
O foguetão japonês H3 voltou ao activo após o desaire registado a 22 de Dezembro de 2025 e que levou à perda do satélite de navegação QZS-5 “Michibiki-5”.
Utilizando a versão “30S”, a mais pequena deste lançador, o veículo F6 foi lançado às 0053:59UTC do dia 12 de Junho de 2026, a partir da Plataforma de Lançamento LP-2 do Complexo de Lançamento Yoshinubo, do Centro Espacial de Tanegashima, perfeitura de Kagoshima.
Anunciando o sucesso do lançamento, a agência espacial japonesa JAXA referiu “A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) lançou o Veículo de Lançamento H3, voo nº 6, Veículo de Teste de Configuração 30, às 09:53:59 (JST) do dia 12 de Junho de 2026, a partir do Centro Espacial de Tanegashima. O Veículo de Lançamento voou como planeado e o segundo estágio do H3 foi inserido na órbita pré-determinada. Aproximadamente 16 minutos e 4 segundos após o lançamento, foi confirmada a separação dos módulos PETREL e STARS-X. Além disso, com base nos dados pós-órbita terrestre do segundo estágio, a JAXA confirmou que os sinais de separação foram enviados para os satélites BRO-22, VERTECS, HORN-L e HORN-R. A JAXA agradece a todos o apoio demonstrado durante o lançamento.”
Com o sucesso dests missão, foi anunciado o lançamento do satélite QZS-7 “Michibiki-7” para o dia 6 de Agosto de 2026.
Trinta testes de configuração do veículo, incluindo a confirmação da integridade da Estrutura de Suporte da Carga Útil (PSS), foram realizados antes do lançamento. Além disso, durante a missão, foram adquiridos dados adicionais de voo para apoiar a avaliação da análise da causa da perda do veículo H3-22S (F8) e para melhorar a fiabilidade das missões subsequentes.
A carga do H3-30S (F6)
A carga da missão F6 do lançador H3 (H3-30S) foi constituída por uma carga não separável denominada “VEP-5” e pelos pequenos satélites PETREL, STARS-X, BRO-22, VERTECS, HORN-L e HORN-R.
O VEP-5 (Vehicle Evaluation Payload 5) é uma carga útil de demonstração utilizada no primeiro voo do veículo de lançamento H3-30S. A carga é composta por numa massa fictícia não separável acoplada ao segundo estágio do veículo de lançamento, transportando também vários pequenos satélites.
Com uma massa de 62 kg, o PETREL (Platform for Extra-& Terrestrial Remote Examination with LCTF) é um pequeno satélite desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Tóquio para demonstração de tecnologia de observação oceânica multiespectral utilizando um sistema de controlo de atitude de alta precisão e custo ultrabaixo.
O projecto STARS X (Space Tethered Autonomous Robotic Satellite X) da Universidade de Shizuoka, é uma demonstração técnológica de captura de detritos espaciais utilizando tecnologia de amarração espacial. É constituído por um satélite-mãe e um satélite-filho ligados por um cabo.
O cabo é estendido a 1 km em órbita, um robô (escalador) move-se sobre ele e é realizada uma experiência de captura de detritos com recurso a uma rede.
Os satélites BRO (Breizh Reconnaissance Orbiter), desenvolvidos pela UnseenLabs, são uma série de equipamentos que fornecem serviços de monitorização do espectro e de inteligência eletromagnética (SIGINT) para a vigilância do tráfego marítimo e aéreo.
A segunda versão destes satélites, construída pela GOMSpace, são baseados no formato CubeSat-8U com a carga útil de monitorização de espectro desenvolvida pela UnseenLabs.
Os satélites constituem um primeiro passo para uma futura constelação que utilizará uma monitorização avançada de espectro dedicada a um serviço inovador de vigilância marítima.
O pequeno VERTECS (Visible Extragalactic background RadiaTion Exploration by CubeSat) é um nanossatélite astronómico baseado no factor de forma CubeSat-6U (10cm×20cm×30cm) concebido para revelar a história da formação estelar através da observação da luz visível do fundo extragaláctico.
O VERTECS foi desenvolvido por uma colaboração entre o Instituto de Tecnologia de Kyushu, a JAXA, a Universidade da Cidade de Tóquio, a Universidade Kwansei Gakuin, o Centro de Astrobiologia da Universidade Meisei, o Instituto de Tecnologia de Tóquio, a Universidade de Kanazawa, a Universidade de Fukui, a SEIREN Co., Ltd. e a Cosina Co., Ltd. Esta missão foi selecionada pelo programa JAXA-SMASH (JAXA-Small Satellite Rush), sendo desenvolvida e lançada em 2 anos.
O alvo de observação do VERTECS é a retroiluminação extragaláctica (EBL). A EBL é a radiação acumulada e integrada desde o início do universo até à época atual e é crucial para revelar a história da formação estelar. No comprimento de onda do infravermelho próximo, a intensidade da EBL é reportada como sendo várias vezes maior do que a da luz integrada das galáxias conhecidas. Este resultado sugere a presença de uma grande quantidade de objetos ténues não identificados no universo. Os possíveis candidatos incluem os primeiros objetos estelares, como buracos negros primordiais ou luz intra-halo no universo local. É expectável que estes objetos apresentem um espectro de radiação diferente no comprimento de onda visível. Portanto, o VERTECS realizará observações multicoloridas no visível e revelará a origem do componente em excesso da EBL.

