
O lançamento da missão logística CRS-35 para a estação espacial internacional teve lugar às 1033:44UTC do dia 13 de Outubro de 2026 a partir do Complexo de Lançamento SLC-40 do Cabo Canaveral SFS, Florida.
O lançamento do veículo Dragon-2 SpX-35 foi realizado pelo foguetão Falcon 9-696 (B1096.8), com o primeiro estágio B1096, na sua 8.ª missão, a ser recuperado com sucesso na Zona de Aterragem LZ-40, em Cabo Canaveral.
Os astronautas da Anil Menon (NASA) e Joshua Kutryk (CSA) vão monitorizar a chegada do veículo que permanecerá acoplada ao laboratório orbital durante cerca de um mês antes de amarar no Oceano Pacífico, devolvendo dados científicos e equipamentos essenciais, às equipas na Terra.
O veículo de carga irá acoplar de forma automática com a estação espacial internacional às 1500UTC do dia 15 de Outubro, no porto IDA-3 do módulo Harmony.
A cápsula Dragon-2 utilizada neste voo, o veículo C211, realiza a sua 4.ª missão. Estes veículos de carga são similares à Crew Dragon, mas estão equipados com sistemas de suporte de vida reduzidos, não possui motores Super Draco de abortagem e apenas duas aletas de estabilização aerodinâmica. A segunda geração destes veículos de carga é capaz de realizar acoplagens automáticas com a ISS.
A bordo segue um total de 2.867 kg de carga, sendo 1.672 kg de carga pressurizada e 1.195 kg de carga não pressurizada. Da carga pressurizada, 383 kg correspondem a mantimentos para a tripulação, 593 kg de investigações científicas, 189 kg de equipamentos para actividades extraveículares, 362 kg de equipamentos para a ISS e 36 kg de recursos informáticos.

Algumas das cargas científicas a bordo da CRS-35 são: a LambdaVision-1, Stellar Spheroids, ELF-Unconventional Glass 2, e MINDS.
Com o LambdaVision-1, a NASA está a testar como fabricar retinas artificiais em microgravidade, construindo-as camada a camada. A menor compactação em microgravidade pode criar camadas mais uniformes e estáveis, melhorando potencialmente o desempenho dos implantes. Estas retinas artificiais poderão ajudar a restaurar a visão dos doentes com doenças da retina atualmente incuráveis na Terra.

A NASA utilizará a experiência Stellar Spheroids para estudar como a microgravidade afecta o crescimento e a função de modelos tridimensionais de tecido cardíaco humano. Os investigadores irão avaliar se a microgravidade melhora a formação de redes vasculares complexas. Os resultados poderão auxiliar no desenvolvimento de modelos de tecido cardíaco mais realistas para a investigação sobre doenças e apoiar testes de fármacos em larga escala em futuras missões espaciais.

Utilizando elementos não tradicionais, o projeto ELF-Unconventional Glass 2 estuda a forma como o vidro se forma em microgravidade. Os investigadores observarão o comportamento do material fundido no espaço e, em seguida, trarão amostras sólidas para a Terra para análises detalhadas. Estes vidros não convencionais podem oferecer maior resistência, capacidades ópticas melhoradas e maior durabilidade para naves espaciais, habitats e outras tecnologias de exploração.

A experiência MINDS estuda os organoides cerebrais para melhor compreender a inflamação associada a doenças neurodegenerativas. A investigação utiliza “aldeias de organoides”, que combinam células de várias pessoas para melhor representar a diversidade dos doentes. Os resultados podem ajudar a identificar novos alvos terapêuticos para doenças como Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla.

A bordo são também transportados outros equipamentos, tais como:
- International Space Station Roll-Out Solar Arrays (IROSA) – O último par de IROSAs que será instalado na estação espacial, completando o aumento do seu sistema de energia para suportar operações críticas, incluindo a sua desorbitação segura e controlada.
- Collapsible Continency Urinal e equipamento de suporte – Uma unidade de demonstração e testes que apoia a missão Artemis III da NASA.
- Equipamento conjunto de apoio ao voo Canadarm2 – Uma grande cápsula de espuma, vazia, será enviada para trazer de volta a junta do braço robótico que apresentou defeitos e foi substituída durante uma caminhada espacial no dia 30 de Junho. Após o seu regresso à Terra, as equipas analisarão a junta em solo.


O lançamento de equipamento adicional inclui uma bomba doseadora para sanitas, um sensor de qualidade do pré-tratamento de sanitas e uma ferramenta microcónica robotizada utilizada para tarefas de manutenção e utilização da estação espacial, com unidades e cargas úteis de substituição externa.
Quando a Dragon v2 SpX-25 regressar em meados de Novembro, trará consigo a junta defeituosa do Canadarm2 para análise e renovação, um fato espacial para renovação em solo, um conjunto de bomba de controlo de fluido e pressão do processador de urina e uma unidade de filtragem para o conjunto do processador de água.
Lançamento
A cerca de dez horas do lançamento procedeu-se à activação eléctrica do foguetão Falcon-9. Tanto o lançador como a sua carga são submetidos a uma série de verificações testes antes do início do abastecimento do querosene RP-1. O Director de Voo consulta os controladores a T-38m, determinando assim se tudo está pronto para o início do abastecimento do lançador. O processo de abastecimento de RP-1 inicia-se a T-35m no primeiro estágio, seguindo-se o início do abastecimento do oxigénio líquido (LOX) na mesma altura. O abastecimento de LOX ao segundo estágio inicia-se a T-16m.

