Contando crateras

Crateras, crateras e mais crateras: esta imagem da Mars Express, da ESA, está repleta delas, cada uma tão fascinante como a outra.

Esta imagem do Planeta Vermelho – captada pela Câmara Estereoscópica de Alta Resolução da Mars Express – mostra uma porção de Arabia Terra, uma vasta planície nas antigas terras altas de Marte. Esta região de Marte é conhecida por estar repleta de crateras, cada uma formada quando uma rocha espacial colidiu com o planeta.

Solo ancestral

A abundância de crateras aqui observada não é surpresa. A Arabia Terra é verdadeiramente ancestral. Como resultado, teve muito tempo para aumentar a sua impressionante colecção de crateras – entre 3,7 e 4,1 mil milhões de anos, na verdade.

A imagem principal acima mostra apenas algumas delas. Algumas estão preenchidas com material surpreendentemente escuro, outras abrigam areias mais claras e dunas ondulantes, enquanto outras ainda mostram sinais de paredes desmoronadas e bordas desgastadas.

A cratera mais proeminente vista na imagem, estendendo-se para fora do enquadramento no canto inferior direito, é a Cratera Trouvelot. Esta cratera tem cerca de 130 km de diâmetro e mostra sinais de ser muito antiga: possui uma borda que há muito começou a desmoronar, paredes internas irregulares em “terraços” que desmoronaram sob o seu próprio peso ao longo do tempo e uma série de crateras menores sobrepostas que se formaram desde a criação da própria Cratera Trouvelot.

Escuro e vulcânico

À esquerda da Cratera Trouvelot encontra-se uma outra bacia que parece ser ainda mais antiga e erodida, com uma parede quase completamente desgastada. Trouvelot corta esta cratera, indicando ainda que esta cratera companheira mais deteriorada esteve lá primeiro.

O fundo desta cratera mais antiga está quase todo coberto por rocha escura, rica em minerais como magnésio, ferro, piroxina e olivina (conhecida como rocha máfica, e frequentemente criada por vulcanismo). Estas rochas vulcânicas podem ter sido lançadas por impactos que formaram crateras e, posteriormente, deslocadas pela ação dos ventos e pela gravidade, que puxou o material para baixo pelas paredes da cratera.

As outras grandes crateras aqui vistas – e em Arabia Terra, para além das margens desta imagem – apresentam depósitos escuros semelhantes nos seus fundos ou paredes, indicando que estes processos são comuns nesta parte de Marte.

Na cratera Trouvelot, o material escuro foi moldado pelo vento em dunas onduladas conhecidas como dunas barcanas. Estas têm uma forma característica de foice ou crescente e são criadas quando os ventos sopram predominantemente numa direcção. A Mars Express já tinha detectado dunas barcanas em Marte, como na região polar norte do planeta e perto da grande província vulcânica de Tharsis.

Das trevas para a luz

No meio do material escuro da Cratera Trouvelot, encontra-se um sinal de que outros processos ali actuaram: um monte de tonalidade clara com cerca de 20 km de comprimento, coberto de cristas e sulcos.

Montículos semelhantes já foram observados noutros locais de Marte – na cratera Becquerel, por exemplo, como visto pela sonda Mars Express em 2013 e 2014. Geralmente apresentam sinais de minerais que entraram em contacto com água ou se formaram na sua presença, e são normalmente muito mais claros do que o ambiente circundante.

Acredita-se que a água também desempenha um papel fundamental na formação dos próprios montículos, mas este é ainda um tema de debate. Os montículos podem ter-se formado num lago ou mar no passado de Marte. Em alternativa, as camadas de rocha de tonalidade clara podem ter-se acumulado gradualmente à medida que a água na superfície marciana e abaixo desta (“água subterrânea”) subia e se misturava com sedimentos transportados pelo vento no fundo da cratera.

Décadas de exploração de Marte

Esta imagem foi captada por um dos oito instrumentos a bordo da Mars Express: a Câmara Estereoscópica de Alta Resolução (HRSC). A sonda orbital de Marte explora as diversas paisagens do planeta desde o seu lançamento em 2003. Mapeou a superfície do planeta com uma resolução sem precedentes, a cores e a três dimensões, durante mais de duas décadas, fornecendo informações que mudaram drasticamente a nossa compreensão do nosso vizinho planetário (saiba mais sobre a Mars Express e as suas descobertas aqui).

A HRSC da Mars Express foi desenvolvida e é operada pelo Centro Aeroespacial Alemão (Deutsches Zentrum für Luft- und Raumfahrt; DLR). O processamento sistemático dos dados da câmara decorreu no Instituto de Investigação Espacial do DLR em Berlim-Adlershof. O grupo de trabalho de Ciência Planetária e Deteção Remota da Universidade Livre de Berlim utilizou os dados para criar as imagens aqui apresentadas.

Texto original: Counting craters

Texto e imagens: ESA

Tradução automática via Google

Edição: Rui Barbosa



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