
O lançamento da missão suborbital “Curveball” foi anunciado pela RocketLab USA a 3 de Junho de 2026 como sendo realizado desde Wallops Island.
O anúncio de um novo Aviso de Plano Operacional Atual da FAA, confirmando uma missão da Rocket Lab a partir do Centro de Voos de Wallops, Virgínia (MARS Wallops Island) — listada como “Curveball”, indicava a realização de um lançamento suborbital, sem no entanto fornecer muitos detalhes sobre a mesma.
A janela principal de operação abria no dia 12 de Junho, às 0400UTC e prolongava-se até às 0915UTC, coincidindo com os avisos locais aos navegantes já emitidos para as janelas de operação noturnas de 11 a 17 de Junho — das 0400UTC até às 0915UTC.
A tentativa principal de lançamento estava prevista para a noite de 11 de Junho, com tentativas de contingência todas as noites até 17 de Junho. O aviso também mapeava os corredores de risco do voo — Curveball Alpha, Bravo e Charlie — que se estendem para sudeste a partir de Wallops, passando pelas Bermudas. Esta longa trajectória sobre o Oceano Atlântico enquadra-se numa trajetória suborbital HASTE.
A RocketLab USA confirmaria que o lançamento teria ocorrido às 0800UTC do dia 11 de Junho de 2026, referindo “A Rocket Lab lançou com sucesso o seu veículo de lançamento HASTE do Complexo de Lançamento 2 em Wallops Island, Virgínia, para um cliente não divulgado. Esta foi a nona missão de lançamento do HASTE realizada pela Rocket Lab. (…)“
Horas após o lançamento, as Forças Espaciais dos Estados Unidos revelavam que havia sido catalogados em órbita dois objectos – 69476 2026-130A e 69477 2026-130B – resultantes deste lançamento.
Estes objectos encontravam-se em órbitas muito baixas, nomeadamente 2026-130A: 189 x 204 km (40,0.º) e 2025-130B: 198 x 199 km (40,0.º), reentrando possivelmente no dia seguinte ao lançamento.
Segundo o analista JOnathan McDowell, provavelmente “o HASTE colocou o Curveball numa órbita baixa, e depois o Curveball imediatamente usou a sua própria propulsão para sair de órbita sobre o Atlântico. Como permaneceu em órbita menos de uma órbita, não foi catalogado, mas os estágios do foguetão permaneceram em órbita durante cerca de um dia e, por isso, foram registados no SATCAT. Outra possibilidade é que o Curveball tenha completado a maior parte de uma órbita e tenha sido recuperado no oeste dos EUA, por exemplo, no Campo de Testes e Treino de Utah.”
Os detalhes sobre a missão Curveball são extremamente escassos, sabendo-se apenas tratar-se de uma missão de teste hipersónica.
O foguetão Electron/HASTE
O Electron é um lançador a três estágios com um comprimento de 18 metros e um diâmetro de 1,2 metros. Tem uma massa de 13.000 kg no lançamento e é capaz de colocar em órbita terrestre baixa uma carga de 225 kg, sendo a sua carga nominal de 200 kg (a 500 km de altitude). Devido ao seu desenho e fabrico (fibra de carbono compósito e estrutura monocoque), o Electron é elaborado com altos níveis de automatização.
O lançador tira partido de materiais compósitos na sua fuselagem, tendo uma estrutura forte e super leve. Da mesma forma, os tanques de propelente são fabricados em materiais compósitos.
A sua versão suborbital – designada “HASTE” – utiliza a mesma estrutura de compósito de carbono e motores Rutherford impressos em 3D que o Electron, mas possui um terceiro estágio modificado para o lançamento de carga útil suborbital, uma capacidade de carga útil maior, de até 700 kg, e opções de carenagens personalizadas para acomodar cargas úteis maiores. O HASTE pode implementar tecnologias a velocidades superiores a 7,5 km por segundo para testar cargas úteis de respiração atmosférica, planagem e balísticas, bem como tecnologias para reentrada na atmosfera terrestre a partir do espaço.

