Missão partilhada da JAXA lançada pela RocketLab

A Rocket Lab USA Inc. realizou o lançamento de oito satélites numa missão partilhada contratada pela agência espacial japonesa JAXA.

O lançamento teve lugar às 0309UTC do dia 23 de Abril de 2026 e foi realizado pelo foguetão Electron/Curie (F87) a partir da Plataforma A do Complexo de Lançamento LC-1 do Centro de Lançamento de Onenui (península de Máhia), Nova Zelândia.

Esta missão foi designada “Kakushin Rising” e transportou oito satélites para uma órbita a 540 km de altitude, que estava originalmente previstos ser lançados com o satélite RAISE-4 a bordo de um foguetão Epsilon-S. Devido à perda de vários satélites a 12 de Outubro de 2022 devido a uma falha técnica no lançador Epsilon-S (F06) e aos atrasos registados no regresso ao activo do lançador, a agência espacioal japonesa decidiu contratar a empresa norte-americana para o lançamento do RAISE-4 (a 14 de Dezembro de 2025) e dos restantes satélites que o iam acompanhar (estes, num segundo lançamento).

A carga “Kakushin Rising”

A missão “Kakushin Rising” transportou oito satélites: MAGNARO-II, KOSEN-2R, WASEDA-SAT-ZERO II, FSI-SAT2, OrigamiSat-2, Mono-Nikko, ARICA-2 e PRELUDE, sendo todos eles segundas versões dos satélites perdidos em Outubro de 2022. A Exolaunch forneceu o hardware de implantação EXOpod NOVA para a colocação dos satélites em órbita a partir do estágio Curie.

Os satélites MAGNARO-II foram desenvolvidos pela Universidade de Nagoya e têm como objectivo demonstrar técnicos de voo em formação em órbita. O propósito da missão é o de desenvolver métodos para se conseguir uma poupança de recursos, alta precisão, e voo em formação ao rodar e separar micro-satélites previamente ligados um ao outro para assim formar um conjunto (formação) de veículos, conseguindo uma observação simultânea de multiplos pontos e uma observação contínua da superfície terrestre com pequenos satélites.

A missão MAGNARO-II foi lançada como um conjunto CubeSat-3U com uma massa de 4,4 kg que se dividiria em dois satélites após a separação do lançador. Um dos satélites é baseado no factor de forma 2U e o outro no factor de forma 1U, estando ligados por magnetismo até à separação. Após a separação, os satélites manterão uma distância eentre 2 km e 500 km um do outro. Os operadores de rádio amador podem utilizar estes satélites como repetidores para comunicações a longa distância.

O satélite KOSEN-2R é um CubeSat-2U desenvolvido através de uma parceria entre o Instituto Nacional de Tecnologia (KOSEN), o Colégio Yonago, o Colégio Gunma e outras instituições educacionais.

O satélite, com uma massa de 2,7 kg, está equipado com uma antena tipo Yagi que será colocada na posição operacional após a separação do lançador. Está projectado para estudar a deformação da crusta da Terra por debaixo do fundo marítimo.

O KOSEN-2 fará uso de rodas de reacção para manter o seu controlo de atitude e fará observações utilizando uma combinação de lentes de ‘olho de peixe’ e sensores magnéticos.

O CubeSat-1U Waseda-SAT-ZERO II tem uma massa de 1,2 kg e foi desenvolvido pela Universidade de Waseda como um demonstrador tecnológico para satélites com componentes impressos em 3D.

O seu objetivo é não ter parafusos de fixação, peças mecânicas para montar ou qualquer tipo de resíduo. Isto é conseguido através da impressão 3D de todo o chassis como um único elemento.

O satélite será utilizado para a realização de experiências tendo em conta o desenvolvimento de superfícies de membranas que podem ser utilizadas como painéis solares para o fornecimento de energia ou como meios de propulsão solar.

O FSI-SAT2 é um Cubesat-1U desenvolvido pelo Future Science Institute como um satélite de baixo custo equipado com uma câmara multi-espectral e um sistema de processamento de dados a bordo.

Foi projectado para demonstrar que esta tecnologia poderá ser utilizada e operada numa pequena escala e a baixo custo. A sua massa é de 1,4 kg.

O OrigamiSat-2 é baseado no factor de forma CubeSat-3U e tem uma massa de cerca de 3 kg. O satélite foi desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Tóquio.

O satélite tem com missão realizar um downlink a 5,8 GHz, isto é, implementar downlink de dados CW e de imagem utilizando a banda de 5,8 GHz. Será utilizada uma antena de membrana implantável para a missão de comunicação de forma a obter um ganho elevado mesmo num CubeSat. O objetivo é receber dados CW e imagens de alta qualidade do satélite utilizando o enlace de 5,8 GHz entre o satélite e a estação terrestre, algo que atualmente só foi possível com o FITSAT-1.

O satélite Mono-Nikko é um CubeSat-1U que tem como objectivo realizar a demonstração em órbita de um sistema de fornecimento de energia inteligente para micro-satélites. O satélite foi desenvolvido pela Dainikko Engineering Co., Ltd.

Este projeto irá realizar uma demonstração em órbita de uma unidade de energia inteligente capaz de adquirir dados de estado de baterias instaladas em naves espaciais ultracompactas, permitindo a deteção precoce da degradação e de anomalias das baterias em órbita.