A fase terminal da contagem decrescente inicia-se com os motores a serem condicionados termicamente para o lançamento a T-7m. A T-1m é enviado um comando para o computador de voo para iniciar as verificações pré-lançamento e o sistema de supressão sónica é activado na plataforma de lançamento inundada por milhões de litros de água. Por esta altura os tanques de propelente também são pressurizados. A T-45s o Director de Lançamento da SpaceX verifica se todos os parâmetros estão prontos para a missão, sendo também verificado que o espaço aéreo está pronto para o lançamento. A sequência de ignição é iniciada a T-3s. A T=0s o foguetão abandona a plataforma.
Abandonando a plataforma de lançamento, o Falcon-9 inicia uma série de manobras para se colocar na trajectória de voo correcta.


No seu voo tendo como destino a estação espacial internacional, a cápsula Dragon executa uma série de manobras (ou queimas) que posicionam o veículo progressivamente mais perto da estação antes de executar as manobras de acoplagem finais, seguindo-se a pressurização do vestíbulo, abertura da escotilha de acesso e entrada da tripulação.

Após o seu lançamento (1) e activação orbital (2), a cápsula Dragon executa uma série de queimas de fase (3) até elevar os seus parâmetros orbitais, coincidindo com a estação espacial. Atingindo uma órbita final coelíptica (4), inicia então as operações de proximidade (5) até à acoplagem e posterior pressurização do vestíbulo.
O foguetão Falcon-9
Baptizado em nome da nave Millenium Falcon da saga cinematográfica “Guerra das Estrelas”, o foguetão Falcon-9 v1.1 foi um lançador a dois estágios projectado e fabricado para o transporte seguro e fiável de satélites e do veículo Dragon para a órbita terrestre. Sendo o primeiro foguetão completamente desenvolvido no Século XXI, este lançador foi projectado desde o início para ter a máxima fiabilidade. A sua simples configuração de dois estágios minimiza o número de eventos de separação (staging) e com nove motores no primeiro estágio, pode completar a sua missão em segurança mesmo na possibilidade de perda de um motor.

O Falcon-9 fez história em 2012 quando colocou a cápsula Dragon na órbita correcta para uma manobra de encontro com a estação espacial internacional. Desde então, foram realizadas múltiplas missões para a ISS transportando e recolhendo carga para a NASA. O Falcon-9, bem como a cápsula Dragon, foram desenhados na base do desenvolvimento de um sistema de transporte de astronautas para o espaço.
O foguetão Falcon-9 Upgrade, ou Falcon-9 FT, (a seguir designado simplesmente como “Falcon-9”) representa a mais recente evolução deste lançador. De forma geral, o Falcon-9 tem 68,4 metros de comprimento, 3,7 metros de diâmetro e uma massa de 541.300 kg. O veículo é capaz de colocar uma carga de 13.150 kg numa órbita terrestre baixa ou 4.850 kg numa órbita de transferência geossíncrona.

