Dois satélites lançados desde Wallops Island

Após vários adiamentos devido às más condições meteorológicas, a RocketLab USA, Inc. colocou dois satélites em órbita a 16 de Março de 2023 a partir do MARS Wallops Island.

O lançamento da missão “Stronger Toghether” teve lugar às 2238:59UTC e foi realizado pelo foguetão Electron/Curie (F34) a partir do Complexo de Lançamento LA-0C (LC-2), sendo este o segundo lançamento da empresa a partir de território norte-americano.

A bordo desta missão seguiram dois satélites de observação da Terra da Capella Space.

Os satélites Capella

A Capella Space desenvolveu uma série de satélites SAR, Capella, que deverão constituir uma constelação de trinta unidades em órbita. Com uma massa de 112 kg, os satélites irão fornecer imagens de radar com uma resolução superior a 0,5 metros com grande contraste, alta resolução e baixo ruído. Os satélites Capella estão equipados com uma antena de 3,5 metros em forma de rede reflectora.

O primeiro satélite, Capella-2 (Capella Sequoia), foi colocado em órbita a 31 de Agosto de 2020 por um foguetão Electron/Photon a partir do Centro de Lançamentos de Máhia, Nova Zelândia, seguindo-se a 24 de Janeiro de 2021 o lançamento dos satélites Capella-3 (Capella Whitney 1) e Capella-4 (Capella Whitney 2) por um foguetão Falcon-9 na missão Transporter-1 a partir do Cabo Canaveral SFS, do satélite Capella.6 (Capella Whitney 4) a 15 de Maio de 2021 por um foguetão Falcon-9 juntamente com vários satélites Starlink e com o satélite Tyvak-0130 (lançado a partir do Centro Espacial Kennedy), e finalmente do satélite Capella-5 (Capella Whitney 3) a 30 de Junho de 2021 por um foguetão Falcon-9 na missão Transporter-2 a partir do Cabo Canaveral SFS.

O Complexo de Lançamento LC-2

O Complexo de Lançamento LC-2 é o primeiro local de lançamento da Rocket Lab em solo norte-americano. Projectado para realizar até 12 missões por ano, o LC-2 permite a realização de forma rápida dos lançamentos do foguetão Electron, bem como um acesso fiável à órbita terrestre aos clientes governamentais e comerciais.

O novo complexo de lançamento suplementa o Complexo de Lançamento LC-1 na Nova Zelândia (com duas plataformas de lançamento), a partir do qual já foram lançadas 32 missões do foguetão Electron. Os dois complexos de lançamento podem suportar mais de 130 oportunidades de lançamento por ano, proporcionando uma flexibilidade sem precedentes para lançamentos rápidos e responsivos de pequenos satélites.

A Rocket Lab opera as instalações de integração e controlo localizadas no denominado “Wallops Research Park”, a custa distância da plataforma de lançamento. As instalações albergam salas de tecnologia de ponta, salas estéreis, instalações de processamento de veículos e um centro de controlo de missão.

A plataforma de lançamento e o complexo de produção para o foguetão reutilizável Neutron da Rocket Lab, estarão também localizados no Mid-Atlantic Regional Spaceport (MARS).

Lançamento

Com o encerramento das vias de acesso ao local de lançamento a ocorrer a T-6h, o foguetão Electron era colocado na sua posição vertical a T-4h e iniciava-se o processo de abastecimento de querosene. O pessoal de apoio na plataforma de lançamento deixava a área a T-2h 30m e o abastecimento de oxigénio líquido (LOX) iniciava-se a T-2h.

As autoridades de aviação locais eram informadas sobre o lançamento a T-30m para assim poderem avisar os aviadores naquele espaço aéreo. Os preparativos finais para o lançamento iniciam-se a T-18m. A sequência automática de lançamento inicia-se a T-2m, com o computador de bordo do Electron a tomar conta das operações. A ignição dos motores do lançador inicia-se a T-2s.

O foguetão abandona a plataforma de lançamento a T=0s, com uma ascensão lenta nas fases iniciais e ganhando velocidade à medida que ganha altitude. O veículo atinge a velocidade do som (Mach 1) a T+1m 0s e a zona de máxima pressão dinâmica a T+1m 11s. O final da queima do primeiro estágio ocorre a T+2m 25s e a sua separação ocorre três segundos mais tarde.

A ignição do motor Rutherford do segundo estágio ocorre a T+2m 31s, seguindo-se a separação da carenagem de protecção a T+3m 9s. A T+6m 16s ocorre a troca de baterias eléctricas que dão o impulso eléctrico necessário a ignição do motor Rutherford Vacuum.

