
Adiada de Dezembro de 2025, a empresa Rocket Lab USA Inc. realizou o lançamento da missão “Bridging The Swarm”, colocando em órbita um satélite NEONSAT cujo um dos objectivos é a prevenção de catástrofes naturais na península coreana.
O lançamento teve lugar às 0121:39UTC do dia 30 de Janeiro de 2026 e foi realizado pelo foguetão Electron/Curie (F81) a partir da Plataforma de Lançamento LC-1A do Centro de Lançamentos de Máhia, Onenui, Nova Zelândia. O objectivo da missão foi colocar a sua carga numa órbita terrestre baixa a uma altitude de 540 km com uma inclinação de 97,4º.
O satélite NeonSat-1A foi desenvolvido pelo Centro de Investigação em Tecnologia de Satélites (Satellite Technology Research Center – SaTReC) do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (Korea Advanced Institute of Science and Technology – KAIST), a principal universidade coreana dedicada à ciência e tecnologia.
Este é um avançado de observação da Terra equipado com uma câmara óptica de alta resolução. O satélite foi adicionado posteriormente à constelação inicial como a segunda missão para validar a tecnologia do sistema de constelação de microssatélites, identificada através do primeiro satélite em órbita (lançado a 23 de Abril de 2024).
Concebida para captar dados de monitorização de catástrofes naturais em tempo quase real na península coreana, a constelação NEONSAT do KAIST é uma colaboração entre diversas instituições académicas, industriais e de investigação coreanas, incluindo o SaTReC, que lidera o design e a engenharia do sistema. O programa NEONSAT é financiado pelo Ministério da Ciência e TIC (MSIT) do governo coreano.
O foguetão Electron
O Electron é um lançador a três estágios com um comprimento de 18 metros e um diâmetro de 1,2 metros. Tem uma massa de 13.000 kg no lançamento e é capaz de colocar em órbita terrestre baixa uma carga de 225 kg, sendo a sua carga nominal de 200 kg (a 500 km de altitude). Devido ao seu desenho e fabrico (fibra de carbono compósito e estrutura monocoque), o Electron é elaborado com altos níveis de automatização.
O lançador tira partido de materiais compósitos na sua fuselagem, tendo uma estrutura forte e super leve. Da mesma forma, os tanques de propelente são fabricados em materiais compósitos.
O primeiro estágio está equipado com nove motores Rutherford com uma capacidade de 162 kN, com um impulso específico de 311 s. O motor Rutherford consome querosene e oxigénio líquido, utilizando componentes impressos em 3D.
O motor Rutherford é um motor topo de gama que se alimenta de querosene e oxigénio líquido, sendo especificamente projectado para o foguetão Electron utilizando um ciclo de propulsão inteiramente novo. Uma característica única deste motor são as turbinas eléctricas de alto desempenho que reduzem a sua massa, substituindo assim ‘hardware’ por ‘software’. O motor Rutherford é o primeiro motor do seu tipo que utiliza impressão 3D nos seus componentes principais. Estas características são únicas no mundo para um motor de propelentes líquidos de alto desempenho alimentados por turbobombas eléctricas. O seu desenho orientado para a produção permitem que o Electron seja construído e os satélites lançados com uma frequência sem precedentes.
O segundo estágio do lançador é propulsionado por um motor derivado do motor Rutherford melhorado para um excelente desempenho em condições de vácuo. Consegue desenvolver 22 kN de força e um impulso específico de 343 s.
A sua carenagem tem um comprimento de 2,5 metros com um sistema de separação pneumático e por molas.

A tabela seguinte mostra os últimos dez lançamentos realizados por foguetões Electron (incluí lançamentos suborbitais).
| Lançamento | Veículo Lançador | Local Lançamento
Missão |
Data de Lançamento | Hora
(UTC) |
Carga |
| – | F72 | MARS Wallops Isl, LA-0C (LC-2) | 01/Out/25 | 00:28:00 | Justin |
| 2025-229 | F73 | Onenui (Máhia), LC-1A
“Owl New World” |
14/Out/25 | 16:33 | StriX-5 |
| 2025-252 | F74 | Onenui (Máhia), LC-1B
“The Nation God Navigates” |
05/Nov/25 | 19:45 | QPS-SAR 14 |
| – | F75 | MARS Wallops Isl, LA-0C (LC-2)
“Prometheus Run” |
18/Nov/25 | 13:00 | VAN |
| 2025-267 | F76 | Onenui (Máhia), LC-1A
“Follow My Speed” |
20/Nov/25 | 12:43 | BlackSky Global 33 |
| 2025-297 | F77 | Onenui (Máhia), LC-1B
“RAISE and Shine” |
14/Dez/25 | 03:09 | RAISE-4 |
| 2025-305 | F78 | MARS Wallops Isl, LA-0C (LC-2)
“Don’t Be Such a Square” |
18/Dez/25 | 05:03:00 | STP-30 |
| 2025-307 | F79 | Onenui (Máhia), LC-1B
“The Wisdom God Guides” |
22/Dez/25 | 06:36 | QPS-SAR 15 |
| 2026-015 | F80 | Onenui (Máhia), LC-1A
“The Cosmos Will See You Now” |
22/Jan/26 | 10:52 | MR-1
MR-2 |
| 2026-019 | F81 | Onenui (Máhia), LC-1A
“Bridging The Swarm” |
30/Jan/26 | 01:21:39 | NeonSat-1A |
O Complexo de Lançamento LC-1 localizado na Península de Máhia, entre Napier e Gisborne, na costa Este de Ilha do Norte da Nova Zelândia. Este é o primeiro complexo orbital na Nova Zelândia e o primeiro complexo, a nível mundial, operado de forma privada.

Equipado com duas plataformas de lançamento, a localização remota do LC-1, e de forma particular o seu baixo volume de tráfego marítimo e aéreo, é um factor-chave que permite um acesso sem precedentes ao espaço. A posição geográfica deste local permite que seja possível a uma grande gama de azimutes de lançamento – os satélites lançados desde Máhia podem ser colocados em órbitas com uma grande variedade de inclinações para assim proporcionar serviços em muitas áreas em torno do globo.
Imagens: RocketLab