Desenvolvido pela Universidade Aoyama Gakuin, o CubeSat-2U ARICA-2 irá realizar experiência demonstrativa de um sistema de alerta rápido de objetos astronómicos utilizando comunicação via satélite civil

O objetivo da sua missão é o de instalar um novo sistema de alerta rápido de objectos astronómicos utilizando uma rede privada de comunicação por satélite e verificar a taxa de sucesso da comunicação e o tempo de atraso até ao alerta em órbita.

O PRELUDE foi desenvolvido pela Universidade Nihon e irá fazer a demonstração da previsão probabilística da ocorrência de sismos utilizando o CubeSat através da deteção de fenómenos precursores de sismos.

Nos últimos anos, a existência de variações ionosféricas que antecedem sismos, ocorrendo na região D da ionosfera a uma altitude de 80 km, revelou-se estatisticamente significativa. Este projeto de um CubeSat-6U visa desenvolver um CubeSat que permitirá a previsão global de sismos através de observações globais realizadas por um satélite equipado com um sensor híbrido ultracompacto de campo elétrico/plasma para detetar estes fenómenos precursores.

O foguetão Electron

O Electron é um lançador a três estágios com um comprimento de 18 metros e um diâmetro de 1,2 metros. Tem uma massa de 13.000 kg no lançamento e é capaz de colocar em órbita terrestre baixa uma carga de 225 kg, sendo a sua carga nominal de 200 kg (a 500 km de altitude). Devido ao seu desenho e fabrico (fibra de carbono compósito e estrutura monocoque), o Electron é elaborado com altos níveis de automatização.

O lançador tira partido de materiais compósitos na sua fuselagem, tendo uma estrutura forte e super leve. Da mesma forma, os tanques de propelente são fabricados em materiais compósitos.

O primeiro estágio está equipado com nove motores Rutherford com uma capacidade de 162 kN, com um impulso específico de 311 s. O motor Rutherford consome querosene e oxigénio líquido, utilizando componentes impressos em 3D.

O motor Rutherford é um motor topo de gama que se alimenta de querosene e oxigénio líquido, sendo especificamente projectado para o foguetão Electron utilizando um ciclo de propulsão inteiramente novo. Uma característica única deste motor são as turbinas eléctricas de alto desempenho que reduzem a sua massa, substituindo assim ‘hardware’ por ‘software’. O motor Rutherford é o primeiro motor do seu tipo que utiliza impressão 3D nos seus componentes principais. Estas características são únicas no mundo para um motor de propelentes líquidos de alto desempenho alimentados por turbobombas eléctricas. O seu desenho orientado para a produção permitem que o Electron seja construído e os satélites lançados com uma frequência sem precedentes.

O segundo estágio do lançador é propulsionado por um motor derivado do motor Rutherford melhorado para um excelente desempenho em condições de vácuo. Consegue desenvolver 22 kN de força e um impulso específico de 343 s.

A sua carenagem tem um comprimento de 2,5 metros com um sistema de separação pneumático e por molas.

A tabela seguinte mostra os últimos dez lançamentos realizados por foguetões Electron (incluí lançamentos suborbitais).

Lançamento Veículo Lançador Local Lançamento

Missão

Data de Lançamento Hora

(UTC)

Carga
2025-305 F78 MARS Wallops Isl, LA-0C (LC-2)

“Don’t Be Such a Square”

18/Dez/25 05:03:00 STP-30
2025-307 F79 Onenui (Máhia), LC-1B

“The Wisdom God Guides”

22/Dez/25 06:36 QPS-SAR 15
2026-015 F80 Onenui (Máhia), LC-1A

“The Cosmos Will See You Now”

22/Jan/26 10:52 MR-1

MR-2

2026-019 F81 Onenui (Máhia), LC-1A

“Bridging The Swarm”

30/Jan/26 01:21:39 NeonSat-1A
F82 MARS Wallops Isl, LA-0C (LC-2)

“That’s Not A Knife”

28/Fev/26 00:00 DIU HyCAT DART-AE
2026-043 F83 Onenui (Máhia), LC-1B

“Insight at Speed is a Friend Indeed”

05/Mar/26 23:53 BlackSky Global 34
2026-056 F84 Onenui (Máhia), LC-1B

“Eight Days A Week”

20/Mar/26 18:10 StriX-6
2026-065 F85 Onenui (Máhia), LC-1A

“Daughter Of The Stars”

28/Mar/26 09:14 Celeste IOD-1

Celeste IOD-2

F86 MARS Wallops Isl, LA-0C (LC-2)

“Bubbles”

22/Abr/26 04:36 BUBBLES
2026-089 F87 Onenui (Máhia), LC-1A

“Kakushin Rising”

23/Abr/26 03:09 MAGNARO-II

KOSEN-2R

WASEDSA-SAT-ZERO II

FSI-SAT2

Origamisat-2

Mono-Kiko

ARICA-2

PRELUDE

O Complexo de Lançamento LC-1 localizado na Península de Máhia, entre Napier e Gisborne, na costa Este de Ilha do Norte da Nova Zelândia. Este é o primeiro complexo orbital na Nova Zelândia e o primeiro complexo, a nível mundial, operado de forma privada.

Equipado com duas plataformas de lançamento, a localização remota do LC-1, e de forma particular o seu baixo volume de tráfego marítimo e aéreo, é um factor-chave que permite um acesso sem precedentes ao espaço. A posição geográfica deste local permite que seja possível a uma grande gama de azimutes de lançamento – os satélites lançados desde Máhia podem ser colocados em órbitas com uma grande variedade de inclinações para assim proporcionar serviços em muitas áreas em torno do globo.

Imagens: RocketLab



Comente este post