Os satélites HORN-L e HORN-R são baseados no factor de forma CubeSat-6U e têm como missão demonstrar um dispositivo PMD (Post Mission Disposal) utilizando a resistência atmosférica. Os satélites foram desenvolvidos pela empresa BULL Space.
O foguetão H3
O foguetão H3 é o novo lançador espacial do Japão cujo objectivo é tornar-se um sistema de lançamento de alta flexibilidade, alta fiabilidade e com um desempenho de alto custo. O seu desenvolvimento foi autorizado a 17 de Maio de 2013, tendo como objectivo um lançamento inaugural em 2020.
O lançador tem várias versões dependendo da escolha da carenagem, do número de motores no primeiro estágio e do número de propulsores laterais, possibilitando assim o lançamento de cargas de vários tamanhos para diferentes tipos de órbitas. A sua capacidade para atingir a órbita geoestacionária será a maior alguma vez conseguida pelo Japão, excedendo as capacidades dos lançadores H-IIA e H-IIB.


Sendo um sucessor dos foguetões H-IIA e H-IIB, o H3 foi desenvolvido para o Japão poder manter uma cesso autónomo ao espaço para o lançamento de satélites e sondas não tripuladas, incluindo importantes missões governamentais, além de satélites comerciais.
O novo foguetão foi desenvolvido pela agência espacial japonesa, JAXA, e pela Mitsubishi Heavy Industries (MHI), além de outras empresas, produzindo um lançador de baixo custo, flexível e fiável.
O H3 foi desenvolvido para atingir três objectivos principais: alta flexibilidade, alta fiabilidade e desempenho de alto custo.
O lançador conseguirá proporcionar um preço de lançamento apropriado e capacidade para as necessidades de cada cliente, ao preparar várias configurações de lançamento. O veículo será também capaz de responder de forma rápida aos requisitos dos clientes para o lançamento das suas cargas ao reduzir o período de preparação para a missão.

Por seu lado, ao herdar o nível de sucesso do foguetão H-IIA, o novo H3 será também um lançador fiável e o preço do serviço de lançamento será inferior se comparado com o preço praticado com o foguetão H-IIA.

O foguetão H3 proporciona dois tipos de carenagens de protecção, duas ou três unidades de propulsão para os motores do primeiro estágio (LE-9) e a possibilidade de ser lançado sem propulsores laterais ou com dois ou quatro propulsores laterais de combustível sólido (SRB-3) para assim poder lançar cargas de vários tamanhos para diferentes órbitas. O novo lançador tem também uma alta capacidade de lançamento para a órbita de transferência para a órbita geossíncrona, excedendo as capacidades dos foguetões H-IIA e H-IIB.
As principais características do lançador H3 ‘standard’ – H3 (H3-24L) – são um comprimento de 63 metros, uma massa total de 574.000 kg (sem cargas) e a utilização de um sistema de orientação inercial como sistema de orientação.

O foguetão H3 é um lançador a dois estágios que pode utilizar uma combinação de propulsores laterais de combustível sólido na fase inicial do lançamento.
Dependendo do seu modelo, o H3 consegue colocar uma carga de 4.000 kg numa órbita sincronizada com o Sol, ou uma carga de 4.000 kg a 7.900 kg numa órbita de transferência para a órbita geossíncrona.
O primeiro estágio consome oxigénio líquido (LOX) e hidrogénio líquido (LH2), podendo ainda ser auxiliado por dois ou quatro propulsores laterais de combustível sólido (SRBs) sendo derivados dos propulsores SRB-A utilizados no foguetão H-IIA. Estes propulsores consomem um combustível tendo por base polibutadieno. O H3 pode também ser lançado sem qualquer propulsor lateral de combustível sólido.
O primeiro estágio pode ser propulsionado por dois ou três motores LE-9 que utilizam um desenho de ciclo expandido semelhante ao utilizado nos motores LE-5B. A massa do combustível e do oxidante do primeiro estágio é de 225.000 kg. Dependendo do número de motores, o primeiro estágio desenvolve uma força de 2.942 kN ou 4.413 kN, com um impulso específico de 425 s e um tempo de queima de 300 s. Com um diâmetro de 5,2 metros, o primeiro estágio tem 37 metros de comprimento. Os propulsores laterais SRB-3 desenvolvem uma força de 2.158 kN, com um impulso específico de 283,6 s. O tempo de queima dos SRB-3 é de 110 s. Com um diâmetro de 2,5 metros, os propulsores laterais têm 15 metros de comprimento.
O segundo estágio é propulsionado por um único motor que é uma versão melhorada do motor LE-5B (LE-5B-3). A massa do combustível e do oxidante do primeiro estágio é de 23.000 kg. Desenvolve uma força máxima de 137 kN e tem um impulso específico de 448 s e um tempo de queima de 686 s. Com um diâmetro de 5,2 metros, o segundo estágio tem 12 metros de comprimento.
Imagens: JAXA e Internet japonesa