forma CubeSat-1U que irá fornecer serviços de retransmissão de pacotes digitais nas bandas UHF e S à comunidade de radioamadores como missão principal, além de permitir que os operadores amadores reencaminhem pacotes para outros satélites do cluster PROVES para retransmissão.

O CubeSat-2U Taygeta irá fornecer serviços de retransmissão de pacotes digitais nas bandas UHF e S à comunidade de radioamadores como missão principal, além de permitir que os operadores amadores reencaminhem pacotes para outros satélites do cluster PROVES para retransmissão. Transporta um sistema de observação que fornecerá “imagens do dia” que os radioamadores poderão receber via downlink e transporta um processador de voo secundário que supervisionará uma experiência de sensorização de radiação.

Construído inteiramente por estudantes, o satélite Coconut é baseado no factor de forma CubeSat-1U e foi desenvolvido pelo Laboratório de Satélites Sun Devil da Universidade Estadual do Arizona (ASU). A principal missão do Coconut é fornecer um serviço de repetidor digital para radioamadores, utilizando módulos LoRa de baixo custo e baixa potência. Isto permitirá que os estudantes da ASU e outros radioamadores interajam utilizando nós terrestres de baixo custo. O satélite é uma prova de conceito que demonstra a capacidade dos estudantes em construir o seu próprio CubeSat. Além disso, o satélite efectuará uma experiência de armazenamento e retransmissão, na qual os radioamadores poderão registar-se na página do projecto e depois ter dados que enviarão via LoRa, captados na estação terrestre da ASU e retransmitidos pelo meio da sua escolha para o destinatário especificado. A missão está orientada para que os estudantes se envolvam em aprendizagem prática e adquiram experiência com hardware de naves espaciais e transmissão de rádio. Isto permitirá também que os radioamadores de todo o mundo utilizem uma função padrão de repetidor digital durante toda a vida útil do satélite, além de lhes dar a oportunidade de participar numa experiência de armazenamento e retransmissão.

O CubeSat-2U HUCSat (Huniversity of Harvard CubeSat) irá testar a utilidade e a viabilidade das ligas com memória de forma como meio de reduzir o custo e a complexidade da instrumentação em ambiente de microgravidade. O objetivo é que esta aplicação de ligas com memória de forma represente uma solução simples, escalável e economicamente competitiva para funções críticas de implantação em órbita terrestre e não só.

O LEOPARDSat-1 (Low Earth Orbit Platform for Aerospace Research and Development Satellite 1) é baseado no factor de forma CubeSat-1U e é uma missão tem como objectivo estudar a eficácia dos compósitos leves à base de carbono na protecção contra radiações ionizantes. Para isso, o satélite irá medir a diferença na dose de radiação entre sensores parcialmente protegidos por diferentes espessuras destes materiais e sensores desprotegidos. Estes dados ajudarão a comunidade espacial a avaliar a viabilidade da utilização destes materiais em futuras missões, além de contribuir para o projecto do satélite para testes adicionais dos materiais. Como esta é a primeira missão de satélite da UC Cubecats, servirá também como uma oportunidade para os nossos membros adquirirem experiência no design, construção, teste e lançamento de sistemas espaciais.

As dimensões do LEOPARDSat-1 são 10 cm x 10 cm x 11,35 cm) com uma massa estimada de aproximadamente 0,96 kg. No interior da estrutura, encontram-se cinco placas no formato PC104, com o conjunto da carga útil montado na face +Z (superior) do satélite.

O OreSat-1 (Oregon Satellite 1) é um CubeSat-2U da Universidade Estadual de Portland para promover a educação aeroespacial e criar uma oportunidade inovadora de divulgação científica no estado do Oregon.

O satélite irá transmitir um vídeo ao vivo, ao estilo “selfie”, de alunos do ensino básico e secundário do Oregon e das suas respetivas regiões, a partir da órbita terrestre baixa. Os estudantes receberão o vídeo em equipamento simples que eles próprios irão construir, transmitido por um satélite sofisticado concebido e construído por estudantes um pouco mais velhos das faculdades e universidades do Oregon. A sua missão secundária é estudar a contribuição das nuvens cirrus de alta altitude para as alterações climáticas globais. O OreSat-1 ainda tem como missão aumentar a prontidão tecnológica de um conjunto de tecnologias CubeSat: o sistema de comunicação via rádio DxWiFi, as células solares de arseneto de gálio fabricadas pela Alta Devices e a plataforma CubeSat de código aberto OreSat.

O OreSat-1 foi selecionado em 2017 pela Iniciativa de Lançamento de CubeSats (CSLI) da NASA para ser lançado como parte do programa ELaNa.