O primeiro estágio está equipado com nove motores Rutherford com uma capacidade de 162 kN, com um impulso específico de 311 s. O motor Rutherford consome querosene e oxigénio líquido, utilizando componentes impressos em 3D.
O motor Rutherford é um motor topo de gama que se alimenta de querosene e oxigénio líquido, sendo especificamente projectado para o foguetão Electron utilizando um ciclo de propulsão inteiramente novo. Uma característica única deste motor são as turbinas eléctricas de alto desempenho que reduzem a sua massa, substituindo assim ‘hardware’ por ‘software’. O motor Rutherford é o primeiro motor do seu tipo que utiliza impressão 3D nos seus componentes principais. Estas características são únicas no mundo para um motor de propelentes líquidos de alto desempenho alimentados por turbobombas eléctricas. O seu desenho orientado para a produção permitem que o Electron seja construído e os satélites lançados com uma frequência sem precedentes.
O segundo estágio do lançador é propulsionado por um motor derivado do motor Rutherford melhorado para um excelente desempenho em condições de vácuo. Consegue desenvolver 22 kN de força e um impulso específico de 343 s.
A sua carenagem tem um comprimento de 2,5 metros com um sistema de separação pneumático e por molas.
A tabela seguinte mostra os últimos dez lançamentos realizados por foguetões Electron (incluí lançamentos suborbitais).
| Lançamento | Veículo Lançador | Local Lançamento Missão | Data e Hora de Lançamento (UTC) | Carga |
| 2026-015 | F80 | Onenui (Máhia), LC-1A “The Cosmos Will See You Now” | 22/Jan/26 10:52 | MR-1 MR-2 |
| 2026-019 | F81 | Onenui (Máhia), LC-1A “Bridging The Swarm” | 30/Jan/26 01:21:39 | NeonSat-1A |
| – | F82 | MARS Wallops Isl, LA-0C (LC-2) “That’s Not A Knife” | 28/Fev/26 00:00 | DIU HyCAT DART-AE |
| 2026-043 | F83 | Onenui (Máhia), LC-1B “Insight at Speed is a Friend Indeed” | 05/Mar/26 23:53 | BlackSky Global 34 |
| 2026-056 | F84 | Onenui (Máhia), LC-1B “Eight Days A Week” | 20/Mar/26 18:10 | StriX-6 |
| 2026-065 | F85 | Onenui (Máhia), LC-1A “Daughter Of The Stars” | 28/Mar/26 09:14 | Celeste IOD-1 Celeste IOD-2 |
| – | F86 | MARS Wallops Isl, LA-0C (LC-2) “Bubbles” | 22/Abr/26 04:36 | BUBBLES |
| 2026-089 | F87 | Onenui (Máhia), LC-1A “Kakushin Rising” | 23/Abr/26 03:09 | MAGNARO-II KOSEN-2R WASEDSA-SAT-ZERO II FSI-SAT2 Origamisat-2 Mono-Kiko ARICA-2 PRELUDE |
| 2026-112 | F88 | Onenui (Máhia), LC-1B “Viva La StriX” | 22/Mai/26 09:33 | StriX-7 |
| 2026-130 | F89 | MARS Wallops Isl, LA-0C (LC-2) “Curveball” | 11/Jun/26 08:00 | Curveball |
O Complexo de Lançamento LC-1 localizado na Península de Máhia, entre Napier e Gisborne, na costa Este de Ilha do Norte da Nova Zelândia. Este é o primeiro complexo orbital na Nova Zelândia e o primeiro complexo, a nível mundial, operado de forma privada.
Equipado com duas plataformas de lançamento, a localização remota do LC-1, e de forma particular o seu baixo volume de tráfego marítimo e aéreo, é um factor-chave que permite um acesso sem precedentes ao espaço. A posição geográfica deste local permite que seja possível a uma grande gama de azimutes de lançamento – os satélites lançados desde Máhia podem ser colocados em órbitas com uma grande variedade de inclinações para assim proporcionar serviços em muitas áreas em torno do globo.
Imagens: RocketLab