
Uma imagem de satélite mostra o Sol com um ponto preto no centro, assemelhando-se a um olho brilhante na escuridão do espaço. A mancha preta não é uma falha da câmara, mas um comportamento esperado dos sensores de imagem sob iluminação extrema, conhecido como efeito Sol Negro – quando a sobressaturação dos pixéis faz com que áreas muito brilhantes pareçam escuras.
Captada por uma câmara minúscula a bordo do nanossatélite Trisat-S, esta imagem é exactamente o que a equipa da missão esperava.
“O efeito do Sol Negro pode parecer, à primeira vista, um artefacto indesejado nas imagens, mas para nós é uma característica visual muito útil”, explica Iztok Kramberger, investigador principal do programa Trisat na Universidade de Maribor, na Eslovénia. “Juntamente com as observações da Terra e da Lua, o ‘Sol Negro’ serve como uma referência visual que pode ser utilizada por uma nave espacial para determinar a sua atitude e órbita.”
A equipa já tinha investigado este efeito com a missão Trisat-R, que recebeu apoio do Programa Geral de Apoio Tecnológico da Agência Espacial Europeia. Quando a câmara do Trisat-R não estava ocupada a captar imagens do Sol, fotografava a Terra vista através da lente de 2 mm da câmara, a milhares de quilómetros de distância.
Lançado no início de Setembro com uma experiência de acompanhamento, o Trisat-S é uma missão liderada pela Universidade de Maribor em cooperação com a empresa espacial eslovena SkyLabs e transporta seis câmaras em miniatura que cobrem os arredores do satélite em todas as direções.
“Enquanto o Trisat-R fornece observações de duas câmaras em órbita terrestre média, oferecendo uma perspetiva diferente da Terra e do ambiente espacial, o Trisat-S dá-nos a oportunidade de recolher observações simultâneas de seis câmaras em órbita terrestre baixa”, acrescenta Iztok.
“As imagens resultantes são particularmente valiosas porque podemos compará-las com as nossas simulações em solo para refinar e validar ainda mais os nossos modelos de perceção visual, fechando o ciclo entre simulações, testes em laboratório e voos espaciais reais.”
No início deste ano, a tecnologia de imagem minúscula foi exposta a um ambiente de radiação intensa nas instalações Charm do CERN – semelhante às condições extremas que enfrentaria no espaço – para avaliar como os mecanismos de proteção contra radiação desenvolvidos pela SkyLabs garantem que o sensor da câmara mantém a sua funcionalidade e desempenho de imagem sob radiação.
Além das suas experiências de navegação baseadas em imagens, o Trisat-S está a demonstrar tecnologias avançadas de hibernação de naves espaciais para futuras missões de longa duração.
“Em última análise, o nosso objetivo é dar a uma nave espacial a capacidade de compreender onde está e como está orientada simplesmente observando o ambiente à sua volta, utilizando tecnologia altamente miniaturizada. Isto representa um passo importante em direção à navegação autónoma muito para além da Terra”, conclui Iztok.
O Trisat-S foi um dos seis CubeSats comerciais e educativos lançados pelo foguetão Spectrum da Isar Aerospace em setembro de 2026. Este lançamento fez da Isar Aerospace a primeira empresa europeia a alcançar a órbita com o seu próprio veículo de lançamento e a primeira a completar o Desafio Europeu de Lançadores da ESA.
Na imagem o Sol, visto como um círculo de luz branca brilhante, preenche o centro de uma imagem escura. Um pequeno ponto preto surge no meio do círculo brilhante, rodeado por um halo luminoso e anéis ténues. Um reflexo brilhante mais pequeno é visível abaixo da fonte de luz principal.
Texto original: When the Sun turns black
Texto e imagem: ESA
Tradução automática via Google
Edição: Rui Barbosa