O primeiro estágio do Falcon-9 está equipado com nove motores Merlin (Merlin-1D) e tanque de liga de alumínio e lítio que contêm oxigénio líquido e querosene RP-1. Após a ignição, um sistema de segurança fixa o veículo na plataforma de lançamento e garante que todos os motores são verificados como estando na força máxima antes de libertar o foguetão para o seu voo. Então, com uma força superior a cinco aviões Boeing 747 em potência máxima, os motores Merlin lançam o foguetão para o espaço. Ao contrário dos aviões, a força de um foguetão vai aumentando com a altitude – o Falcon-9 gera 6.806 kN ao nível do mar, mas atinge 7.426 kN no vácuo espacial. Os motores do primeiro estágio vão sendo aumentados em potência perto do final da queima do estágio para assim limitar a aceleração do veículo à medida que a massa do lançador diminui com a queima do combustível. O tempo total de queima do primeiro estágio é de 162 segundos.
Com os seus nove motores agrupados juntos na configuração ‘octaweb’, o Falcon-9 pode aguentar a falha de até dois motores durante o lançamento e mesmo assim conseguir atingir a órbita terrestre com sucesso. O Falcon-9 é o único lançador na sua classe com esta característica chave.
O motor Merlin vai encontrar as suas raízes aos motores das missões Apollo, nomeadamente o sistema de injecção baseado no motor do módulo lunar. O propelente é alimentado por uma única conduta, com uma turbo bomba de dupla pá que opera num ciclo de gerador a gás. A turbo bomba também fornece o querosene a alta pressão para os actuadores hidráulicos, que depois recicla para a entrada a baixa pressão. Isto elimina a necessidade de um sistema hidráulico separado e significa que não é possível ocorrer uma falha no controlo de vector de força por falta de fluido hidráulico. Uma terceira utilização da turbo bomba é o fornecimento de controlo de rotação ao actuar no escape da turbina de exaustão (no segundo estágio). Combinando-se estas características num só dispositivo aumenta-se assim de forma significativa o nível de fiabilidade do sistema.
O motor é capaz de desenvolver uma força de 654 kN ao nível do mar, 716 kN no vácuo, com um impulso específico de 282 segundos (nível do mar) e 311 segundos (vácuo).
A secção interestágio é uma estrutura compósita que liga o primeiro e o segundo estágio e alberga os sistemas de libertação e separação. O Falcon-9 utiliza um sistema de separação totalmente pneumático para uma separação de baixo impacto e altamente fiável que pode ser testado no solo, ao contrário dos sistemas pirotécnicos utilizados na maior parte dos lançadores.
O segundo estágio é propulsionado por um único motor Merlin de vácuo e coloca a carga a transportar na órbita desejada. O motor do segundo estágio entra em ignição poucos segundos após a separação entre o segundo e o primeiro estágio, e pode ser reiniciado várias vezes para colocar múltiplas cargas em diferentes órbitas. Para máxima fiabilidade, o segundo estágio está equipado com sistemas de ignição redundantes. Tal como o primeiro estágio, o segundo estágio é feito a partir de uma liga de alumínio e lítio.
O motor Merlin de vácuo (Merlin-1D de vácuo) desenvolve uma força de 934 kN e o seu tempo de queima é de 397 segundos.
A tabela seguinte mostra as missões realizadas pelo primeiro estágio B1096 (todos os lançamentos são realizados a partir do Complexo de Lançamento SLC-40 do Cabo Canaveral SFS).

A carenagem compósita é utilizada para proteger a carga durante a passagem do Falcon-9 pelas camadas mais densas da atmosfera. Quando a missão do Falcon-9 é o lançamento do veículo de carga Dragon, a carenagem não é utilizada, pois a cápsula possui o seu próprio sistema de protecção.
A carenagem tem 13,1 metros de comprimento e 5,2 metros de diâmetro. Fabricada em fibra de carbono, separa-se em duas metades utilizando um sistema de separação de actuadores pneumáticos semelhantes aos que são utilizados para a separação entre o primeiro e o segundo estágio.
A sequência de lançamento para o Falcon-9 é um processo de precisão ditada pela janela de lançamento tendo em conta a posição orbital a ser ocupada pela carga a bordo. Se a janela de lançamento é perdida, a missão é então adiada para a próxima janela de lançamento disponível.
Cerca de quatro horas antes do lançamento, inicia-se o processo de abastecimento – primeiro oxigénio líquido seguindo-se o querosene altamente refinado (RP-1). O vapor observado a sair do lançador durante a contagem decrescente é na realidade oxigénio a ser liberto dos tanques, sendo esta a razão pela qual o abastecimento de oxigénio líquido se mantém até quase ao final da contagem decrescente.
| Lançamento | Veículo | 1.º estágio | Local Lançamento | Data Hora (UTC) | Carga | Recuperação |
| 2026-206 | 687 | B1081.27 | VSFB, SLC-4E | 10/Set/26 15:42:30 | USSF-153 | OCISLY |
| 2026-208 | 688 | B1080.29 | CCSFS, SLC-40 | 13/Set/26 18:49 | O3b mPower 11 O3b mPower 12 O3b mPower 13 | ASOG |
| 2026-214 | 689 | B1097.13 | VSFB, SLC-4E | 17/Set/26 01:07:56 | USSF-259 | OCISLY |
| 2026-219 | 690 | B1093.17 | VSFB, SLC-4E | 20/Set/26 01:47:00 | Starlink G15-27 | OCISLY |
| 2026-224 | 691 | B1100.10 | VSFB, SLC-4E | 26/Set/26 14:00:54 | USSF-385 | OCISLY |
| 2026-226 | 692 | B1101.3 | CCSFS, SLC-40 | 01/Out/26 15:10:06 | Crew-13 | LZ-40 |
| 2026-227 | 693 | B1082.25 | VSFB, SLC-4E | 01/Out/26 18:32:00,103 | Transporter-18 | LZ-4 |
| 2026-231 | 694 | B1103.6 | VSFB, SLC-4E | 10/Out/26 07:39:44 | SDA T1TL-A | LZ-4 |
| 2026-232 | 695 | B1088.20 | VSFB, SLC-4E | 13/Out/26 00:28:11 | Starlink G15-25 | OCISLY |
| 2026- | 696 | B1096.8 | CCSFS, SLC-40 | 13/Out/26 10:33:44 | Dragon SpX-35 | LZ-40 |
Imagens: SpaceX, Boletim Em Órbita