O final da queima do segundo estágio ocorre a T+9m 10s e a separação entre o segundo estágio e o estágio Curie ocorre e T+9m 14s. Após uma fase não propulsionada de cerca de 45 minutos, o estágio Curie entra em ignição a T+53m 52s. O final da queima do estágio Curie ocorre a T+57m 28s e a separação dos satélites Capella-9 e Capella-10 ocorre por volta de T+57m 28s.

O foguetão Electron

O Electron é um lançador a três estágios com um comprimento de 18 metros e um diâmetro de 1,2 metros. Tem uma massa de 13.000 kg no lançamento e é capaz de colocar em órbita terrestre baixa uma carga de 225 kg, sendo a sua carga nominal de 200 kg (a 500 km de altitude). Devido ao seu desenho e fabrico (fibra de carbono compósito e estrutura monocoque), o Electron é elaborado com altos níveis de automatização.

O lançador tira partido de materiais compósitos na sua fuselagem, tendo uma estrutura forte e superleve. Da mesma forma, os tanques de propelente são fabricados em materiais compósitos.

O primeiro estágio está equipado com nove motores Rutherford com uma capacidade de 162 kN, com um impulso específico de 311 s. O motor Rutherford consome querosene e oxigénio líquido, utilizando componentes impressos em 3D.

O motor Rutherford é um motor topo de gama que se alimenta de querosene e oxigénio líquido, sendo especificamente projectado para o foguetão Electron utilizando um ciclo de propulsão inteiramente novo. Uma característica única deste motor são as turbinas eléctricas de alto desempenho que reduzem a sua massa, substituindo assim ‘hardware’ por ‘software’. O motor Rutherford é o primeiro motor do seu tipo que utiliza impressão 3D nos seus componentes principais. Estas características são únicas no mundo para um motor de propelentes líquidos de alto desempenho alimentados por turbobombas eléctricas. O seu desenho orientado para a produção permitem que o Electron seja construído e os satélites lançados com uma frequência sem precedentes.

O segundo estágio do lançador é propulsionado por um motor derivado do motor Rutherford melhorado para um excelente desempenho em condições de vácuo. Consegue desenvolver 22 kN de força e um impulso específico de 343 s.

A sua carenagem tem um comprimento de 2,5 metros com um sistema de separação pneumático e por molas.

Lançamento Missão Veículo Lançador Data de Lançamento Hora

(UTC)

Carga
2022-034 F25 Without Mission A Beat 02/Abr/22 12:41 BlackSky-16 (BlackSky Global 18)

BlackSky-17 (BlackSky Global 19)

2022-044 F26 There and Back Again 02/Mai/22 22:49:52 AuroraSat-1

Unicorn-2

TRSI-2

TRSI-3

MyRadar-1

E-Space 1

E-Space 2

E-Space 3

BRO-6

Copia

SpaceBEE (vários)

2022-070 F27 CAPSTONE 28/Jun/22 09:55:52 CAPSTONE

‘Lunar Photon’

2022-079 F28 Wise One Looks Ahead 13/Jul/22 06:30 NROL-162 (RASR-3)
2022-091 F29 Antipodean Adventure 04/Ago/22 05:00 NROL-199 (RASR-4)
2022-113 F30 The Owl Spreads Its Wings 15/Set/22 20:38 StriX-1
2022-127 F31 It Argos Up From Here 07/Out/22 17:09:21 GAzelle
2022-147 F32 Catch If You Can 04/Nov/22 17:27 MATS
2023-011 F33 Virginia is for Launch Lovers 24/Jan/23 23:00 Hawk-6A

Hawk-6B

Hawk-6C

2023-035 F34 Stronger Toghether 16/Mar/23 22:38:59 Capella-9

Capella-10

O Complexo de Lançamento LC-1 localizado na Península de Máhia, entre Napier e Gisborne, na costa Este de Ilha do Norte da Nova Zelândia. Este é o primeiro complexo orbital na Nova Zelândia e o primeiro complexo, a nível mundial, operado de forma privada.

Equipado com duas plataformas de lançamento, a localização remota do LC-1, e de forma particular o seu baixo volume de tráfego marítimo e aéreo, é um factor-chave que permite um acesso sem precedentes ao espaço. A posição geográfica deste local permite que seja possível a uma grande gama de azimutes de lançamento – os satélites lançados desde Máhia podem ser colocados em órbitas com uma grande variedade de inclinações para assim proporcionar serviços em muitas áreas em torno do globo.