O QubeSat-1 é baseado no factor de forma CubeSat-2U e envolve uma componente amadora e uma componente científica/educativa. Na sua missão amadora o satélite terá uma funcionalidade de repetidor digital que permitirá aos radioamadores transmitir pacotes dos seus próprios dados para o satélite, que serão armazenados e retransmitidos pelo satélite no momento por eles escolhido. Esta capacidade de armazenamento e retransmissão permitirá aos radioamadores transmitir pacotes a partir da sua localização para qualquer parte do mundo. Além disso, será utilizada a rede de estações terrestres de código aberto TinyGS, garantindo uma ampla acessibilidade para os operadores amadores de todo o mundo. A sua missão científica/educativa tem como objectivo pperar uma experiência de giroscópio quântico de prova de conceito desenvolvida por estudantes da UC Berkeley. Isto testará a utilização de diamantes com centro de nitrogénio-vacância (NV) nas condições da órbita terrestre baixa. Um giroscópio como este pode fornecer melhor precisão e menos ruído do que um giroscópio MEMS, além de ser mais resistente à degradação por temperatura e radiação. Além disso, o tamanho do giroscópio é apenas limitado pelo tamanho de um laser e de um gerador de sinal de radiofrequência, podendo, por isso, ser fabricado num tamanho mais pequeno do que outros giroscópios baseados noutras tecnologias.

   

A Northrop Grumman baptizou o veículo Cygnus NG-24com o nome de uma personalidade que teve um papel importante na História do voo espacial tripulado. Neste caso, a NGIS baptizou este veículo em honra do astronauta Steven R. Nagel. Nascido em 1946, Steven R. Nagel foi seleccionado para a NASA em 1978. Serviu como piloto de reserva do T-38 na missão STS-1 do vaivém espacial OV-102 Columbia. Desempenhou um papel fundamental na verificação de software para o Laboratório de Integração de Aviónica do Space Shuttle e representou o Gabinete de Astronautas no desenvolvimento do sistema de escape da tripulação do vaivém espacial. Ao longo da sua carreira, Nagel tornou-se um veterano de quatro voos espaciais, incluindo STS-51G, STS-61A, STS-37 e STS-55. As suas missões produziram contribuições significativas para a ciência e a tecnologia, incluindo o lançamento de múltiplos satélites e uma extensa investigação a bordo do vaivém espacial.

O veículo de carga Cygnus

A Orbital SC (agora Orbital ATK) desenvolveu o veículo espacial de manobra avançada Cygnus ao abrigo do contrato COTS com a NASA. Adicionalmente ao programa de desenvolvimento e de demonstração COTS, a Orbital ATK irá utilizar o Cygnus para realizar missões logísticas de abastecimento da ISS ao abrigo do contrato CRS. O contrato com a NASA previa que a partir de 2013 a Orbital ATK realize oito missões para transportar cerca de 20.000 kg de carga para a ISS.

O sistema Cygnus é um sistema de baixo risco que incorpora elementos de tecnologias já existentes provenientes da Orbital e dos seus companheiros no programa. A Cygnus consiste num módulo de serviço comum e um módulo de carga pressurizado. A Cygnus irá transportar mantimentos para a tripulação, peças sobressalentes e experiências científicas para a ISS. O módulo de serviço incorpora sistemas aviónicos da linha de produção dos satélites LEOStar e GEOStar da OSC juntamente com sistemas de propulsão e sistemas de fornecimento de energia dos satélites de comunicações GEOStar. O módulo de carga pressurizado tem por base o Multi-Purpose Logistics Module (MPLM) desenvolvido pela Thales Alenia Space para a NASA.

cygnusoa5-9

Um mecanismo Common Berthing Mechanism (CBM) localizado na extremidade do módulo de carga pressurizado permite que o veículo Cygnus seja acoplado com a estação espacial internacional.

O Cygnus utiliza um motor Delta-V da IHI Aerospace para as suas manobras orbitais. O motor é derivado do sistema de propulsão BT-4 frequentemente utilizado em satélites de comunicações. O Delta-V queima hidrazina como propelente e pode operar tanto como um motor de monopropolente como um motor de bipropolente utilizando MON-3 como oxidante. Pequenos propulsores de controlo facilitam as manobras e o controlo de atitude do veículo

No lançamento, o veículo Cygnus tem uma massa de 4.163 kg e transporta 800 kg de propelente. A energia é fornecida ao módulo de serviço a partir de duas asas solares fixas capazes de gerar 3,5kW. O seu sistema de propulsão consome N2H4 / MON-3 ou somente N2H4. A secção pressurizada pode transportar 2.400 kg de carga, tendo um volume pressurizado de 27 m3.

Lançamento

A cerca de dez horas do lançamento procede-se à activação eléctrica do foguetão Falcon-9. Tanto o lançador como a sua carga são submetidos a uma série de verificações testes antes do início do abastecimento do querosene RP-1. O Director de Voo consulta os controladores a T-38m, determinando assim se tudo está pronto para o início do abastecimento do lançador. O processo de abastecimento de RP-1 inicia-se a T-35m no primeiro estágio, seguindo-se o início do abastecimento do oxigénio líquido (LOX) na mesma altura. O abastecimento de LOX ao segundo estágio inicia-se a T-16m.

A fase terminal da contagem decrescente inicia-se com os motores a serem condicionados termicamente para o lançamento a T-7m. A T-1m é enviado um comando para o computador de voo para iniciar as verificações pré-lançamento e o sistema de supressão sónica é activado na plataforma de lançamento inundada por milhões de litros de água. Por esta altura os tanques de propelente também são pressurizados. A T-45s o Director de Lançamento verifica se todos os parâmetros estão prontos para a missão, sendo também verificado que o espaço aéreo está pronto para o lançamento. A sequência de ignição é iniciada a T-3s. A T=0s o foguetão abandona a plataforma.

Abandonando a plataforma de lançamento, o Falcon-9 inicia uma série de manobras para se colocar na trajectória de voo correcta.

O foguetão Falcon-9

Baptizado em nome da nave Millenium Falcon da saga cinematográfica “Guerra das Estrelas”, o foguetão Falcon-9 v1.1 foi um lançador a dois estágios projectado e fabricado para o transporte seguro e fiável de satélites e do veículo Dragon para a órbita terrestre. Sendo o primeiro foguetão completamente desenvolvido no Século XXI, este lançador foi projectado desde o início para ter a máxima fiabilidade. A sua simples configuração de dois estágios minimiza o número de eventos de separação (staging) e com nove motores no primeiro estágio, pode completar a sua missão em segurança mesmo na possibilidade de perda de um motor.

 

O Falcon-9 fez história em 2012 quando colocou a cápsula Dragon na órbita correcta para uma manobra de encontro com a estação espacial internacional. Desde então, foram realizadas múltiplas missões para a ISS transportando e recolhendo carga para a NASA. O Falcon-9, bem como a cápsula Dragon, foram desenhados na base do desenvolvimento de um sistema de transporte de astronautas para o espaço.

O foguetão Falcon-9 Upgrade, ou Falcon-9 FT, (a seguir designado simplesmente como “Falcon-9”) representa a mais recente evolução deste lançador. De forma geral, o Falcon-9 tem 68,4 metros de comprimento, 3,7 metros de diâmetro e uma massa de 541.300 kg. O veículo é capaz de colocar uma carga de 13.150 kg numa órbita terrestre baixa ou 4.850 kg numa órbita de transferência geossíncrona.

O primeiro estágio do Falcon-9 está equipado com nove motores Merlin (Merlin-1D) e tanque de liga de alumínio e lítio que contêm oxigénio líquido e querosene RP-1. Após a ignição, um sistema de segurança fixa o veículo na plataforma de lançamento e garante que todos os motores são verificados como estando na força máxima antes de libertar o foguetão para o seu voo. Então, com uma força superior a cinco aviões Boeing 747 em potência máxima, os motores Merlin lançam o foguetão para o espaço. Ao contrário dos aviões, a força de um foguetão vai aumentando com a altitude – o Falcon-9 gera 6.806 kN ao nível do mar, mas atinge 7.426 kN no vácuo espacial. Os motores do primeiro estágio vão sendo aumentados em potência perto do final da queima do estágio para assim limitar a aceleração do veículo à medida que a massa do lançador diminui com a queima do combustível. O tempo total de queima do primeiro estágio é de 162 segundos.

Com os seus nove motores agrupados juntos na configuração ‘octaweb’, o Falcon-9 pode aguentar a falha de até dois motores durante o lançamento e mesmo assim conseguir atingir a órbita terrestre com sucesso. O Falcon-9 é o único lançador na sua classe com esta característica chave.

O motor Merlin vai encontrar as suas raízes aos motores das missões Apollo, nomeadamente o sistema de injecção baseado no motor do módulo lunar. O propelente é alimentado por uma única conduta, com uma turbo bomba de dupla pá que opera num ciclo de gerador a gás. A turbo bomba também fornece o querosene a alta pressão para os actuadores hidráulicos, que depois recicla para a entrada a baixa pressão. Isto elimina a necessidade de um sistema hidráulico separado e significa que não é possível ocorrer uma falha no controlo de vector de força por falta de fluido hidráulico. Uma terceira utilização da turbo bomba é o fornecimento de controlo de rotação ao actuar no escape da turbina de exaustão (no segundo estágio). Combinando-se estas características num só dispositivo aumenta-se assim de forma significativa o nível de fiabilidade do sistema.

O motor é capaz de desenvolver uma força de 654 kN ao nível do mar, 716 kN no vácuo, com um impulso específico de 282 segundos (nível do mar) e 311 segundos (vácuo).

A secção interestágio é uma estrutura compósita que liga o primeiro e o segundo estágio e alberga os sistemas de libertação e separação. O Falcon-9 utiliza um sistema de separação totalmente pneumático para uma separação de baixo impacto e altamente fiável que pode ser testado no solo, ao contrário dos sistemas pirotécnicos utilizados na maior parte dos lançadores.

O segundo estágio é propulsionado por um único motor Merlin de vácuo e coloca a carga a transportar na órbita desejada. O motor do segundo estágio entra em ignição poucos segundos após a separação entre o segundo e o primeiro estágio, e pode ser reiniciado várias vezes para colocar múltiplas cargas em diferentes órbitas. Para máxima fiabilidade, o segundo estágio está equipado com sistemas de ignição redundantes. Tal como o primeiro estágio, o segundo estágio é feito a partir de uma liga de alumínio e lítio.

O motor Merlin de vácuo (Merlin-1D de vácuo) desenvolve uma força de 934 kN e o seu tempo de queima é de 397 segundos.

A carenagem compósita é utilizada para proteger a carga durante a passagem do Falcon-9 pelas camadas mais densas da atmosfera. Quando a missão do Falcon-9 é o lançamento do veículo de carga Dragon, a carenagem não é utilizada, pois a cápsula possui o seu próprio sistema de protecção.

A carenagem tem 13,1 metros de comprimento e 5,2 metros de diâmetro. Fabricada em fibra de carbono, separa-se em duas metades utilizando um sistema de separação de actuadores pneumáticos semelhantes aos que são utilizados para a separação entre o primeiro e o segundo estágio.

A sequência de lançamento para o Falcon-9 é um processo de precisão ditada pela janela de lançamento tendo em conta a posição orbital a ser ocupada pela carga a bordo. Se a janela de lançamento é perdida, a missão é então adiada para a próxima janela de lançamento disponível.

Cerca de quatro horas antes do lançamento, inicia-se o processo de abastecimento – primeiro oxigénio líquido seguindo-se o querosene altamente refinado (RP-1). O vapor observado a sair do lançador durante a contagem decrescente é na realidade oxigénio a ser liberto dos tanques, sendo esta a razão pela qual o abastecimento de oxigénio líquido se mantém até quase ao final da contagem decrescente.

Lançamento Veículo 1.º estágio Local Lançamento Data Hora (UTC) Carga Recuperação
2026-055 618 B1077.27 CCSFS, SLC-40 19/Mar/26 14:20:10 Starlink G10-33 JRTI
2026-057 619 B1100.4 VSFB, SLC-4E 20/Mar/26 21:51:49 Starlink G17-15 OCISLY
2026-059 620 B1078.27 CCSFS, SLC-40 22/Mar/26 14:47:00 Starlink G10-62 ASOG
2026-063 621 B1081.23 VSFB, SLC-4E 26/Mar/26 23:03:19 Starlink G17-17 OCISLY
2026-067 622 B1093.12 VSFB, SLC-4E 30/Mar/26 11:01:59,988 Transporter-16 OCISLY
2026-068 623 B1067.34 CCSFS, SLC-40 30/Mar/26 21:15:00 Starlink G10-44 JRTI
2026-070 624 B1085.15 CCSFS, SLC-40 02/Abr/26 11:55:10 Starlink G10-58 ASOG
2026-073 625 B1103.1 VSFB, SLC-4E 07/Abr/26 02:50:39 Starlink G17-35 OCISLY
2026-077 626 B1063.32 VSFB, SLC-4E 11/Abr/26 05:04:19 Starlink G17-21 OCISLY
2026-079 627 B1094.7 CCSFS, SLC-40 11/Abr/26 11:41:21 Cygnus-XL NG-24 Alcyone Atlas Electra Maia Taygeta Coconut HUCSat LEOPARDSat-1 OreSat-1 QubeSat-1 LZ-40
Imagens: SpaceX, Boletim Em Órbita


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